No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
O melhor do clube são as pessoas, mas não são quaisquer pessoas. Foram os nossos fundadores, atletas e treinadores. É a nossa história. O clube não és tu, não sou eu, nem «somos nós». São eles. As mensagens que publicarmos evidenciarão esse intuito, versando sobre a instituição, a sua notável história, acumulado de feitos presentes e passados, proeminentes homens que a serviram e ergueram, cumprimentando as suas memórias mas mais importante, preservando a sua autoridade, ainda que não vivam entre nós.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Passam hoje 59 anos sobre a morte de Cândido Fernandes Plácido de Oliveira, natural de Fronteira, vila do distrito de Portalegre, faleceu «o mestre» a 23 de Junho de 1958, não muito longe daqui, no hospital de Serafimer em Estocolmo. “Ainda não tinha sessenta e dois anos este alentejano de viva inteligência, doce de carácter, jornalista corajoso, democrata assumido e impertérrito defensor do colectivismo no desporto e na vida, discípulo e condiscípulo de casapianos ilustres, que nele cunharam a filosofia da solidariedade como bem inalienável” - Homero Serpa

Cândido de Oliveira é uma (1), entre cinco (5), das personalidades que de forma decisiva mais contribuíram, ou poderiam contribuir, para o progresso da modalidade em Portugal. Distinguindo-se por uma visão e conhecimento absolutamente invulgares sobre o jogo, enraizado (conhecimento) em doses ímpares de vocação, de talento e de intuição, salvaguardado e exponenciado pela fortaleza obediente a princípios racionais de organização e de método: a táctica é o fundamento racional do jogo moderno, princípio da sua eficácia. Neste sentido, os outros nomes são sem hesitação José Maria Pedroto, Carlos Queirós, José Mourinho e Pedro Bouças.

Sobre o primeiro, passados hoje 59 anos sobre o seu desaparecimento, imagine-se por momentos órfão, casa-piano, talentoso, estudioso, inovador, trabalhador, pensador, praticante de futebol, internacional (futebolista), capitão de selecção, fundador do Casa Pia Atlético Clube, seleccionador Nacional de futebol.

Imagine-se periodista na 'Stadium', director de jornal 'Os Sports', 'Diário de Notícias', 'Diário de Lisboa', 'O Século', fundador do 'A Bola'.

Imagine-se outrossim compassivo, activo, lúcido, frontal, declarado opositor dos regimes de Hitler, Mussolini, Franco e Salazar.
Imagine-se dotado de singular coragem física, deportado para campo de concentração, Tarrafal, brutalmente espancado a ponto de lhe partirem todos os dentes, em diversas ocasiões submetido a tortura.
Imagine-se sportinguista, director-técnico do Sporting, treinador do Sporting, campeão Nacional pelo Sporting, três vezes com o Sporting.


Imagine «o mestre» Cândido de Oliveira.

Quando um dos nomes mais importante na história do futebol Português foi convidado, em 1936, para substituir o seu amigo Artur J. Pereira no comando d' Os Belenenses, à época debilitado por doença, impôs a exigência de que o ordenado de treinador continuasse a ser pago ao seu amigo, tranquilizando os directores de que ele (Cândido de Oliveira) trabalharia nesse período sem receber.

Quando em 1946 Cândido de Oliveira foi convidado para ingressar no comando técnico de um Sporting que lutava contra resultados adversos
, impôs a exigência de que o treinador do Sporting se mantivesse no seu lugar, ocupando ele (Cândido de Oliveira) o posto de director-técnico. Tomaria em mãos, na época seguinte, as funções de treinador, iniciando-se o período hegemónico do futebol leonino. Décadas de 40 e de 50, Cândido de Oliveira, principal responsável pela conquista do primeiro «tri» entre 1946 e 1949, deixando as fundações para a conquista do primeiro «tetra» entre 1950 e 1954.

São os treinadores e os jogadores que escrevem as histórias dos clubes. São tudo o que separa o sucesso do insucesso. Para chegarmos ao primeiro não são necessárias fortunas. É necessário apostar nas pessoas certas, no tempo certo.

Cândido de Oliveira foi uma entre mais demonstrações disto mesmo. “Pela vastidão dos seus conhecimentos, pelas superiores qualidades de método e de exposição e pela sua formação moral, o Cândido nada fazia que não tivesse um objectivo primeiro: humanizar, consciencializar e emancipar.”

Humanizar, consciencializar e emancipar. Cândido de Oliveira partiu hoje há 59 anos. Jamais serás esquecido ...

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Thursday, 22 June 2017

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