No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Na entrevista concedida ao jornal Record, ficámos entre outras coisas a conhecer a origem da «pressão», seguramente muito diferente daquela imaginada pela seita. Sugestão, pressão, conversas informais é o mais certo, contributos para que José Couceiro avançasse. Da parte de quem? Diogo Matos e Mário Patrício. Faz sentido, e sobre o último aproveito para evidenciar a má-fé de muitos dos apoiantes duma das candidaturas, corrente que acusa o director para as modalidades de ter desejado silenciar os sócios enquanto signatário da providência cautelar que visou impedir a realização da AG, uma que eventualmente demitiria a direcção do clube com, na letra, justa causa. Providência mais tarde indeferida pelos tribunais.

A Quercus farta-se de interpor providências cautelares indeferidas pelos tribunais.
Malfeitores ...

Há gente que não entende ou faz demasiado esforço para não entender, incapaz de perceber o que estava em causa. Não o fim mas meio para atingir o fim, precedente grave que abriria na história do clube tratando-se no mínimo de uma enorme sombra para toda e qualquer direcção do Sporting nos próximos 10, 20, 30, 40 ou 50 anos. Não conheço as motivações de Mário Patrício. Não sei se pretendia defender o clube deste precedente ou se pretendia simplesmente defender esta direcção. Como não as conheço (e sim, para mim as motivações importam muito), não presumirei umas, ou outras, abstendo-me simplesmente de emitir juízo. Mas mais grave será passar uma borracha pelo facto dum candidato à presidência do Sporting ter contribuído financeiramente para a realização da dita assembleia-geral. Não se tratava dum sócio comum mas de um ex-candidato e (no dia-a-dia sem ex) candidato ao lugar mais importante do clube. Este candidato não encontrou nada de anormal na possibilidade de uma direcção do Sporting poder ver-se demitida, naquele contexto, por um grupo de sócios em assembleia-geral.

Nesse momento demonstrou no mínimo a sua faceta mais infantil e irresponsável de todas. Escrevi-o nessa ocasião: quem se bateu pela realização desta AG, na presunção de que neste contexto iria ou irá destituir uma direcção, exerceu mal o seu estatuto de associado e abusou dos direitos que o estatuto lhe confere. Muitos dos quais, evidentemente, salvaguardos pela ignorância. Bruno de Carvalho fez mais porque tem ou deveria ter outras responsabilidades: comportou-se nesse momento como um bandido, bandido com carinha de santo. A forma como muitas pessoas viram tudo isto ao contrário e falham perceber o que está na sua frente é para mim, por vezes, ainda, um mistério. Dias da Cunha não assinou a providência cautelar interposta pelo conselho directivo, mas avançou o próprio com outra providência cautelar que também visava impedir a AG. Dias da Cunha também pretendeu silenciar os sócios do Sporting? Enfim.

Regressando à entrevista: fico muito satisfeito que Diogo Matos tivesse sugerido a José Couceiro que avançasse e se assuma como uma das pessoa da sua confiança. Mário Patrício passa-me um pouco ao lado por não estar familiarizado com quem é / faz / representa, para o bem e para o mal, algo que diz muito da minha ignorância e nada diz sobre os méritos ou demérito de Mário Patrício.


«Exijo liberdade para trabalhar na minha área, porque estou farto, cansado de pessoas que não entendem. Pessoas que não conhecem a área mas querem decidir».

«Os meus colegas motivaram-me muito porque o Sporting tem um potencial fantástico e o que estamos a ver é a desagregação de um clube de grande dimensão».

«Como pensa fazer face aos 25 milhões de euros tidos como essenciais até ao final da época? Se contabilizarmos tudo, será mais do que isso. Muito mais que estes 25 milhões de euros? Sim, sim, muito mais do que isso».

«O maior problema do Sporting tem sido a gestão desportiva. Há excepções, há momentos, mas o problema é a gestão desportiva. Foi ela que nos levou a esta crise financeira, e não o contrário».

Como diz um «post» anterior, são universos (pessoas, qualidades, competências) completamente diferentes e distantes entre-si. Tem o que é necessário e não afugentará nenhum de nós. É disto que o Sporting precisa. Leia porque vale a pena.

'Estou farto, cansado de pessoas que não entendem, pessoas que não conhecem a área mas querem decidir' -- José Couceiro

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Sunday, 17 March 2013

11 Comments
  1. Portanto, ficamos agora a saber que, enquanto o Ricciardi ia reunir com o Figo para ver se o conseguia convencer e o Couceiro andava pelas televisões a dizer que estava a pensar e que tinha de ter garantias financeiras, estava tudo sob controle porque o Mário Patrício e/ou o Diogo Matos sacaram do livro de cheques. Aquela tanga do "não sei se quero nem sei se consigo" era só para criar suspense.

