Monday, 2 January 2017

Entrevista ao 'Record' e um mandato ainda em revista

Quem lê a mais recente entrevista de Bruno de Carvalho ao 'Record', interrogar-se-á por que razão o Sporting chega ao fim do seu mandato sem títulos de campeão Nacional em futebol, andebol, atletismo (masculino) e hóquei em patins. Pior, sem indícios que no futuro imediato, ou a médio prazo, possa lutar por estes mesmos títulos nestas ou noutras modalidades (que nem sequer pratica), como o basquetebol ou o voleibol. Quando Eduardo Barroso afirmou há uns dias, o que Bruno de Carvalho fez é genial e se estiver o mesmo tempo que Luís Filipe Vieira no Benfica terá mais títulos, além de parecer tolinho, exprimiu com exactidão o actual estado de espírito reinante no Sporting, onde a verdade se vê completamente arredada da narrativa do clube e a saúde do Sporting se confunde com a pujança ou mera sobrevivência de uma pessoa.
Hoje, tudo ou quase tudo está bem desde que o presidente do Sporting não veja colocado em causa o lugar de poder que alcançou, ficando à vista que o Sporting é secundário e o importante é garantir a sua reeleição.

Se deixarmos por momentos de lado os resultados desportivos que não alcançou, referiu Bruno de Carvalho na entrevista ao 'Record', aludindo aos últimos 4 anos, 139 milhões de euros em vendas e 57,5 milhões em compras, nºs que resumirão a auto-proclamada champions de gestão que caracterizará o seu mandato. Sendo certo que o Sporting jamais resolverá os seus problemas financeiros sem que resolva a gestão medíocre do seu futebol, gestão essa primeiramente relacionada com o aproveitamento desportivo e a valorização dos melhores jogadores / activos que vai tendo à sua disposição nos plantéis, os 4 anos de Bruno de Carvalho resumem-se no seguinte (dados do transfermarkt):

Fabián Rinaudo - 1.6 milhões € (Catania)
Stijn Schaars - 675 mil € (PSV Eindhoven)
Jeffrén Suárez - saída a custo zero
Tiago Ilori - zero aproveitamento desportivo, 7.5 milhões € (Liverpool)
Eric Dier - zero aproveitamento desportivo, 5 milhões € (Tottenham)
Bruma - zero aproveitamento desportivo, 10 milhões € (Galatasaray)
Vítor Silva - saída a custo zero (Reus)
Wilson Eduardo - saída a custo zero (SC Braga)
Fredy Montero - 5 milhões € (Tianjin Teda)
André Carrillo - saída a custo zero (SL Benfica)
André Martins - saída a custo zero (Olympiacos FC)
João Mário - 40 milhões € (FC Inter)
Islam Slimani - 30 milhões € (Leicester)

Desta lista de jogadores somente Slimani é sinónimo de extraordinário sucesso, olhado o desencontro entre o seu valor desportivo e o fabuloso montante pelo qual se viu transferido. Trata-se de 1 jogador, em 4 anos.

Com um plantel a anos-luz dos principais rivais e chegados a Janeiro arredados do título, dizia-se em Junho por alturas da folia dos 'Aurélios': “definimos a vinda de um segundo avançado e por isso contratámos o Alan Ruiz, que além da sua capacidade técnica também nos pode trazer algo nas bolas paradas. Spalvis é um jovem talentoso e que pode começar a ser trabalhado para ser uma solução interessante como ponta de lança mais fixo, mais goleador. Com Petrović temos uma solução que acaba por ser muito polivalente: pode ser médio-defensivo, um 8 e até jogar como central, algo que Jorge Jesus aprecia bastante. Dá-nos maior amplitude de soluções” -- Bruno de Carvalho

A Spalvis, Alan Ruiz e Petrović somaram-se Meli, Joel Campbell, André, Luc Castaignos, Bas Dost, Elias e Lazar Marković. Em 2015/16 vieram Michaël Ciani (esteve no Sporting 1 mês), Azbe Jug, Ewerton, João Pereira, Teófilo Gutiérrez, Ezequiel Schelotto, Marvin Zeegelaar, Sebastián Coates, Hernán Barcos e Bryan Ruiz. Recuando mais 1 ano e 1/2, a lista inclui Jonathan Silva, Simeon Slavchev, Paulo Oliveira, Oriol Rosell, Maurício, Naby Sarr, Junya Tanaka, Gerson Magrão, Ewerton, Shikabala e Iván Piris, entre muitos outros.

Desportivamente: 0 títulos de campeão nas principais modalidades que praticamos e não praticamos, excluído o futsal que felizmente se destaca há muito pela positiva. Financeiramente: 2 transferências de relevo olhados 3 ou 4 (entre os acima mencionados) extraordinários jogadores que herdou, e os mais de 50 que contratou para a equipa principal. Na qualidade de presidente / director desportivo do Sporting é esta a herança do mandato de Bruno de Carvalho.

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