Saturday, 17 December 2016

O prazer de rever e relembrar Abel Ferreira, jogador e treinador

A recepção ao SC de Braga permitir-nos-á, amanhã, testemunhar o regresso de Abel Ferreira a Alvalade. Há duas formas de recordar Abel: lembrar o seu importante historial nas equipas do clube, e lembrar o há não muito tempo treinador dos Juniores e da equipa B do Sporting.

Como jogador, Abel foi a par de Miguel Garcia e de Rogério dos melhores laterais direitos que representaram o Sporting nos últimos 15 anos, e não só o foi como está associado a 4 dos últimos 6 títulos do futebol do clube: 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças, entre 2006 e 2008. Noutro sentido, também relacionado com o seu contributo como jogador, representa infelizmente uma das poucas excepções à incapacidade do Sporting em recrutar no mercado interno, sendo esta uma das principais razões para que exiba um registo mau no aproveitamento que faz dos jogadores que contrata. É mais difícil, por razões óbvias, recrutar lá fora do que cá dentro: não só a observação é mais assertiva nos jogos do nosso próprio campeonato, como os jogadores por norma não sofrem de dificuldades relacionadas com adaptação. Por último, e ainda como jogador, é importante lembrar que Abel (vindo do Penafiel) estabeleceu-se na I Divisão no momento da sua carreira em que se viu treinado por Jorge Jesus no Vitória de Guimarães. Quando o actual treinador do Sporting substituiu Augusto Inácio nos minhotos, Abel contava 4 escassas utilizações na sua equipa principal. Com Jesus, assumindo-se como uma das suas principais opções, afirmou-se como titular no resto da campanha vimaranense em 2003/04. Foi também em Guimarães que Abel se viu pela primeira vez (e única, julgo) chamado a representar as selecções Nacionais. Daí saiu para Braga e de Braga para o Sporting. No Sporting, à semelhança do que durante muito tempo aconteceu com Rui Jorge, nunca os treinadores precisaram de se preocupar com a posição de lateral-direito, embora (não sei porquê) Abel nunca tivesse reunido consenso entre os adeptos.

Abel o treinador. Muito mais do que o título de Juniores alcançado em 2011/12, na época em que sucedeu ao bom Ricardo Sá Pinto (títulos aqui não têm - salvo seja - grande significado), os méritos de Abel nas equipas de formação do Sporting foram especialmente notórios em 2013/14, quando pegou na equipa B. Aí, integrado num novo ciclo, Abel destacou-se (sem surpresa) pela positiva não perdendo de vista os fundamentos do seu trabalho: fazer crescer um grupo valioso de jogadores que seria uma extensão da equipa A comandada por Leonardo Jardim. Esse objectivo viu-se pela sua parte plenamente alcançado. Curiosamente, foi Abel com a sua equipa B que venceu a Taça de Honra da AFL em 2013/14 frente ao Benfica de Jorge Jesus. Sem que ninguém percebesse os porquês ver-se-ia no final da época destituído do seu cargo, fenómeno que nem surpreende vista a forma como os dirigentes do Sporting entendem hoje a formação do clube: depósitos para jovens jogadores contratados que na sua esmagadora maioria não têm lugar, espaço ou qualidade para representar o Sporting. É pena.

Embora o ex flaviense valente Jorge Simão já se tenha visto por esta altura oficializado nos minhotos, caso sejas tu a comandar o SC de Braga amanhã em Alvalade: sê novamente Abel, e de regresso, bem-vindo a casa.

0 comentários

Post a Comment