No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
O melhor do clube são as pessoas, mas não são quaisquer pessoas. Foram os nossos fundadores, atletas e treinadores. É a nossa história. O clube não és tu, não sou eu, nem «somos nós». São eles. As mensagens que publicarmos evidenciarão esse intuito, versando sobre a instituição, a sua notável história, acumulado de feitos presentes e passados, proeminentes homens que a serviram e ergueram, cumprimentando as suas memórias mas mais importante, preservando a sua autoridade, ainda que não vivam entre nós.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Entre os principais responsáveis para que Emil Kostadinov, ao contrário de Fernando Aloísio, não integre a muito selecta e factual lista dos 14 melhores futebolistas de todos os tempos, estão João Vieira Pinto, Roberto Baggio ou Gianluca Vialli.
No entanto, numa lista onde coubessem mais nomes, o Búlgaro faria muito naturalmente dela parte.
Recordo os jogos (ambos), e foi Manuel Fernandes quem no avião de regresso a Lisboa confidenciou a Bobby Robson que o destino dos 2 estava traçado com a derrota. Não se enganou. Sobre o jogo com o SLB (Ivic?), recordo vê-lo na RTP1 e o comentador insinuar que os dois treinadores haviam chegado até ali fragilizados, quando ainda estávamos no início do campeonato o que diz muito sobre como agiam os clubes portugueses naquele tempo, à excepção do FCP que era uma casa estável (o Sporting levava tudo a um extremo, aos 2 ou 3 treinadores por temporada), e aquele que perdesse o derby não passaria provavelmente de Dezembro. Jogo de muito nevoeiro com um golo memorável do Balakov no 1º ou 2º minuto da partida que pela televisão mal se viu, dados os fumos das bancadas que cobriam o relvado. O 2-0 apareceu na 2ª parte, de cabeça, não recordo autoria (Juskowiak?, é possível que não).
Citação muito interessante de Nat Lofthouse, outros tempos ... quando os grupos eram compostos por amigos. Hoje são todos amigos mas ao mesmo tempo não são: com plantéis em constante renovação raros são os que preservam um núcleo de jogadores ligado ao mesmo clube durante 5 ou 6 anos, condição indispensável para que a amizade se apodere deles. Pedro, o Robson conseguiu classificações de topo com o Ipswich e venceu taças e competições Europeias com esse clube quando contratou 13 atletas em 4 ou 5 anos. 13.
Sobre defesas centrais: só uma coisa curta, Stan Valckx, impossível de esquecer e uma memória que retrata os níveis algo insuficientes a que o futebol (Sporting ou qualquer outro) chegou / chegaram. Valckx, Jorge Costa, Mozer, centrais muito duros mas que reuniam características que fizeram deles baluartes das suas equipas. Não tenho por exemplo nada contra Oguchi Onyewu ou o central Holandês que assinou pelo Sporting e nem o conheço, mas quando vejo muitos sugerirem tratar-se de grandes centrais dá vontade de rir quando há não muito tempo o clube teve Naybet, Valckx ou Beto (outro central duro que sabia jogar), nomes que mais ou menos se inserem nesta linha.


 A acompanhar a qualidade enquanto futebolista, a peculiar forma como se exibia no relvado: a imagem das meias sempre recolhidas jogando muitas vezes sem caneleiras (seria?, ou a representação que faço dele atroiçoa-me?) é algo que não se esquece.


São ídolos.

Sobre Kostadinov: a mítica conferência de imprensa na Luz, após a derrota do Porto por 2-0 em 93/94 ... onde Robson falou Português, e explicou porque deixou Aloísio em campo sozinho com a 2ª parte toda para jogar depois da expulsão de Couto, tendo Jorge Costa no banco. "Fernando Couto 0 - 2 Mozer", disse, "Queríamos tirar qualquer coisa do jogo, compreende?". Recordo ver o jogo e pensar que Kostadinov conseguia sozinho limpar o Benfica. Adorava o Búlgaro, lembrando o dia em que o FCP destruiu na Taça dos Campeões o Bremen na Alemanha por 5-0, noite de glória para Bobby Robson e uma equipa que transpirava classe com Kostadinov, Drulovic, o fabuloso Domingos, o grande Timofte, Aloísio, Couto, Jorge Costa e Rui Filipe. Perderam na meia-final com o todo-poderoso Dream Team de Laudrup, Hristo Stoichkov e Cruijff, na edição onde claro, o sonho ruiu para os Catalães na final de Atenas em que foram demolidos pela classe de Savicevic e restante AC Milan de Capello. Outros tempos do futebol português em que os grandes eram de facto grandes, com equipas tremendas compostas por 6 e 7 jogadores Portugueses. O jogador Português perdeu qualidade desde então? Não, estarão até porventura melhores mas os dirigentes é que não têm categoria nenhuma. Um bom treinador em 2003/04 com uma equipa consistentemente Portuguesa venceu a LC para um clube de Portugal, e em 2004/05 uma outra equipa Portuguesa bem orientada com um miolo com Moutinho, Carlos Martins, Pedro Barbosa e Hugo Viana espalhou classe pela Europa. Mas voltando a 1993/94, a memória mais vívida que tenho fora do universo Sporting evidentemente foi o 3-3 na Luz, que ambiente na ÚLTIMA época dum SLB verdadeiramente grande. Recordo sentir-me triste porque o jogo não deu na televisão e recordo o resumo alargado de tarde na RTP, e depois novamente à noite no Domingo Desportivo. Até os árbitros, 2 ou 3, num meio podre tinham outra classe. Quando penso neste 3-3 vejo imagens mentais do (para mim) melhor que vi, Veiga Trigo, gostava muito dele, quando nem sei se foi o árbitro desse jogo.

Tempos muito especiais do futebol português que desde então não mais se viram imitados. Perguntarei ainda se era mais barato, naquela altura, para o bolso português ver jogos no estádio? Se sim não falaremos de uma diferença certamente grande mas os estádios enchiam. A paixão era muito mais verdadeira, os clubes de topo tinham equipas Portuguesas abrilhantadas por 3 ou 4 jogadores estrangeiros que não eram necessariamente caros, coisas que faziam sentido e onde os adeptos se reviam.





Tinha tudo muito mais encanto (link).

Eu também adorei, adoro o Kostadinov. (Sozinho limpava o Benfica.)

Posted on

Friday, 19 August 2016

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