No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
O melhor do clube são as pessoas, mas não são quaisquer pessoas. Foram os nossos fundadores, atletas e treinadores. É a nossa história. O clube não és tu, não sou eu, nem «somos nós». São eles. As mensagens que publicarmos evidenciarão esse intuito, versando sobre a instituição, a sua notável história, acumulado de feitos presentes e passados, proeminentes homens que a serviram e ergueram, cumprimentando as suas memórias mas mais importante, preservando a sua autoridade, ainda que não vivam entre nós.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Contrariamente ao que a 1ª imagem mostra, a efeméride não assinala um recorde Nacional. A 26 de Junho de 1982 Carlos Lopes pulverizou não um recorde Nacional mas o recorde Europeu dos 10.000 metros. Foi na capital Norueguesa, «Bislett Games», ou «Meeting de Oslo», «Meeting de Bislett», com o tempo de 27:24:39. Dois anos mais tarde, em 1984, Fernando Mamede nos mundiais de Estocolmo registaria nos mesmos 10.000 metros o recorde mundial, com o tempo de 27:13:81. Nesta corrida Mamede ver-se-ia perseguido até à linha da meta por Carlos Lopes (ficou em 2º), com os dois atletas do Sporting a terminarem abaixo do anterior recorde mundial.

Na corrida de 1982, vejamos o que se passou:

Inesperadamente, nos Bislett Games, em Oslo, Lopes reapareceu em grande. Muito mais forte. Numa corrida em que Alberto Salazar assumia o ataque ao recorde do mundo de Henri Rono, Lopes transcendeu-se. Foi uma corrida louca, aos 5 mil metros levavam 10 segundos de vantagem em relação ao recorde do Queniano. Aos 8 mil metros, Rono (que também participava nesta prova) cedeu, ficando na frente Lopes, Salazar e Hagelsteens. Nos últimos 200 metros Lopes acelerou o passo e correu para a vitória com um novo recorde da Europa - 27:24:39. O anterior recorde da Europa pertencia a Fernando Mamede com o tempo de 27:27:7.

Num gesto bonito, Mamede foi ao aeroporto cumprimentar Lopes, apesar das relações entre ambos andarem azedas devido a Lopes sentir que no período mais difícil da sua carreira, Moniz Pereira e o Sporting apostaram mais em Mamede.

Mamede refere: Não esperava que o Lopes fizesse este tempo. Desta feita não foi papado nos últimos metros. ainda bem. Esta vitória tem ainda mais mérito porque revela a sua perseverança depois de muitas lesões. Não estou triste por ter perdido o recorde para o Lopes, triste ficaria se o perdesse para o belga que ficou em terceiro.

Bislett Games - Oslo, 1982, 10 mil metros

1º Carlos Lopes (POR)............... 27:24:39
2º Alberto Salazar (USA).......... 27:25:61
3º Alex Hagelsteens (BEL)................. 27:26:95

Carlos Lopes também estava espantado consigo mesmo: Não contava com o recorde da Europa dos 10 mil metros. Pela primeira vez na minha carreira tive um comboio até 250 metros da meta. Foi tudo simples. O atletismo não tem segredos. Quem tem força anda, quem não tem ... e, sinceramente, não penso bater o recorde do mundo, até julgo que foi um achado ter feito este tempo.

Opinião diferente tinha Moniz Pereira: Eu esperava que isto pudesse acontecer e penso que tanto Lopes como o Mamede podem bater o recorde do mundo, numa prova preparada nesse sentido.

Como vimos, 2 anos depois, nos mundiais de Estocolmo, tanto Fernando Mamede como Carlos Lopes provariam Mário Moniz Pereira certo.

João Benedito e Carlos Lopes, presente que liga um passado a um futuro

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Wednesday, 26 June 2013

11 Comments
  1. Só é pena quase a totalidade da equipa estar tapada por Bruno de Carvalho e Vicente Moura.

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  2. A imagem é do site do Sporting, no artigo ao qual dá a cor, pelo que não existe outra (entrega da taça de campeões Nacionais ao museu). Não é muito importante desde que os sportinguistas interessados mantenham presente que as vitórias são sobretudo dos atletas e técnicos.

