Com a confirmação da recandidatura de Bruno de Carvalho para um novo mandato, anunciada no inevitável facebook num texto, mais um, ensopado de banalidades e de mentiras que por falta de paciência escusar-me-ei de enumerar, são agora 2 os concorrentes à presidência do clube. Na condição de candidatos, se Bruno de Carvalho já o conhecemos, Pedro Madeira Rodrigues permanece uma incógnita e assim se verá interpretado pela generalidade dos sócios e simpatizantes do Sporting, grupo no qual me incluo já que Pedro M. Rodrigues é para mim um perfeito desconhecido. Desta forma, não possuindo qualquer opinião sobre a sua pessoa e a sua candidatura (o tempo revelar-nos-á seguramente a natureza das suas propostas bem como a personalidade do proponente), considero bem-vindo o aparecimento de rostos novos capazes, espero, de relançar um debate ou uma dialéctica que por motivos já amplamente discutidos ameaça desaparecer no Sporting - em certa medida já desapareceu, à falta de condições para que se desenvolva com normalidade. Para este efeito, à semelhança de um fenómeno há muito consumado para os nossos principais rivais, tanto o presidente do Benfica como o presidente do FCP só sairão das lideranças dos seus clubes quando os próprios o desejarem. Espero que o Sporting nunca chegue a esse ponto.

Dito isso, creio que Bruno de Carvalho dificilmente perderá as próximas eleições. Assim é não porque esteja a desenvolver um bom trabalho (resultados, esses, garantidamente não os exibe), não porque se trate de uma pessoa inteligente, perspicaz, corajosa ou boa, mas porque o actual contexto do Sporting ainda favorece um registo apalermado, vaidoso e condescendente cujos méritos, aparentes, estão relacionados fundamentalmente com imagem. Mal comparados, Bruno de Carvalho mais não é do que uma versão soft-core de Pedro Santana Lopes ou de Paulo Portas, mas pior porque intelectualmente muito menos capacitado. Este contexto é importante porque 2017 será, para Pedro M. Rodrigues, um essencial ponto de partida no qual os resultados da eleição se revelarão pouco importantes: a sua oportunidade e a sua missão são neste momento dar-se a conhecer aos sócios e simpatizantes do Sporting, e só em eleições posteriores terá, creio, condições para efectivamente disputar a presidência do Sporting, assim preserve esse desejo.

Terá ao longo dos próximos meses, em todo o caso, uma tarefa dificílima pela frente. Ver-se-á alvo (já se vê) de manobras baixas e de campanhas sujas, pelo que a sua candidatura revela para já coragem. Tal como afirmei, espero que contribua para um debate necessário sobre o Sporting.

João Benedito. Mais do que certo, é inevitável que o ex capitão do Sporting venha a desempenhar cargos absolutamente decisivos na vida do clube, como seu líder máximo ou outros. A única incógnita é quando, incógnita à qual só o próprio poderá responder, tratando-se estas de decisões estritamente pessoais. Em face da natureza do cargo, para o qual não é necessária especialização nas áreas A, B, C ou D (um bom entendimento é suficiente), e um cargo no qual a capacidade para reconhecer talento e rodear-se das pessoas certas, e para o qual características como a inteligência, vocação e irrepreensível qualidade humana adquirem bastante mais importância relativamente a outras, não tenho a mais pequena dúvida que João Benedito reúne todas as condições para ter sucesso como presidente do Sporting. Numa medida grande, está destinado a tê-lo.

Três notas curtas sobre as eleições de Março - Buno de Carvalho, Pedro Madeira Rodrigues e João Benedito

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Friday, 30 December 2016

1 Comment
  1. Manuel, integralmente de acordo.

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