Thursday, 18 August 2016

... onde fatalmente deveriam levar vantagem os homens de melhor toque, de mais poder atlético e com mais alcance de «shoot».

Rezam as crónicas, pesado, escorregadio, enlameado com verdadeiras poças de água em alguns pontos, obrigando a um dispêndio notável de energia e impondo uma toada de bola recebida / bola jogável onde fatalmente deveriam levar vantagem os homens de melhor toque, de mais poder atlético e com mais alcance de «shoot» para abrir largo, rápido e tanto quanto possível a meia altura para evitar os enganos que o piso anormal frequentemente provocava. Da 'Sonata para 5 Violinos', a «mais fantástica linha avançada da história do futebol português», por Afonso de Melo, livro que me foi oferecido Pedro, aquando da deslocação a Manchester.

Quando o Sporting VS Benfica começou, o terreno estava uma desgraça ... foi necessário avivar à pressa as marcações, enquanto o público que enchia os camarotes, bancadas e «peão», se impacientava com a demora, suportando impávido a água que caía e que motivava uma tarja negra à volta do campo, tantos eram os guarda-chuvas abertos.

Senhoras, sete vitórias e apenas uma derrota davam ao leão uma vantagem tranquila à entrada para a jornada nº 9 do campeonato. Uma derrota afastaria praticamente o Benfica da corrida para o título.

Os «Cinco Violinos estiveram-se nas tintas para a chuva, frio, vento e terreno em estado lastimoso».

07 minutos: 1-0. Peyroteo fugiu pela direita, centra atrasado para Albano, este dá para Travassos que remata de pronto e com força.
16 minutos: 1-1. Passe longo de Moreira para Arsénio, cruzamento deste para Vitor Baptista que se antecipa a Canário e faz o empate.
28 minutos: 2-1. «Corner» de Jesus Correia para o centro da grande área, carga de Peyroteo sobre Félix, provavelmente faltosa, e a bola a sobrar para Travassos que volta a bater Martins.
34 minutos: 3-1. «Corner» contra o Sporting, Barrosa ganha a bola e coloca-a à medida do «sprint» de Jesus Correia que corre sozinho mais de 50 metros e serve Peyroteo para um golo simples.
59 minutos: 4-1. Remate de longe de Albano, a bola bate em Moreira e trai o guarda-redes Martins.
80 minutos: 5-1. Movimento de contra-ataque perfeito de 3/4 toques a deixar Travassos isolado frente a Martins. Travassos consegue rodear o guarda-redes encarnado e fazer golo.
83 minutos: 6-1. Remate de longe de Vasques perante a oposição em choque de Jacinto.

Já nada poderá afastar os «Cinco Violinos» do título de campeões Nacionais, o seu segundo (título) da época. E, no entanto, só haviam jogado juntos por 7 vezes. Daí até à 26ª jornada também só jogariam juntos mais 7 vezes. Num total de 26 jogos o Sporting fez 123 golos (casa e fora), numa média de 4.73 golos por jogo. Mais ninguém seria capaz de tal proeza: o recorde dura até hoje e durará provavelmente para sempre.

O Sporting passeava-se.

1 comment:

  1. "Mais ninguém seria capaz de tal proeza: o recorde dura até hoje e durará provavelmente para sempre."

    Quando há 28 anos iniciei a carreira de treinador e condutor de homens liderando-os em lutas brutais de manutenção, por subidas e descidas de divisão, e mais tarde quando na República Popular da China contribui para a inovação do futebol num território abundante mas onde se jogava ainda em 3-6-1, perguntei-me: a totalidade Henrique? O que é a totalidade? É mais ou menos do que infinito? A totalidade ...

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