No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Recordamos com gosto alguns heróis que a 14 de Maio na Maia deram expressão a uma época a todos os títulos notável. O Sporting em 1999 não era o melhor, mas foi o melhor, e como tantas vezes sucede, terminou em glória uma temporada marcada por pequenos momentos, abençoada pelo destino que premeia os corajosos, os que frequentemente correm por trás, os que não são favoritos mas transformando fraquezas em virtudes alcançam com singular brilhantismo as honras a que se propõem. Há uns dias, em respeito ao «mestre André», mencionámos alguns dos episódios que marcaram esta época.

No final sobrou o triunfo e na memória ficaram os vestígios do sucesso, mas recuando 13 anos lembramos uma película onde nem tudo foram rosas, onde em diversos momentos a equipa que se sagrou campeã Nacional ameaçou fraquejar ao peso da herança dum jejum que durou quase 20 anos. Na ocasião, mencionei o empate em casa frente a Alverca, divisão de pontos que poderia facilmente ter-se transformado em derrota no último lance da partida. Guardo ainda a imagem no momento em que descia as escadas de ver 2 jogadores do Alverca, isolados, falhar aquele que seria o 2-1 para a equipa de José Romão.

No entanto, enganei-me, não fora essa jornada que primeiramente tinha em mente. Peter Schmeichel (technique and approach) jogou e tal como frente aos Ribatejanos, o Sporting empatou em Alvalade uma partida que poderia tê-lo visto derrotado. O adversário vinha de Barcelos e Paulo Lopes, guarda-redes do Gil, já na 2ª parte, numa altura em que a sua equipa vencia por 1-0, além de ter transformado um lance perfeitamente normal em penalty para o Sporting, conseguiu ver-se expulso deixando a sua equipa reduzida a 10 elementos. Pelo Gil jogavam Ricardo Nascimento, Fangueiro, Carlitos e Petit. Beto Acosta, como era seu timbre, não falhou da marca de grande penalidade e o Sporting empatou num dos piores jogos da época, numa jornada onde o FC Porto tinha perdido em Campo Maior frente ao Sporting local. Poderíamos ter alcançado a liderança isolada da prova. Fruto do empate, permanecemos em 2º. Foi uma época de muito sofrimento.

Claro, todos recordam o livre de Sabry que na penúltima jornada, em Alvalade, frente ao Benfica, deu a vitória aos visitantes. Foi numa noite de muita chuva, diante dum acessível adversário comandado por Jupp Heynckes, onde alinhavam os grandes Karel Poborsky e João Vieira Pinto. Equipa onde alinhava também o malogrado Robert Enke. Era o 'jogo do título' e da respectiva consagração, mas o destino tinha outros planos. Em boa verdade, o Benfica nessa época dera um precioso contributo ao Sporting, derrotando o FCP na Luz por 1-0. Na ocasião dilatámos a vantagem no topo da classificação de 1 para 4 pontos, vantagem que se provaria determinante. Foi uma época atípica, marcada pelos 7-0 de Vigo e primeira de duas não-qualificações do Benfica para as competições Europeias de futebol.

Já pouco atípico esteve Mário Jardel, avançado que igual a si próprio bombardeou o campeonato Português com 37 golos.


Vitórias e Derrotas, bom e mau.
Tudo é património.

Quando há 1 ano mencionámos os campeões de 1999/00, recordámos João Vieira Pinto. Recordámos outro 14 de Maio, não o de 2000 mas 6 anos antes, 1994.

Hoje faremos a mesma coisa, quando os títulos 'melhores de sempre' não resultam de exagerados ecos associados às condições de emblemáticos jogadores que o clube colecciona na sua memória. João Vieira Pinto foi sem dúvida um deles, e por isso lembramos os 3-6. Dos melhores futebolistas a passar pelo gigante Sporting Clube de Portugal. Foi uma alegria que tocou a outros, época marcada pela noite em que o internacional Português afundou a armada do Sporting em Alvalade, vitória marcada por um nome, tal como 8 anos depois, 2001/02, teríamos uma época marcada por outro nome, Mário Jardel, em título festejado com João Vieira Pinto no Sporting.

Mas 1999/00 foi diferente.

Se tivesse de sumarizar 1999/00 numa linha, diria que foi a época do triunfo de uma equipa, um grupo, um clube, uma nação que em estado puro, no último dia, exteriorizou o que guardou na alma ao longo de 18 anos. Foi uma vitória de todos, plural onde não se destacou um singular nome. Alberto Acosta foi tão importante quanto Delfim, André Cruz, Peter Schmeichel, Pedro Barbosa, Beto, Rui Jorge, Aldo Duscher, ou outros. Foram todos fundamentais, fomos todos Sporting, provámos que vencer estava ao nosso alcance, como sempre esteve, como hoje está, e que as vitórias, no Sporting, conquistam-se em união.