    Por outro lado, ficámos também a saber que ainda há alguém que defendia que GL devia ter continuado. Sim, GL não foi um presidente cuja (má) gestão não era nada susceptível de motivar uma destituição por justa causa. Esqueçam os milhões gastos, esqueçam o facto de estarmos com salários em atraso e com a ameaça de um Processo Especial de Recuperação, esqueçam o facto de termos andado a época quase toda a lutar pela manutenção, esqueçam os 4 treinadores, esqueçam os elementos da direcção do Sporting implicados em investigações criminais enquanto dirigentes do nosso clube, esqueçam lá isso tudo.

    De facto, se os problemas eram "só" estes, nem sei como é que alguém se foi lembrar de discutir se havia ou não justa causa para destituir a direcção de GL, há gente mesmo maldosa :)

    A sério, eu gosto deste blogue, mas está-se aqui a fazer a defesa do indefensável e o ataque do inatacável. Quanto à providência cautelar, todos têm o direito de colocá-las, mas elas colocam-se com um fim: e o fim desta era impedir que os sócios se pronunciassem em AG numa situação prevista estatutariamente, estou errado? Se estou, então o tribunal também está...

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  2. Gosta quem quer. Eu não gosto! Discurso demasiado oco, sem consistência. O seu discurso só me faz lembrar alguém: Godinho Lopes. Sem chama, sem fulgor e sem grande convicção. Transmite a ideia de TUDO ESTAR EM ABERTO, pouco ou nada está definido. Ou talvez esteja, mas só se saberá depois das eleições. Aí sim, saberemos as surpresas que nos reservam. Bem vistas as coisas, José couceiro é mais UM MELÃo! Só saberemos o que está dentro quando for aberto.
    Acho-o uma boa pessoa (tal como acho o mesmo de GL)mas não me satisfaz, porque o seu programa(vazio de ideias e definição) não me convence!

    SL

    P.S. O Manuel Humberto está a fazer um excelente trabalho de casa. Recorta o que lhe interessa dos jornais, coloca os seus recortes preferidos no seu blog e toma: Toca a dar pontapés no Bruno de Carvalho. Não tem mais nada para fazer ou é pago para gastar assim o seu tempo?!

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  3. Rui Moreira, está a fazer alguma confusão. Medita-se, interioriza, e decide eventualmente avançar. É nesta fase que se conversa com amigos, pessoas em quem se confie, gente próxima, família, e tudo o mais. Foi disto que falei. Este é o momento principal por ser uma decisão do foro íntimo, 'pesada'.
    A fase à qual o Rui Moreira se refere, 'existência ou não de garantias', é posterior. Aí José Couceiro (ou qualquer outro) já interiorizara que iria avançar, e somente a (in)existência de condições constituiria impedimento.

    O processo é este.

    Sobre a 'justa causa', tratam-se de concepções pessoais. Cada um tem as suas. Matéria do subjectivo. Eu por exemplo achava que a direcção deveria demitir-se: por ser péssima, e péssima será favor.
    Mas não daquela forma porque as repercussões para o clube seriam muito graves. Bruno de Carvalho tinha a noção? Eventualmente, sim. Mas não tem a seriedade. E financiou aquilo.

    Tinha (ele) responsabilidades que nós, comuns sócios, não temos. Mas não é um indivíduo sério. Só isso ...

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  4. Jubas, recorto as partes que mais gosto, evidentemente. Gostei da entrevista toda mas dou relevo ao que mais gosto. É assim tão surpreendente?

    "Mas acima de tudo, evidentemente, terei de me dirigir para onde está o verdadeiro motor do Sporting: a equipa de futebol". Como disse Miguel Nunes ontem, que a nova direcção entre em funções o mais rapidamente possível.

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  5. Rui Moreira, tal como Luís G. Lopes em muitos momentos demonstra pouca seriedade e demonstra ser tão leviano quanto Bruno de Carvalho. Usando-me dos rótulos que tanta gente usa (embora não acredite neles): um seria uma excelente "continuidade" do outro.

    Mas exactamente por isso é necessário efectivar a ruptura. Já deveria ter sido feita há muitos anos, antes de termos aqui chegado.

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  6. Sabe uma coisa Manuel, tenho sérias dúvidas que o GL tenha sido enganado pelo Duque e pelo Freitas. É demasiado esperto para isso. Quando se escolheram essas pessoas, para além do acréscimo eleitoral, foi porque todos tinham um determinado propósito relacionado com o futebol. Todos nós sabemos o passado dessas pessoas no Sporting. O que interessa é que o dinheiro circule no futebol. Há coisas, há contratações demasiado estranhas. Porque é que para umas posições há jogadores a mais, e para outras há de menos? O critério é demasiado estranho. Ou melhor, não há critério desportivo algum. E depois isto faz toda a diferença em termos de rendimento desportivo e a casa vem abaixo. E depois ficamos a saber que até o ex-vice-presidentes para o "património" detém parte dos passes de alguns jogadores. É pouco ortodoxo, no mínimo.

