Sunday, 2 February 2014

A estrela Cade(n)te e o coitadinhismo



Há uma frase do escritor João de Melo em que ele se define assim:
Amo a vida, as pessoas, os livros, a música, a noite e as manhãs ... O FUTEBOL (Lisboa, Janeiro de 1990)

Assino por baixo a frase de João, no meu caso, mais manhãs, menos noites, muito futebol (futebol de mais, diria alguém).
Gosto muito, muito, de futebol, mas gosto mais, muito mais, de desporto e adoro, amo, "enche-me", um clube que representa, é tudo, futebol e desporto, "sporting" algo que em português poderíamos traduzir por "desportivando" (praticando desporto na desportiva) ou desportivamente.

Falemos então de Cadete, Cadete e eu.

Nascemos no mesmo ano, 1968, eu em Abril, ele em Agosto, separam-nos quatro meses, quatro centímetros e quatro alqueires de talento.
Poderia falar DISTO um torneio de futebol de 7, Jorge Paulo jogaria numa daquelas equipas de Santarém? ... não sei, o Zé Pedro de Santa Margarida jogava e marcou um golo na final que foi dos maiores/melhores da minha vida, dois toques (como o futebol pode ser simples) um pontapé do Miguel (o nosso guarda-redes) para a zona do meio campo, um olhar do avançado (eu) meio na bola, meio no posicionamento do guarda-redes da outra equipa e um golo, um cabeceamento pouco à frente da linha de meio campo, uma bola em arco a aconchegar-se na rede, golo. Golo.

Jorge Cadete foi (na altura) e é (agora) tudo aquilo que eu queria ter tido, tudo aquilo que eu queria ter sido.

Temos a mesma idade, repito.

Eu tenho um fato (vários fatos) e uma gravata (várias gravatas) mas trocava todos os fatos e todas as gravatas por aqueles momentos de riscas horizontais verdes/brancas, pela braçadeira amarela que dizia: capitão.
Jorge, um ex-capitão do Sporting Club de Portugal não pode, não deve, vir choramingar para a televisão, ninguém te tira os golos que marcaste, a alegria que provocaste, as letras que inspiraste e o orgulho de teres tido, de teres sido, tudo aquilo que qualquer miúdo sportinguista nascido em 1968 (ou noutro ano qualquer) sonhava.

Volto a ser o menino que marcou aquele golo de cabeça no pelado de Santarém e penso  (e sonho) que quando tiver 45 anos gostaria de olhar para trás e falar da minha carreira de futebolista, de capitão do Sporting e de jogador da selecção nacional ... volto à realidade, aos meus 45 anos e penso (não sonho) naqueles que não souberam aproveitar as oportunidades que a vida lhes deu.

COITADINHAR é sempre mais fácil.

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