“A substância fundamental do progresso desportivo do Sporting é um fogo clubista que incessantemente se acende. É o suporte de vida do espírito leonino; é uma matéria viva ...”


No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas, bem como um depósito para comentários sobre diversos tópicos que vou deixando um pouco por toda a parte.
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Na sequência da derrota há 2 dias com o FCP no Casal Vistoso, e da demissão hoje de Zupo, podemos pegar no andebol e desenvolver algumas ideias sobre a orientação do clube para as modalidades e sobre a relação de forças  desproporcionada entre o futebol e as restantes modalidades que o Sporting pratica. Esta desproporção é infelizmente comum a todas as direcções que o clube teve. Sobre a primeira e começando pelo mais evidente, ninguém (espero) duvidará que o presente e o futuro das mais importantes modalidades do Sporting, trate-se de atletismo, andebol, natação, ginástica, hóquei, futebol, futsal, entre outras, passa pelo compromisso com as suas estruturas de formação. O caminho e o estrondoso sucesso que o Benfica vem trilhando nos últimos 15 anos em 3 ou 4 modalidades que pratica é sobre esta matéria o melhor exemplo que poderíamos ter, e o melhor exemplo que poderíamos porventura copiar. Tal como demonstram os resultados que o andebol e o hóquei do Sporting vêm obtendo, jamais atingiremos consistentemente sucesso pelo simples facto de termos nestas modalidades (entre todos os clubes) os maiores orçamentos, ou atirando dinheiro para cima delas. Tais método e estratégia, ou ausência deles, resultará no futebol feminino onde Benfica e FCP não competem, mas não resultará de grosso modo nas principais modalidades onde pelo menos 1 destes 2 clubes (ou ambos) marque(m) presença. Diria ainda que tratando-se o compromisso com a formação da forma mais difícil mas eficiente que nos permitirá em toda e qualquer secção atingir sucesso, para um clube da natureza e da grandeza do Sporting, esse sucesso terá invariavelmente de se traduzir na obtenção de títulos - não sempre, por não ser possível (ao Sporting ou a qualquer outro), mas regularmente. Em suma, qual será o método mais inteligente de contarmos com os melhores praticantes nos desportos A, B, C ou D? Recrutando-os e formando-os muito antes de se tornarem profissionais. Daí, não é difícil perceber que a estratégia da actual direcção do Sporting não garante e garantirá jamais a consolidação de práticas vencedoras nestas modalidades, resumindo-se, tal como é pelos próprios admitido, na visão pequena de «sermos campeões em todas as modalidades em ano de eleições». Mau demais para ser verdade ...

Ainda assim, de forma puramente teórica, mesmo que o tal compromisso com a formação existisse (não existe) e se traduzisse nos mais variados escalões em acções, práticas e resultados de excelência, presumiremos que ter a melhor formação não é suficiente na luta que o Sporting trava com os seus adversários e rivais pelo sucesso nestas modalidades, algo que nos conduz ao segundo tópico: a relação de forças desproporcionada entre o futebol e os demais desportos onde o clube tem equipas a competir. Neste sentido, a acompanhar o vínculo com a formação, é indispensável que os orçamentos do Sporting salvaguardem os recursos necessários que permitam às mais variadas estruturas a constituição de equipas fortes capazes de disputar títulos, tornando-se intuitivamente claro, para mim, que o Sporting não deverá recuar nos actuais orçamentos para as modalidades. Em tudo o que extravase futebol não é errado termos os maiores orçamentos, errada é a forma como se veem aplicados, e é aqui que a desproporção para o futebol, mencionada ao início, se torna gritante. Em termos mais ou menos simplistas, em futebol e só para este, onde ao nível de jogadores e de treinadores existem tantos gatos e tantas lebres (e em muitos casos uns e outros custam sensivelmente o mesmo), tanto poderemos com inteligência e com boas opções discutir e vencer títulos com orçamentos de 50 milhões, como com orçamentos de 35 milhões, da mesma forma que tanto nos poderemos resumir à luta por 2ºs e 3ºs lugares (participação na LC) com orçamentos de 35 milhões, ou outros de 20 milhões. Nas modalidades esta dinâmica não se aplica, e aquilo que no futebol é na maioria do tempo desperdício e percebido como irrelevante e desculpável, ordens de grandeza como 1, 2, 3, 4 ou 5 milhões de euros têm no andebol, no hóquei, no futsal ou no atletismo um  impacto enorme.

Reforçando: não é errado termos os maiores orçamentos nas modalidades.

Reconfiguração visual do Estádio José Alvalade.
Arriscaria dizer que todos os sportinguistas desejam ver as cadeiras do seu estádio pintadas de verde e de branco, extinguindo-se a actual panóplia de cores que juntamente com os azulejos no exterior fazem o Estádio José Alvalade parecer uma peça gigante de lego. (Ao contrário de outros, confesso que não vejo a existência do fosso como uma questão ou um problema.)

Ainda assim, regista-se como aquilo que deveria ser uma não-questão de tão consensual que é, se torna facilmente numa arma de arremesso, fenómeno semelhante na construção do Pavilhão João Rocha onde tanto para uma, como para outra, não deveríamos olhar para estes temas pelo prisma de quem os propôs. Ao contrário do que muitos alucinados repetem e sugerem, não temos de agradecer a Bruno de Carvalho pela construção do Pavilhão João Rocha - não é ele quem o constrói nem é ele quem o paga, e a proposta da sua construção mais não é do que uma obrigação do Sporting consigo próprio. A necessária reconfiguração visual do Estádio José Alvalade e a necessária construção do Pavilhão João Rocha são, entre outras, obras do Sporting para o Sporting.

Notas: Zupo como pretexto para algumas considerações sobre as modalidades e a reconfiguração visual do Estádio José Alvalade

Posted on

Friday, 10 February 2017

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