    Porque são-no, nenhuma dúvida sobre isso.

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  3. A 1ª imagem também é do site do Sporting, no rectângulozinho (para mim) mais importante da página, contendo a gralha do recorde Nacional.

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  4. Formidável! "Se foi dura a maratona? Não, foram os 42 Km do costume. Nunca tive medo de ser derrotado, bater não me batem, ralhar não dói ... Nervoso estava Moniz Pereira. Nunca o vi assim. Nervoso de mais. Estou feliz, o professor merecia esta medalha. Decidi não me preocupar antes dos 37 Km, a partir daí sabia que tinha de dar forte e feio, foi o que fiz." Isto quando ganhou a maratona de Los Angeles.

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  6. Manuelim_S, obrigado mas não estamos interessados.

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  7. Completamente, Artur Correia. Os (verdadeiros) campeões estão quase tapados pelos emplastros. O Sporting hoje é isto. Não têm vergonha nenhuma.

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  8. Agradeço Manuel, é uma emoção ler este teu post, e muitos mais.
    Dá que pensar porque é que já não temos atletas destes.
    Se calhar a vida moderna, tirou essa capacidade aos atletas.
    Antigamente as pessoas andavam muito a pé, e talvez fizesse a diferença

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  9. Caro Manuel Humberto,

    Reconheço que o texto não abrange os Jogos Olímpicos de 1976, mas tenho uma história engraçada relacionada com Carlos Lopes. Como já terá verificado pelos textos e fotos no meu blogue, privei com este extraordinário atleta em diversas ocasiões ao longo dos anos. Mas, isso , à parte, em 1976 ainda não o conhecia pessoalmente, mas por motivos óbvios fiz questão de assistir aos seus 10 mil metros, enquanto da estada em Montreal durante duas semanas. Acontece que filmei a corrida da sua medalha de prata. Naqueles tempos usava-se, salvo erro, as câmaras 8mm e, para o efeito da corrida foram necessárias algumas 4 cassetes. Entre outras que filmei de outros eventos, fui entregando à minha saudosa madrinha - para mi como uma mãe - que as guardou na sua mala de mão. À noite, no hotel, fui pedir-lhe as referidas cassetes, algumas 10 ou 12. Enorme confusão então e um autêntico pesadelo porque pela ironia do destino, sei lá, a minha madrinha tinha todas em seu poder salvo... imsgine, as 4 da corrida do Carlos Lopes. Ainda hoje sinto enorme tristeza só a pensar nisso e ela, coitada, regressou a Portugal toda desgostosa pelo lamentável episódio.

    Nada de especial, apenas uma pequena história. Recordo-me bem do sprint do finlandês que tirou o ouro ao Carlos, mais tarde confirmando-se a "operação" que fez com o sangue.

    Assisti à Maratona de Los Angeles também e, aí, já conhecia o Carlos. Difícil descrever a emoção no momento quando ele entrou no estádio isolado. Memórias...

    Um abraço

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  10. Para a final, a táctica era simples, como revela Mário Moniz Pereira, «Forçar o andamento até ao limite e das duas uma: ou rebenta ele (Carlos Lopes) ou rebentam os outros.», sobre a corrida de Montreal, em 1976. Não rebentou o Finlandês Lasse Viren, que também venceu os 5 mil metros e como o Rui refere, ver-se-ia suspeito em «doping sanguíneo», impossível de detectar nas análises de então. Lê uma das páginas à qual o «post» faz referência, reza a história que em meses antes do início de uma prova que considerava fundamental para a sua carreira, era-lhe extraída uma certa quantidade de sangue, que era congelado e um dia antes da prova seria novamente injectado no corpo. Esta operação, permitiria um ganho de 30% no seu rendimento. O Finlandês negou sempre tudo.

    Mas também por isto todos os recordes, medalhas e feitos de Carlos Lopes no atletismo mundial têm um valor incalculável, tratando-se do melhor atleta de sempre na história do desporto Português.

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  11. Com mais títulos sim, mas o Fernando era um super atleta, é difícil escolher

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