No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
O melhor do clube são as pessoas, mas não são quaisquer pessoas. Foram os nossos fundadores, atletas e treinadores. É a nossa história. O clube não és tu, não sou eu, nem «somos nós». São eles. As mensagens que publicarmos evidenciarão esse intuito, versando sobre a instituição, a sua notável história, acumulado de feitos presentes e passados, proeminentes homens que a serviram e ergueram, cumprimentando as suas memórias mas mais importante, preservando a sua autoridade, ainda que não vivam entre nós.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Existirão diferenças significativas entre a inesperada, inacreditável, mágica, repleta e encharcada de técnica, incrível coragem, criatividade [criatividade: a respeito de Pedro Barbosa expliquei um dia de que modo técnica se associa a estética; com João Vieira Pinto, com as suas ajuda e autorização (um abraço JVP, mais logo ou para a outra semana falamos) explicarei por que modos a técnica é indissociável de coragem e como estes dois ramos fazem parte duma árvore cujos simultâneos fruto e semente são a criatividade, porque João Vieira Pinto (deixemos agora a criatividade) foi um exemplo de coragem, não só nas questiúnculas com Paulinho Santos, Beto Acosta, mas sobretudo e muito mais importante do que isso, coragem na forma como jogou futebol.]. Recomecemos.

Existirão diferenças entre a inesperada, mágica, repleta e encharcada de técnica e incrivelmente corajosa cabeçada de João Vieira Pinto frente à Inglaterra, em 2000, no mítico Philips Stadium em Eindhoven, praça na qual inspirados por Rui Costa, Luís Figo e João Vieira Pinto alguns Portugueses enfrentaram e derrotaram 8 ou 9 gigantes muito inteligentes como Gary Neville, Tony Adams, Sol Campbell, Paul Scholes, David Beckam, Paul Ince, Steve McManaman e o lendário Alan Shearer ... existirão diferenças entre o gesto de JVP nesse segundo da história do mundo e o golo do portuense Clayton em Berlim? Ou do portuense Mário Jardel no majestoso Olímpico de Munique, em 1999? Ou as exibições de José Peseiro, Fidelis Rogério, João Moutinho, Fábio Rochemback, Pedro Barbosa, Carlos Martins, Ricardo Sá Pinto e Liedson em 2005, numa noite de alguma chuva na mágica, histórica Roterdão? Ainda, a futebolisticamente requintada mas também violenta exibição de força do FCP de José Mourinho que em 2003, nas antigas Antas, brindou e esmagou a hesitante Lázio de Roma, ou o K.O. que Deco e Derlei impuseram no Riazor dos portentosos de talento Javier Irureta, Aldo Duscher, Nourredine Naybet, Pandiani, Fran, Tristán mas sobretudo dos prodigiosos Juan Carlos Valerón e Djalminha. Se quiserem, por último, a noite em que Óscar Cardozo silenciou a Arena de Leverkusen e pôs o Benfica no mapa de rádio das telefonias Germânicas onde metódicas e eficientes telefonistas informavam aos gritos um povo visivelmente confuso e desorientado sobre a origem e o alcance do poder e da classe dum mestre Português nascido, criado e educado pelas melhores bibliotecas públicas mundiais, mestre de seu nome Jorge Jesus.
Existirão diferenças? É mais ou menos assim; é exactamente assim: é irrelevante ser português. É irrelevante ser português. Compreenda duma vez por todas Maria Alberta que é irrelevante ser português. Para existir orgulho tem de necessariamente exibir qualidade e exibindo qualidade, existindo orgulho, então aí sim, caso a origem seja portuguesa tornar-nos-emos nesse instante patriotas, porque nos veremos racional e sentimentalmente motivados para preservar o que tem qualidade e com o qual partilhamos origem, G. Orwell. É um processo mais ou menos simples mas inevitável para o qual não existem antídotos, independentemente do que 8 milhões de portugueses gritarem sobre C. Ronaldo quando a maioria deles vê futebol como quem vê uma corrida de carros, ou uma máquina de lavar roupa a girar. E também independentemente do que alguns Mários Albertos afirmam sobre não existirem sentimentos patrióticos em futebol.

Existem. Sinta-se Português e discípulo do futebol português com propriedade, mas só se tivermos razão para tal e façamos também um esforço pequeno para compreender essa razão, porque se não o fizer estará a desprestigiar o melhor que Portugal tem para oferecer. Sentir-se orgulhoso pela porca-miséria de 2016 é objectivamente desprestigiar o que João Vieira Pinto alcançou para Portugal na Holanda, em 2000.


De que forma se relaciona tudo isto com Arsène Wenger? Eu não sou portista. Nunca fui e nunca serei portista. Também não sou Lyonnista, Juninho Pernambucano. O que diferencia aquilo que o Olympique Lyonnais (para mim) alcançou ao longo de muitos anos em sucessivas campanhas Europeias, daquilo que o FC Porto também alcançou ao longo de 10 anos com início (para mim) em Bremen, Kostadinov e Sir Bobby Robson, são os sentimentos despoletados. O Lyon e Juninho, em virtude da sua qualidade, despertaram-me admiração. O FC Porto em virtude da sua qualidade e competência, despertou-me orgulho e algumas sensações patrióticas, por partilharmos as mesmas origens em referência a povos organizados por Nações. A diferença é essa.

Têm a palavra A. Wenger e o (agora obsoleto, em relação a processos) 4-3-3 do FC Porto de Jorge Costa, Capucho e Mário Jardel:

Onde o futebol desperta orgulho e onde o orgulho em associação à origem, despertam patriotismo. Fala Arsène Wenger.

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Friday, 9 September 2016

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