Saturday, 18 February 2017

José Couceiro na «mouche» e uma nota muito pequena sobre as eleições

«O Vitória e o Sporting sempre se deram bem. Pena que alguns (Bruno de Carvalho) não conheçam a história e tenham atitudes que não deviam tomar. Estava preparado para que não jogassem. (Referência a André Geraldes e Ryan Gauld.) Na manhã antes do jogo, no treino, perguntei aos dois se alguém tinha falado com eles ou se se sentiam condições para jogar. Eles sabiam que até tinha preparado dois onzes diferentes. Só depois é que tive conhecimento do telefonema que tinha sido feito para não jogarem. Porque não me ligaram a mim? Nestes casos entendo que as relações e o bom senso deveriam prevalecer, até porque é uma estupidez existir uma regra na Liga e outra na Federação. Os grandes prejudicados foram os jogadores. O presidente do Vitória actuou no seu sentimento de razão. Mas é um conflito que não faz sentido, na minha opinião, e lamento que a questão se agudize sem conhecerem a história entre os clubes. Essa é que é a verdade» -- José Couceiro, declarações reproduzidas aqui.

Não tenho versado muito sobre o acto eleitoral de 4  de Março por essencialmente dois motivos: falta de vontade e uma notória falta de conteúdos sobre os quais valha a pena versar, por parte de ambos os candidatos.
Se nalguma coisa para muitos mas não todos (os sportinguistas) existe acordo, será no entendimento de que a gestão do Sporting nos últimos 30 anos resume-se no mínimo como problemática. O período 1988-2017 que compreende Jorge Gonçalves, José Sousa Cintra, Pedro Santana Lopes, José Roquette, António Dias da Cunha, Filipe Soares Franco, José E. Bettencourt, Luís Godinho Lopes e Bruno de Carvalho lê-se globalmente como nocivo. Dois nomes desta lista destacam-se positivamente: José Roquette e António Dias da Cunha. Já os restantes foram claramente insuficientes com um sexteto, mais do que insuficiente, pura e simplesmente mau: Jorge Gonçalves, Pedro Santana Lopes, Filipe Soares Franco, José E. Bettencourt, Luís G. Lopes e Bruno de Carvalho.

Os tempos mudam, o clube muda, mas as dificuldades mantêm-se.

A tendência por parte de quem nos dirige para a falta de acerto, para a falta de vocação nas áreas que se propõem dirigir, para a superficialidade, para a demagogia, para o aproveitamento e para a iniquidade parecem (quase) fazer parte da natureza do Sporting no último 1/3 do tempo que leva de vida. Como agravantes, habitamos um meio profundamente hipócrita, instrumentalizado e fazemos parte de uma sociedade altamente mediatizada. Por existirem muitos mais agentes e veículos de informação, existe incomparavelmente mais quantidade de informação, mas não existe mais conhecimento e não existe mais verdade quando esta, ao contrário da informação, chega a menos gente. Por arrasto, existe muito julgamento, em face da hipocrisia, mantido sempre sobre os outros. As más escolhas serão por isso inevitavelmente frequentes.

Os últimos 30 anos do Sporting evidenciam-no e esta responsabilidade recai sobre os seus sócios e adeptos.

O jogo não é só um jogo. É uma actividade. E a activiade resume-se de grosso modo em negócios invariavelmente nocivos. Desde há sensivelmente duas décadas e meia a esta parte o futebol transfere largas dezenas e centenas de milhões quando nem sempre foi assim. A diferença está no panorama que hoje movimenta verbas absolutamente pornográficas e no qual  os mesmíssimos 'crimes', a mesmíssima falta de acerto, têm / tem repercussões bem mais severas na vida dos clubes. Mas a incompetência, no Sporting, é  uma história muito antiga e transmite-se de uns para os outros. Não existam sobre isto grandes dúvidas. Deste modo Bruno de Carvalho não tem, nesta esfera, qualquer exclusivo, afirmando-se somente como uma personagem negativa entre mais. Ainda assim,  por qualquer motivo, existe quem considere que as soluções para os problemas do clube ver-se-ão miraculosamente atingidas com a sua saída, como se tal fosse suficiente, por si só, para validar uma alternativa.

Não tenho dúvidas que Pedro M. Rodrigues, a nível pessoal, dá 10-0 a Bruno de Carvalho em qualquer aspecto. É uma pessoa honesta, íntegra, não precisa do Sporting e gosta muito dele: tal honestidade oferece inquestionáveis garantias. Contudo, PMR terá, teria, de afirmar-se igualmente como um bom pretendente ao cargo de presidente de um clube desportivo, quando tal envolverá, envolveria, entre outras coisas, mostrar-se vocacionado para tomar decisões nas principais áreas a que o Sporting se dedica: desporto e futebol. PMR não o mostrou. Ao longo dos próximos 4 anos terá muito tempo para o fazer, assim a sua vontade de presidir aos destinos do clube seja genuína, e não se quede por um simples desejo de afastar a personagem negativa que actualmente dirige o Sporting.

0 comentários

Post a Comment