Saturday, 18 February 2017

Bruno de Carvalho insiste nas mentiras

«É falso que já estava feita (reestruturação financeira) quando esta direção chegou. Encontrámos documentos de três folhas focados na SAD e nos seus capitais. E estavam mal feitos: não resolviam nada. Apenas estávamos a adiar o problema até final da época, e com os novos resultados negativos previstos voltaríamos à situação de capitais próprios negativos. Só ficavam positivos durante três meses. O clube fechava as modalidades, à exceção do futsal; o pavilhão não se construía, a dívida da SAD à banca aumentava em 120 milhões. O montante era tão monstruoso e incontrolável que não tinha como se pagar. O Sporting iria falir ... a realidade era de tal modo trágica, que o diretor financeiro estava a negociar um PER com os bancos. Fizemos uma verdadeira reestruturação financeira que nos devolveu ao nosso nível»

Bruno de Carvalho em declarações no dia de ontem, aqui.

A reestruturação financeira a que Bruno de Carvalho faz referência remete para 2013 e ao plano que entretanto aprovado permitiu aos sportinguistas perceber, ao contrário do que o próprio Bruno de Carvalho repetiu durante muito tempo, que os principais credores e financiadores do clube não estavam / estão, evidentemente, interessados num cenário que veja o Sporting impossibilitado de prosseguir com a sua actividade, ou num cenário que o veja incapaz de cumprir as suas obrigações. De igual modo, não estavam / estão interessados em tomar nas suas mãos os destinos duma SAD de futebol.
O plano de reestruturação financeira que Bruno de Carvalho assinou pôs então termo à diabolização cujos alvos foram o BCP, o BES e tantos conselhos directivos que presidiram aos destinos do clube. O mesmo plano permitiu ao Sporting, pela centésima vez, ancorar-se na disponibilidade desses mesmos credores que lhe deram (Sporting) uma nova oportunidade para que com a renegociação e os novos meios disponibilizados (novos empréstimos), tratasse de resolver aquilo que verdadeiramente o penalizava / penaliza: uma gestão desportiva deficiente onde os equívocos se foram somando e sucedendo.

Para este efeito, duas notas.

1) Ao contrário do que Bruno de Carvalho afirmou ontem, era do domínio público que o anterior CD (Godinho Lopes) pedira ao então presidente da mesa da AG, Eduardo Barroso, numa altura em que se via discutida a entrada do requerimento para uma AGE que visava demiti-lo (CD), tempo para que a ultimada reestruturação financeira se visse proposta e aprovada. A dita reestruturação existia, viu-se formulada em conjunto com o BES, o BCP, foi apoiada pela KPMG, e fora arquitectada por Luís Godinho Lopes tendo-se visto, inclusivamente, em cima da mesa nas reuniões iniciais que Bruno de Carvalho manteve com os parceiros bancários aquando da sua chegada ao clube. É referido sobre essas reuniões que tendo sido pedidos à banca valores na ordem dos 90, 80 e 70 milhões de euros, os parceiros bancários não só impuseram a Bruno e Carvalho um limite de 45 milhões de euros, como o aconselharam a consultar o plano de reestruturação financeira elaborado por Godinho Lopes, plano esse que em muitas matérias não divergia naturalmente daquele que Bruno de Carvalho assinou.

2) Como parte do plano de reestruturação financeira, relembro que os direitos de superfície do estádio e o edifício multidesportivo de Alvalade viram-se hipotecados como oferta de garantia pelas responsabilidades assumidas junto dos bancos. Antes disso, aprovou-se a fusão por incorporação da Sporting Património e Marketing (SPM) na Sporting SAD, com a consequente extinção da primeira, projecto de fusão igualmente arquitectado pela anterior direcção do Sporting em 2012 e que se viu concluído pela actual.

Sobre semelhante projecto de fusão, afirmava Bruno de Carvalho em Março de 2012: «gestão hedionda», Bruno Carvalho está contra a fusão da Sporting SAD com a Sporting Património e Marketing, «o que está a acontecer é gravíssimo e é o culminar de uma gestão hedionda. É uma tentativa desesperada de tentar valorizar a SAD para um possível comprador», berrava então Bruno de Carvalho garantindo que quem lhe antecedeu não iria fazer os sportinguistas de parvos, apelando, inclusivamente, à Mesa da Assembleia Geral para que interrompesse o processo e cumprisse as suas funções: «Defender os estatutos do Sporting e defender os sócios».

O mesmíssimo plano de fusão que este pequenino mentiroso assinaria.

Regressando ao plano de reestruturação financeira e só a esse, mesmo que não se conheça o detalhe ou a progressão no tempo da sua elaboração, é muito fácil perceber que aquilo que Bruno de Carvalho afirmou não passa de mais uma da suas habituais mentiras, olhada a forma superficial e demagógica como mistura essa mesma mentira com outras relacionadas ao «fechar de todas as modalidades à excepção do futsal». Quanto mais descarada a mentira mais facilmente passa entre os pingos da chuva ...


Tal como se afirmou há umas semanas, é preciso ser-se muito tapado para se falhar no retrato deste indivíduo, personagem rasteira cujo único propósito é o de instrumentalizar os sportinguistas salvaguardando a posição de poder e a notoriedade que alcançou através do Sporting. Bruno de Carvalho só é isto.

1 comment:

  1. Um projecto de aldrabão. E de tão básico, nunca chega a um verdadeiro aldrabão.

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