Sunday, 21 August 2016

José Couceiro e Rui Vitória

O empate acaba por ser irrelevante. Antes do resultado sobressai  a postura da equipa de Setúbal, uma que mostrou na 1ª parte ao Benfica, com argumentos bem diferentes ao nível de jogadores dum lado e do outro, que o estádio da Luz veria duas equipas a tentar jogar futebol. José Couceiro e Rui Vitória são dois treinadores competentes: os seus percursos e histórico de resultados falam por si e nessa medida, serão até parecidos já que pelas suas exclusivas influências se é verdade que dificilmente veremos as suas equipas brilhar, é igualmente verdade que em condições normais nunca as veremos sofrer em demasia. Isto tanto vale para uma equipa de J. Couceiro que no campeonato português vá jogar à Luz, como para um Guimarães de R. Vitória que jogue em Alvalade ou no Dragão. Esta é pelo menos a percepção dum adepto como eu, uma que poderá estar completamente errada. Mas reunidas as circunstâncias certas a competência de R. Vitória poderá levá-lo, como levou no ano passado e há 3 anos no Jamor, à conquista de títulos. Da mesma forma que reunidas as circunstâncias certas, J. Couceiro poderá pegar numa equipa como o Vitória e qualificá-la para uma competição Europeia. Poderá até fazer melhor do que isso e já o fez há não muito tempo num trabalho que se traduziu num convite para ingressar no FC Porto.

Sem querer parecer negativo, não será talvez muito honesto afirmar que tanto R. Vitória como J. Couceiro serão treinadores mais do que competentes. E isto não é um defeito. Pelo contrário: se o trabalho dum treinador já está de tal modo exposto (no jogo) a tanto que deles não depende, mesmo que consideremos unicamente aquilo que controlam e eu não faço a mais pequena ideia do que é, a função é de tal modo exigente e requer tanta qualidade para o seu exercício que ser-se nela competente já é muito bom, competência que como disse nunca deixará uma equipa afundar-se ou mostrar-se sequer à deriva.

Daí, José Couceiro, Rui Vitória, treinadores competentes, mas com uma diferença: tal como em 2010/11 quando J. Couceiro pegou num Sporting de Paulo Sérgio completamente destroçado e no 1º jogo teve logo pela frente o Benfica de Jorge Jesus no estádio da Luz, o Sporting, tal como o Vitória fez hoje, entrou no jogo para jogá-lo. E jogou-o. Isto poderá parecer um bocadinho parvo já que nessa altura J. Couceiro não teve mais do que 3 ou 4 dias de trabalho. Nessa medida, é difícil perceber que influência terá tido na prestação do Sporting. Mas a verdade é que o Sporting naquela tarde, na Luz, ao contrário do que fez durante meses com Paulo Sérgio, disse presente e jogou futebol. Fê-lo nesse momento ou começou a fazê-lo a partir daí  por justamente mostrar-se organizado, caso contrário o mero desejo de jogar bem não chegaria.

Nessa época o Sporting de J. Couceiro até acabaria por reclamar o 3º lugar com uma vitória, salvo erro, na última jornada em Braga.

Serve isto para dizer que a "mera" competência em futebol pode valer muito. Mas serve também para dizer que entre treinadores competentes, serão alvo dos maiores elogios aqueles que mostrarem querer jogar futebol. De certeza absoluta, uma que evidentemente não possuo mas ainda assim afirmarei, de certeza absoluta que o Setúbal de J. Couceiro jamais entrará em Alvalade com a postura que o Benfica de R. Vitória adoptou na última temporada também em Alvalade. Jorge Jesus disse então que o Benfica foi uma equipa pequena e ganhou com sorte. Esteve coberto de razão o treinador do Sporting. Está também coberto de razão o treinador do Setúbal quando diz, hoje, que a sua equipa jogou para sair da Luz com um bom resultado.

Com o jogo terminado e olhando a floresta, 2 pontos valem o que valem e o Benfica permanece, na minha opinião, o principal candidato ao título.
Desejos de muita sorte ao bom, honesto e digno José Couceiro, extensíveis ao histórico Vitória, clube cultivado por um passado brilhante e por uma massa adepta que independentemente das dificuldades, exige das suas equipas bom futebol.

5 comments:

  1. Só para reforçar: estou capacitado para emitir uma opinião mas não me sinto legitimado para emitir juízos sobre competências. O problema é que não me ocorrerá termo melhor. Rui Vitória poderá até ser um dos melhores e mais brilhantes treinadores portugueses na actualidade. Não faço ideia se o é ou não. Mas alguma influência há-de ter na forma como as suas equipas jogam e o Vitória de Guimarães tendo ido há 3 anos ao Jamor - maravilha - foi incapaz de dar 3 toques seguidos na bola.

    "A verdade é que se não fossem 2 erros do guarda-redes, em 2 minutos, o jogo manter-se-ia naquela toada e o Benfica venceria naturalmente. O Vitória é uma equipa medonha (medonha de má, não de perigosa)".

    Isto foi escrito na altura e trata-se de linguagem imprópria mas como o Rui Vitória dificilmente lerá as coisas que eu ou o Henrique Calisto escrevemos, não há crise. Foi o que se passou no Jamor, todavia. E reafirmo a verdade da resumida análise de Jesus: o Benfica em Alvalade foi uma equipa muito pequena, algo não é anulado pela vitória que obteve. Tal como hoje o Setúbal poderia ter sofrido 2 ou 3 porque o Benfica tem jogadores muito bons, algo que não anula os méritos do Setúbal em especial na 1ª parte.

    Mas só para o caso do R. Vitória passar os olhos por isto: gosto muito de ti. Simpático, frontal, descomplicado, trato fácil. Muita qualidade humana mas é preciso querer jogar futebol porque senão vamos jogar outra coisa qualquer, é nessa perspectiva que verso.

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    1. Companheiro,

      O Rui Vitória há muito que superou as minhas melhores expectativas. Tenho 50 anos disto e esse Vitória de Guimarães jogava feinho é verdade mas vamos lá ver uma coisa: ganhou ou não ganhou? Levou a taça para casa ou não levou? Quem é que subiu ao pódio? O Rui tem estrelinha de campeão, uma que o acompanha nas horas mais negras. Ele merece a sorte que tem!

      Henrique

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    2. É mesmo isso Henrique.

      E já agora, «Sei que o Vitória (de Setúbal) tem torcedores muito dedicados e que gostam de bom futebol», Thiago Santana, ex-Náutico, fã de Hulk. Porque diz Thiago isto? Porque antes de assinar foi-lhe transmitido por alguém do Vitória. Mas noutra ocasião foi Octávio Machado quem desenvolveu a noção sobre a forma como o público de Setúbal se relaciona com a sua equipa. Se não há bom futebol os treinadores têm por lá vida mto complicada.

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  2. Jogar bem chama-se anti jogo. É, bom Vitória.

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    1. Não vi qualquer anti-jogo do Vitória. Mas também só vi a primeira parte do jogo. O Vitória marcou aos 70 e tal minutos não foi? É normal que depois disso tivesse havido mta lenga-lenga, caso tenha existido. Mas também já percebi pelas reacções que o penalty a favor do Benfica foi inventado, por isso ...

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