Ricardinho no Sporting. Sim ou sim?

Saturday, 28 April 2018 · Posted in ,

Quem não sabe vencer resignar-se-á ou procurará vencer a qualquer custo, e se é pouco provável que quem se motiva pelo orgulho se resigne, a qualquer custo dificilmente se vence. Se quiser, vence a corrida quem gosta de correr e (gostando) corre por gosto. Não pelos que querem vencer uma corrida.

Nas modalidades em que se enfrenta concorrência que se preze, a fórmula para consistentemente vencer é só uma, não existindo outra: ter os melhores jogadores e os melhores treinadores. Nesse sentido, o ingresso de Ricardinho no Sporting seria uma das melhores notícias que poderíamos receber nas próximas horas, ou dias. Isto se as coisas funcionassem normalmente.
Desportivamente, o Sporting no seu campeonato não joga contra a equipa de Ricardinho. Infere-se que o Sporting não precisa de Ricardinho para vencer campeonatos Nacionais e taças domésticas. Os resultados do Sporting na modalidade demonstram-no. Ainda desportivamente, o Sporting não conseguiu (sem qualquer demérito, sem surpresa) vencer duas das três finais (2010, 2016 e 2017) da maior prova Europeia de futsal de clubes, porque teve pela frente a equipa de Ricardinho. Teria o Sporting vencido os dois jogos frente ao Inter Movistar com o Português do seu lado? Não faço ideia. Teria o Sporting vencido os dois jogos frente à equipa da comunidade autónoma de Madrid se Ricardinho não a / os representasse? Não faço ideia. Será sensato gastar 6,5 milhões de euros para descobrir? 1,5 milhões (não negociáveis) da cláusula de rescisão mais 5 milhões de um contrato de 4 anos para o jogador? Olhadas as verbas normalmente alocadas a modalidades que (ao contrário do futebol) não geram receitas relevantes, a resposta é provavelmente negativa.

O milagre da multiplicação do ADN verde-e-branco.
Declarou o Sporting em Abril de 2016: “Dando cumprimento à Ordem de Trabalhos da Assembleia Geral, apresentámos o orçamento do Clube para a próxima época, que foi aprovado pelos Sócios. O resumo do documento é simples: um aumento de investimento nas modalidades de cerca de 2,7 milhões. O objectivo é claro: sermos campeões nacionais em todas as modalidades e voltarmos às conquistas de títulos europeus de forma regular.” Título pomposo para: não sabemos porque não vencemos mas se atirarmos dinheiro para cima do problema pode ser que desapareça.

2,7 milhões (mais) para todas as modalidades que não o futebol. Todas? Brincadeira. O Sporting à boa maneira do maior investe naquilo que lhe traz notoriedade. É normal, talvez, mas nesse caso não se apregoe a bandeira do ecletismo só porque dá jeito. Com boa vontade e porque gestores normalmente manuseiam profissionalmente dinheiro que não lhes pertence, arranja-se duas ou três centenas de milhar de euros para o hóquei em patins. Todavia, se uma equipa numa modalidade da qual ninguém ouve falar ou se o Luís Gonçalves precisar(em) de 500 euros para treinar, mais sorte terá se os pedir à junta local, e não ouse queixar-se que o Sporting paga 50 euros por mês. Se o fizer ameaça-se com o exército das redes sociais, sugere-se um desmentido (ainda que o áudio das declarações exista), e obriga-se não só a um pedido de desculpas como a um elogio público a quem paga os 50 euros por mês. Mas ainda que os comparemos com as modalidades que no universo das modalidades são as mais notáveis (futsal, andebol, ou hóquei em patins), dois anos depois não falamos de 2,7 para todas mas de 6,5 para um jogador, numa só modalidade.

Parece-lhe um tique megalomaníaco, ou parece-lhe um tique de megalómano?

Mas então onde ficamos? Onde começámos: ter os melhores jogadores e os melhores treinadores, quando tal não é sinónimo de pagar para ter os melhores. Torna-se necessário, isso sim, pagar para preservar os melhores, contas do mesmo jardim mas de outro rosário. De que forma? Tratando-se o compromisso com a formação da forma mais difícil mas eficiente que nos permitirá em toda e qualquer secção atingir sucesso, para um clube da natureza e da grandeza do Sporting, esse sucesso terá invariavelmente de se traduzir na obtenção de títulos - não sempre, por não ser possível, ao Sporting ou a qualquer outro, mas regularmente. Qual é o método mais inteligente de contarmos com os melhores praticantes nos desportos A, B, C ou D? Recrutando-os e formando-os muito antes de se tornarem profissionais. Daí, não é difícil perceber que a estratégia da actual direcção do Sporting não garante e garantirá jamais a consolidação de práticas vencedoras nestas modalidades, resumindo-se, tal como é pelos próprios admitido, na visão pequena de «sermos campeões em todas as modalidades em ano de eleições».

Mau demais para ser verdade ... Mas lá está, quem não gosta de correr e não corre por gosto, jamais vencerá uma corrida. Verdadeiro há um ano e hoje.

Ao canto (na capa): Acordo com o Nápoles. Notícia pouco surpreendente dada a diabolização que o Sporting instigou sobre Rui Patrício e sobre William Carvalho, em virtude do diferendo com o seu presidente.
E neste tópico (diabolização), ainda sobre Ricardinho, quando os sportinguistas pediam o enforcamento público do jogador.

3 Responses to “Ricardinho no Sporting. Sim ou sim?”

  1. 8 Milhões para o Jejum e 5 Milhões para o Ricardinho! Não se preocupem que o BES e o Sobrinho pagam. ou seja todos nós, os contribuintes portugueses, mas o emprestimo obrigacionista já não têm dinheiro para pagar. hahaha O tombo será bem grande. Por enquanto é a negação!

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    1. O MP e a PGR que não investigem.....

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  2. O complexo de inferioridade é tal que o querido líder só pensa em enterrar as contas do clube agora numa modalidade que já dá prejuízo com os jogadores que lá estão para pagar reformas douradas a benfiquistas.

    Aceita Ricardinho, arrebenta com eles
    Lagarto a tua mãe de quatro! VAMOS CANTAR PELO BENFICA QUE É O MAIOR DE PORTUGAL!

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