Thursday, 1 September 2016

Jorge Jesus, Lazar Marković e aquilo que o peso de um só empréstimo nos diz

Até hoje e desde há pelo menos 15 anos, as movimentações do Sporting nas pré-temporadas comprometem invariavelmente as suas aspirações desportivas, quadro que vai tendo como principais autores os seus principais dirigentes e até alguns treinadores, uma vez que no Sporting tivemos, temos, exemplos de treinadores a quem o Sporting delega competências que os transformam em managers. Pelo menos Paulo Bento e Jorge Jesus entrarão nesta categoria. Para este efeito - movimentações erráticas nas pré-temporadas - o intervalo 2013-2017 não diverge daqueles que o antecedem, ganhando relevo a fraca identificação dos alvos prioritários para renovações, a fraca gestão dos plantéis que terminam as épocas e a muito fraca capacidade de identificar talento nos jogadores que transfere, tanto nas entradas como nas saídas. Sobretudo nas primeiras por ser nessas que o Sporting exerce maior controlo. Nas saídas está exposto, como tantos outros, aos apetites de clubes de campeonatos mais poderosos.  

O Sporting basicamente contrata por contratar e contratando por contratar, acertará nalgumas ocasiões mas falhará redondamente na maioria delas. O que diferencia para muito melhor este período, sobretudo relativamente a outros recentes, é a capacidade que denota para escolher treinadores bons. No caso de Jorge Jesus: treinadores muito especiais. Estas importantíssimas escolhas disfarçam a incapacidade acima mencionada, uma que nos últimos anos resulta do entendimento que o seu principal decisor não tem, nunca terá, de futebol, prejudicado pela notória presunção onde se vê como um bom decisor na área, ilusão que contaminará ainda, presumo, outras áreas no clube estranhas ao futebol.


A vinda de Marković adquire contornos especialmente estrondosos porque nos aproximará objectivamente da conquista do título Nacional. Ainda objectivamente, Marković não é jogador do Sporting e representar-nos-á durante uma época por empréstimo. Ainda objectivamente: para que serviram todas as contratações de jogadores entre 15 de Maio e 30 de Agosto quando se presume que somente duas, Alan Ruiz e Douglas, interferirão na atribuição do título? Por que motivos contratámos 10 ou mais jogadores até 30 de Agosto quando, de grosso modo, somente no último dia apareceram efectivos reforços? Pelo peso de uma não-contratação, pelo factual peso que um só empréstimo adquire nas aspirações desportivas do Sporting em 2016/17, percebe-se facilmente que exceptuando Jorge Jesus não nos podemos em boa verdade agarrar a alguma coisa, a um nada que vá além da sua esfera de influência.

2 comments:

  1. E outra vez para que se perceba não existirem preconceitos: não gostaria nem desgostaria nem interfere na questão mas se o decisor fosse outro, o presidente do Sporting estaria numa medida a salvo de críticas. Mas é ele quem efectivamente toma as decisões, exercendo completo controlo sobre o futebol do clube. Não porque ele veja nisso uma tarefa, acrescentarei, mas por ver nisso um desígnio, elemento claro está que se subtrai da carga patológica que dá forma à sua defeituosa actuação no Sporting.

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  2. A carga patológica dá forma e interfere no conteúdo mas não o origina. O conteúdo das decisões resulta como disse da falta de entendimento e possivelmente da falta de inteligência do decisor. Falta de conteúdo do decisor que origina o conteúdo errado das decisões, se quiserem.

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