No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.


A 1 de Julho de 1930, no dia em que o Sporting Clube de Portugal celebrava 24 anos de vida, Francisco, como sempre fazia, saiu de casa cedo. No lugar de ir para o local de trabalho, Banco Ultramarino, optou pela estação ferroviária de Sete Rios. Apercebendo-se do comboio, despiu o casaco e correu para ele de braços abertos. Suicidara-se nesse instante o primeiro grande capitão e treinador do Sporting.

De forma especialmente bonita, rezam referências biográficas, “faleceu por vontade própria”. O que o motivou a fazê-lo? Francisco suicidou-se provavelmente não naquela manhã mas no dia em que vira assinada a sua sentença de morte por doença, quando lhe foi diagnosticada sífilis. O 1 de Julho, naturalmente, escolheu-o por solenizar o nascimento do clube que fundara. Morreu no dia em que fez nascer o Sporting, aos 38 anos. Já Francisco (e não o Sporting) nasceu há 4 dias, a 21 de Maio, mas de 1892. Celebraria neste ano 125 anos de vida.
Há uns meses o meu pai perguntou-me, pelo telefone, por que razão me refiro ao António como “filho do meu irmão”. (E não como sobrinho.) Por acaso costumo em 99% do tempo referir-me ao António como António, não mantendo especialmente presente se é filho do meu irmão, neto do meu pai, ou primo afastado da minha avó. Mas assim é porque sobrinho é um termo mais ou menos impessoal. Soa a douradinhos com puré de batata. É seco. Já “filho do meu irmão” soa a filho e a irmão. Soa aquilo que no fundo é. O António é portanto filho do meu irmão, o equivalente a um filho meu (ou como se assim o fosse). É por isso.
Na foto abaixo, olhava ontem para ela, o António, como qualquer mortal, conheceu Francisco Stromp.
Foi há 4 anos, em 2013, salvo erro em Abril, e eu encontrava-me durante um par de semanas em Portugal. O meu irmão (pai do meu sobrinho), por essa altura, já fizera do António um benfiquista. Porque eles são assim. Abusivos. Abusadores. Sempre foram. Doutrinam e catequizam qualquer criança independentemente da vontade da criança. São intrinsecamente gulosos. E é assim que o Benfica em Portugal se multiplica. O António, no entanto, naquele dia, pediu ao avô (foi o avô que fez a pergunta sobre os sobrinhos) para visitar o estádio José Alvalade. Porquê? Porque o pai lhe dissera para não deixar que o levassem a Alvalade. O avô, por sua vez, questionou o António se não preferiria, antes, visitar o estádio da Luz para desse modo fazer uma surpresa ao pai. Foi-lhe inclusivamente prometida uma bola do Benfica. Uma bolinha de merda como tantas outras que o António já tinha. O António ficou em silêncio. Fomos então para Alvalade. Eu e o António. Quem prometeu a bola, prometendo-a, ficou em casa.

As menções a 1908 e a 1924 respeitam ao período activo na equipa do Sporting. Estreou-se, Francisco, com 16 anos e foi a primeira grande referência a capitaneá-lo. Pela selecção do seu país estrear-se-ia 5 anos depois, frente ao Brasil. Somou 25 internacionalizações. Naquele tempo, num período em que os jogos de selecções não abundavam, 25 tratava-se de um nº impressionante.

Além de um extraordinário ser humano, fundador, dirigente, sócio, capitão, futebolista, sagrou-se campeão Nacional de Atletismo na prova de Disco.
Em 1990, aos 98 anos de idade, ser-lhe-ia atribuída pelo governo Português a medalha de Mérito Desportivo, 6 décadas e alguns meses passados sobre a manhã em que faleceu por vontade própria. Na condição de militar, alferes da Escola de Oficiais e Milicianos de Cavalaria, envolveu-se no golpe liderado por Paiva Couceiro que em 1911 procurou restaurar a monarquia. O golpe falhou e Francisco ver-se-ia detido em Queluz, onde passaria 2 meses na prisão.

José Stromp, Francisco Stromp e António Stromp. Os 3 irmãos do Sporting.
Para os 3 foi uma natureza.
Para os 3, como demonstra a fotografia, são intuitos.
Para Francisco foi de princípio, a fim, fazer tudo por vontade própria.

Para Francisco foi de princípio a fim fazer tudo por vontade própria.

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Friday, 26 May 2017

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