No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Em 1972, período que via uma nação vergada por quase 4 décadas de uma cruel e persistente ditadura, um corajoso fotógrafo captou o momento que eternizou a relação entre o regime Salazarista e uma das suas mais importantes instituições aliadas: o Benfica. Ao mesmo tempo que largas centenas de milhares de portugueses, em especial nas regiões do interior, sucumbiam à escassez de colheitas, à subsequente fome e à generalizada miséria que a violência e os caprichos de Salazar e do Benfica impunham, Marcelo Caetano, adivinhando a ruptura social que motivaria a queda do regime, promoveu políticas desesperadas e agressivas de importação de produtos estrangeiros cujo consumo procuraria distrair e anestesiar o espírito de um povo que ameaçava revoltar-se.
A postura de Eusébio é elucidativa: 'o centro sou eu, esta mesa e os melhores móveis são meus, temos os melhores bolos e as melhores pastelarias, as delícias mais caras de França e não me importo que vocês passem fome porque o Fado é português, o Benfica é uma nação e eu sou o Rei'. O padrinho (Salazar) jura.

Ao mesmo tempo, em contraste com as vestes cinzentas e modernas, os braços no ar, os "v" de vitória e a folia de Eusébio, reparemos na expressão cândida de Hilário que com roupa tipicamente portuguesa, verde-castanha, e um olhar cúmplice trocado com o fotógrafo, parece dizer-nos: 'não somos todos assim. Portugal voltará a ser uma nação livre e os portugueses podem, se quiserem, tornar-se num povo normal e decente'. O capitão do Sporting garante-o.
Na mesma fotografia, reparemos por último na gulosa de língua de fora, ao canto, que espera somente a ordem de Eusébio para devorar o banquete como se a comida na mesa não chegasse para todos. São estas as diferenças. E são estes os vestígios infelizmente reais do Estado Novo, dos torturadores da PIDE e do império expansionista e colonialista do Benfica que no próximo domingo importará mais uma vez derrotar.

O carácter puro e o verde-castanho de Hilário mostram-nos o caminho.

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Friday, 9 December 2016

2 Comments
  1. Este post só merece comentário de tão asqueroso e horrendo que é...
    Podias comentar futebol.
    Salazar era do Sporting. O clube do regime era o Sporting, diz o Miguel Sousa Tavares no Rio das Flores. E o Senhor Miguel é por acaso ferrenho do Porto.
    Respeitem o Benfica.

    E parabéns ao teu Sporting (pela vitória de hoje) que ultimamente tem jogado o campeonato ponto a ponto oh seu atrasado de merda!

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