“A substância fundamental do progresso desportivo do Sporting é um fogo clubista que incessantemente se acende. É o suporte de vida do espírito leonino; é uma matéria viva ...”


No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas, bem como um depósito para comentários sobre diversos tópicos que vou deixando um pouco por toda a parte.
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O título remete para este «post», o último jogo em que não vi o futebol do SL Benfica a vencer, e à final da Taça dos Campeões jogada no Wembley, em Maio de 1968, entre o M. United (4) e o Benfica (1), jogo que para os «Diabos Vermelhos» significou a conquista do seu primeiro título Europeu de clubes.

Abusar de faltas desnecessárias (algumas violentas). Como actividade, o futebol tinha há 50 anos um encanto talvez superior ao actual. Algumas palavras (actualmente caras) como respeito, lealdade, ou reverência, faziam de forma regular parte do jogo e da vida dos clubes, tanto ao nível do público como dos jogadores e dos dirigentes. Era um futebol (chamá-lo-ei) de relações.
Todavia, no jogo jogado, tratava-se de um desporto duro e violento, no qual histórias como a de Morais que partiu a perna a Pelé no campeonato do mundo de 66, ou de Pelé que em tempos partira a perna de dois adversários (Procópio e Gieseman), ou histórias familiares como a de Eusébio e tantos outros que jogaram os últimos anos da suas carreiras profundamente debilitados, eram mais ou menos normais. Os jogadores não se limitavam a jogar lesionados. Mais do que isso, eram fisicamente massacrados muito para lá do suportável ou do aceitável. Recordo que este homem ímpar, Fernando Peyroteo, viu-se amputado de uma perna na sequência de uma lesão no tendão de Aquiles, por ocasião de um jogo de veteranos disputado aos 37 anos de idade, em Barcelona. Recordando-o, entristece-me que sobretudo em vida, ou mais de 30 anos passados sobre a sua morte, ninguém dentro do Sporting se tivesse ainda lembrado / se lembre de lhe erguer um monumento no estádio José Alvalade.

Desilude-me que o Sporting, ao contrário do que difunde, não seja um clube diferente. Desiludem-me os chavões.
Deixemos as coisas tristes e regressemos à violência. Assassino, «Nobby Stiles é um assassino», palavras de Otto Glória, treinador campeão pelo Sporting em 1965/66 e do Benfica goleado no Wembley em 1967/68, proferidas aos microfones da televisão aquando da taça Intercontinental disputada entre o clube de Manchester e o Estudiantes de La Plata, troféu ganho pelo clube Argentino com uma vitória por 1-0 em casa e um empate a 1 golo na cidade de Manchester. Naturalmente, palavras sobre o médio do Manchester que caíram mal junto de Matt Busby, às quais Otto Glória juntaria, «brutal, mal intencionado e mau desportista». Nobby Stiles fora um dos médios da selecção Inglesa que em 1966 derrotara a Argentina antes de sagrar-se (Inglaterra) campeã do mundo, jogo também esse marcado pela violência e hostilidade no qual Alf Ramsey, treinador Inglês, descreveria os jogadores Argentinos como «animais» ...
Neste aspecto, tal como se mencionou acima, o jogo é hoje muito diferente. Porém, nunca existiu talvez tanta transparência, genuíno apreço, desportivismo e inocência como naquele tempo, noção que engloba o jogo jogado no relvado, mas igualmente a forma como os principais agentes discursavam fora dele.

«É pena que na altura fosse permitida tanta violência no futebol»

Posted on

Wednesday, 1 February 2017

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