    O que se passa agora com o Couceiro, e porque é que ele pôde avançar e há uma mudança de paradigma no dirigismo, é porque ninguém quer ir para lá agora. Não há dinheiro para grandes contratações, estás a ver? Agora é uma maçada, dá muito mais trabalho, é muito mais arriscado, é preciso fazer um trabalho de sapa, com a chatice da formação. Então em vez de ir ver "miúdos", não é muito mais agradável ir em viagens à América do Sul, por exemplo? A prospecção é uma trabalheira, a gente gosta é de lidar logo com os empresários e ser apaparicado por eles.

    Isto é assim. Os clubes grandes são um chamariz. Através deles consegue-se favores noutras áreas, especialmente da política. Consegue-se o acesso a pessoas importantes, que de outro modo não se conseguiria, como governantes, ou banqueiros. Consegue-se dinheiro. Sim. A diferença entre nós e os rivais é que os outros ganham, ou pelo menos conseguem ter equipas de futebol competitivas.

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  7. Caro Manuel Humberto, já que gosta tanto de recortes, porque não coloca também os recortes da entrevista de Bruno de Carvalho ao jornal O Jogo? Ficava-lhe bem.

    Que tristeza, a família sportingusta está em guerra, especializaram-se no tiro ao alvo! Lamentável

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  8. Juba, concordo inteiramente, mas a família sportinguista está em guerra porque o universo sportinguista não é uma família. São um grupo grande de adeptos que se comporta na essência como qualquer adepto, para o bem e para o mal. No nosso clube tudo assume proporções maiores e mais severas porque estamos há muito órfãos de uma boa liderança.

    Quando existir liderança, a zanga 'emocional' esgotar-se-á. Não há outra forma.

    Sobre tiro ao alvo, não me revejo na crítica. Isto entre nós. Entre 'eles', sim, existe muito tiro ao alvo. Já reparou que apenas um dos candidatos fala sobre o Sporting?, ao passo que outro mais não faz do que falar sobre "os maus", os que o perseguem, os fantasmas, e a tentativa de colar o seu (dele) adversário a esses "maus".

    Eu para falar sobre Bruno de Carvalho terei ou de falar sobre "continuidade" e "corja", porque é só sobre isso que ele fala, ou teria de falar sobre o próprio, porque é só isso que ele promove (a sua imagem pessoal), ou sei lá, terei que ir buscar o seu programa.

    Porque Bruno de Carvalho não fala sobre nada.
    José Couceiro nesta entrevista, por exemplo, também não diz nada do outro mundo. Mas ao menos fala do Sporting e dá a entender quais são as suas prioridades e uma coisa muito importante: é transparente.

    Couceiro é transparente.

    Repare na honestidade usada para abordar o tema da passagem dos dossiers, em concreto Nobre Guedes, a possibilidade Pedro Barbosa para a SAD, elogiando-o mas não vendo aí grande 'futuro' ou a forma como claramente diz a verdade sobre este acto eleitoral: nenhum dos candidatos tem a ver com o desastre que nos trouxe até aqui. Couceiro faz com Bruno de Carvalho aquilo que o segundo não faz com o primeiro: não inventa, não trata com desonestidade, não se aproveita, não pessoaliza. Sabe porquê? O primeiro sabe o que faz. O segundo não tem qualquer noção sobre o que fará. Sabe apenas para onde quer ir.

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  9. No fundo tudo se resume a uma bebida cujo nome científico é "Camellia sinensis".

    Uns tomaram essa bebida em pequenos, outros não.

    Já agora, essa bebida é mais conhecida por chá....

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  10. "O primeiro sabe o que faz. O segundo não tem qualquer noção sobre o que fará. Sabe apenas para onde quer ir."

    Adora estas afirmações baseadas em nada. Parte-se de um pressuposto que se acha mais e melhor que os outros e depois tem-se exactamente o mesmo comportamento que os restantes adeptos e sócios que critica.

    O que agora está mais na moda do Universo Sportinguista é que além dos que são pró BdC, existem os anti-BdC.

    Este blog que tanto prezava com textos assertivos sobre o Sportinguimo, tornou-se num lixo eleitoral. Não porque não faz campanha pró-BdC, mas porque passou a fazer campanha anti-BdC sustentada em nada e usando os mesmo argumentos que os outros usam.

    É pena...agora só escreve texto para enganar meninos.

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  11. Pedro, este «blog» não tem, nunca teve e nunca terá especial importância, audiência (em nºs), e por isso não levo a mal que aquilo que (antes) prezava perceba (agora) como "lixo". Trata-se de lixo comedido, confinado a uma audiência de 15 ou 20 pessoas, em dias bons (20). Seja como for agradeço a parte "prezada", embora nunca o tivesse visto comentar alguma coisa por si percebida como prezável.

    Já "enganar meninos", é um tiro ao lado. Falhou nesse particular. Volte sempre e sinta-se sempre em casa, não obstante a forma como me percebe ou como percebe as coisas que escrevo.

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