Nessa medida, relativamente aos últimos anos onde alguns parecem apostados em pertencer à instituição só nos dias em que vence, éramos todos Sporting. Já as derrotas, parecem exclusivo de outros ...

[MM, May 14, 2013]

Foram todos fundamentais, fomos todos Sporting.

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Saturday, 20 August 2016

5 Comments
  1. Foi a vitória de um grupo humilde, que foi ganhando confiança e que soube manter a cabeça fria nos momentos de frustração. Se fosse hoje, com a maledicência das redes sociais, a especulação dos blogues, todo o ambiente mediático que é muito mais hostil ao Sporting, seria muito mais difícil ganhar o campeonato. Foi uma guerra de nervos autentica, mas quando me lembro do que senti, posso dizer que depois da vitória sobre o Porto em Alvalade acreditei sempre que o Sporting venceria o campeonato. Os jogadores acreditaram também e isso foi fundamental. O clube todo estava unido em torno desse objectivo e apesar de uma outra precipitação, ninguém quis ser uma distração perante o desígnio que todos tínhamos de acabar com o jejum.

    Em 2002 o Sporting não deu hipóteses. Podia ter ganho o campeonato com três ou quatro jornadas de avanço, não fosse a inexplicável tremideira final. Já em 2005, ano em que esteve ao nosso alcance vencer o campeonato, larvava uma guerra de bastidores no Sporting, o ambiente era péssimo, embirrava-se com o Peseiro por tudo e por nada e depois tudo acabou como se sabe. Nessa altura já éramos um clube partido, o que também contribuiu para o descalabro de perder tudo numa semana.

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  2. "Cabeça fria" que também foi precisa no último jogo. Nada foi fácil e então no último terço do campeonato era quase tudo arrancado a ferros. A vitória no Bessa foi fundamental, golo magnífico de Pedro Barbosa no 1º minuto de jogo, de pé esquerdo, golo apenas "estragado" por um campo mais feio que sei lá o quê.

    O que referes sobre as redes sociais e blogues é verdade, e era nesses que pensava. Relendo o «post», Jupp Heynckes não ficou fora da Europa em 99/00, mas 2000/01, 2º ano do Alemão na Luz. Depois já com outros em 2001/02.

    Qual é o teu prognóstico para amanhã?

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  3. Vitória no Bessa ao fim de vinte e tal anos sem lá ganhar! O nosso calendário era mais difícil do que o do Porto, por isso os nossos rivais apostavam que o Sporting acabaria por ceder. Foi sempre na luta, quase sempre a ganhar 1-0 ou 2-1, porque o plantel não dava para mais. Se o Acosta se aleijasse estávamos perdidos. Felizmente tivemos muito poucas lesões nessa época, pois o nosso banco era muito limitado. Até nisso a época foi atípica.

    Prognóstico: 3-1 para o Chelsea.

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  4. Manuel

    Não há qualquer comparação entre as duas equipas

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  5. Quais, Chelsea e Benfica?

    Lionheart, o nosso banco eram basicamente 3 ou 4 que alternavam a titularidade. Mais vezes no banco que no relvado: Ayew, Tonito, Edmilson (mais ou menos, perdeu muito espaço com a chegada de Mpenza em Janeiro). Por exemplo se o Rui Jorge tivesse tido algum problema, não haveria lateral-esquerdo à altura. A partir do momento em que trepámos na tabela e nos assumimos como reais candidatos, mesma coisa no eixo, para Beto e André Cruz. Também desejo a vitória do Chelsea, embora há pouco ao ver Jorge Jesus na CI voltei a lembrar o quanto gosto dele. Assentar-lhe-ia muito bem a vitória na Liga Europa.

    Já ao Chelsea, pouca coisa assenta bem.

    Haja Luz, no funcionamento das equipas, o Benfica é superior ao Chelsea. Mas não é favorito, jogando na Premiership o Chelsea está familiarizado com níveis de exigência que as equipas Portuguesas só de vez em quando experimentam, ao mesmo tempo que tem 4 ou 5 jogadores de qualidade muito superior ao Benfica.
    O "azar" do Benfica é também o de que o jogo do Chelsea subiu muito nos últimos 6 meses com Benitez. Nada a ver com Di Matteo, Benitez é um treinador a sério.

    O meu prognóstico é um jogo feio. O Benfica aparece com os níveis anímicos ainda em alta, à semelhança do que exibiu ao longo da época toda. Durante os 90 minutos nenhum daqueles jogadores se lembrará do que aconteceu no Porto. Somente no último jogo do campeonato com Moreirense subirão ao relvado ansiosos. Pela 3ª vez nos últimos meses, as outras 2 foram na Turquia e na Madeira. Já no Porto, nesse aspecto, os jogadores do Benfica tiveram uma postura e mentalidade impecáveis. Sólidos a todos os níveis.

    Benitez sabe que não precisa de jogar bem para vencer. E o Benfica tentará vencer aos pontos. À inexistência de um golo cedo, adivinho um jogo feio.

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