Saturday, 10 December 2016

Never mind the darkness, we still can find a way.

As principais mudanças?
São bons treinadores mas têm métodos muito diferentes.
Como é trabalhar com Jesus?
Trabalhámos pela primeira no Sporting de Braga e apesar de nessa altura jogar como ala, disse-me que o meu habitat natural era no meio. Foi sempre admirador das minhas qualidades ofensivas mas tornei-me num jogador diferente - ganhei outras competências, e não só defensivamente. Eram sessões de treino muito exigentes e depois duma experiência no Atlético, quando me telefonou a dizer que me queria no Benfica, senti-me muito feliz. Percebi quando cheguei que a minha afirmação e titularidade só estava tapada por um jogador extraordinário como Enzo. Assim que Enzo saiu ganhei o meu lugar e Jesus deu-me todo o crédito e a confiança que precisava. É um treinador marcante. Treinávamos sempre com bola e os exercícios mudavam constantemente. Todos os dias aprendíamos coisas novas e nunca evoluí tanto como no seu tempo. Eram sessões sobretudo desafiantes. É impossível que numa equipa de Jesus não te sintas preparado para tudo o que a equipa adversária fizer, tal o conhecimento que tem do jogo. Rigor, posicionamentos trabalhados ao milímetro e respostas rápidas às situações de jogo são as palavras de ordem. Quem não cumprir não tem lugar e nos primeiros meses de trabalho se for preciso ficas lá até ser noite. Ele é muito paciente e independentemente do nosso valor acredita que qualquer um de nós pode ser ainda melhor. A dinâmica também é muito importante, especialmente com bola, e como frequentemente nos dizia, «são vocês que têm de ver onde a bola entra». Neste capítulo tive a sorte de treinar e jogar com Enzo e Matic. Aprendi muito.
Rui Vitória também é um treinador marcante. Quando chegou surpreendeu-nos porque introduziu algumas inovações. É um treinador mais moderno, em certo sentido. O trabalho de campo começa às 10:45 e termina às 12:00, porque a pontualidade é fundamental e ele gosta de estar em casa às 12:15. Para nós também é bom porque ele gosta que passemos o maior tempo possível com a família. Quando saímos do ginásio para a peladinha pergunta-nos sempre se está tudo bem connosco, com a família, se precisamos de alguma coisa, etc. É uma atmosfera com muita amizade. Igualmente importante é o foco que dá ao aperfeiçoamento táctico e de preparação para o adversário, mas ao passo que antigamente esse trabalho se fazia no campo, hoje temos uma sala de reuniões só para isso. Essa é uma regra de ouro e todos os dias evoluímos tacticamente, por norma 2 ou 3 horas, 2 vez por semana, e nesse tempo discutimos tudo. Ao mesmo tempo, ouvimos as palestras onde todos os dias aprendemos bastante sobre o Benfica. A nossa organização dentro de campo é muito forte e como dizemos muitas vezes, hoje no Benfica não há táctica sem mística.
Algum episódio marcante? 
Sim sem dúvida. Houve um episódio muito engraçado num dia quando saímos do ginásio para o campo e jogámos 16 contra 18 na peladinha, porque esqueci-me de vestir o colete, e durante mais de 1 hora ninguém se apercebeu de nada, tal a atmosfera de amizade. Só no fim quando começámos a treinar penalties eu confessei que a nossa equipa tinha mais 2 jogadores. Ganhámos 18 - 11 e eu fiz 7 golos. Rimos muito e às tantas fomos almoçar. Quando no dia seguinte regressámos treinámos os centros.

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