No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

A blogosfera e muitos sportinguistas nas redes sociais querem de tal forma Bruno de Carvalho que abdicam da honestidade intelectual e dos princípios democráticos mais elementares. Independentemente do resultado da eleição, são sportinguistas como o autor da frase que irão contribuir e ajudar o presidente eleito.

Essa ajuda não virá de  muitos dos que o apoiam.

Por mais que reafirmemos que a 'melhor escolha' neste acto eleitoral não diverge da 'melhor 'escolha' exercida no último, sendo por isso que há 2 anos (falo por mim e só por mim) apoiei Bruno de Carvalho da mesma forma que hoje apoio José Couceiro, muita gente é incapaz de alcançar o conceito de 'escolha'. Entendo 'escolha' do seguinte modo: um pouco como os deputados que se sentam no parlamento, 90% dos representantes eleitos vota propostas consoante orientação ou instrução partidária. Frequentemente, via abstenção. Se todos estivessem realmente vocacionados ou interessados em exercer a fundamental função para a qual foram eleitos, e se a esmagadora maioria não a tratasse como um 'emprego', nenhum deles fosse qual fosse a proposta em cima da mesa exerceria uma posição de abstenção. É sua obrigação tomar uma posição. É para isso que lá estão. Se não conhecem os temas, estudem-nos. Não têm certezas, passem a tê-las, mas com conhecimento de causa adoptem uma posição. Não por serem pagos para tal mas porque estão sentados no órgão que por via de leis e consistente acção legislativa deverá imprimir força a uma nação. É ali que se comandam as vidas de milhões de pessoas.

No Sporting não existem representantes eleitos. Os nomes de todos os não-sei-quantos-mil que perfazem os cadernos eleitorais votarão não para uma assembleia que elegerá um elenco mas para o elenco governativo em si. É um método de eleição directa. A nossa, sportinguistas, posição, assume desse modo uma importância ainda maior. Quem me conhece sabe que não faço distinção entre sócios e não-sócios. Respeito quem faz. Eu não faço. A distinção que faço, a existir, favorece justamente os não-sócios porque o clube está incomensuravelmente mais dependente dos milhões de adeptos que tem relativamente à reduzida importância dos (infelizmente, poucos) 30, 60 ou 90 mil sócios. Quotização? É importante mas já lá vai o tempo. O grosso das receitas parte desde há muito do corpo de adeptos e da utilidade que as televisões dão a um público (do Sporting) na ordem de milhões. Evidentemente, os sócios também são adeptos. Somos todos uma, e para o Sporting, a mesma coisa. Participação? Está desde sempre dependente da qualidade e não de quantidade. Se existir quantidade e qualidade, tanto melhor, quando servem estas linhas um pedido: não deixem isto nas mãos de 30 000 indivíduos. É pouco e não é por isso surpreendente que os aglomerados de um universo drástico possuam tanta e tão determinante influência. O Sporting enquanto clube de gente à nascença programada pelas melhores células das melhores e mais antigas árvores de forte eucalipto Português tem de ser governado pela sua real e esmagadora maioria: os milhões que perfazem os bons e não as centenas ou poucos milhares que gritam mais alto.

Façam-se ouvir e devolvam o clube a quem de direito.
Somos um clube desportivo.
Somente gente com vocação desportiva poderá tirar-nos do buraco onde outros nos enfiaram, a reboque das escolhas historicamente defeituosas por parte do universo de sócios do Sporting.

Votem na alternativa liderada por José Couceiro. Não será um presidente perfeito mas bate aos pontos qualquer uma das outras candidaturas. São universos (pessoas, qualidades, competências) completamente diferentes e distantes entre-si quando já cumprimos metade da missão. Sem desejar pessoalizar sobre alguém ou ninguém por tratar-se unicamente de matéria de facto: esta direcção demissionária foi de uma mediocridade atroz, bem como atrozes foram os restantes órgãos sociais eleitos, independentemente das listas de origem. Vamos a meio do caminho. Falta completá-lo, efectivar a real ruptura da qual andamos necessitados há mais de 25 anos. José Peyroteo Couceiro, com a nossa (de todos) ajuda, poderá contribuir para tirar o Sporting deste pesadelo fazendo-o regressar a uma vida de normalidade. Não será fácil e ele (imagino) nunca o prometerá. Mas tem o que é necessário e não afugentará nenhum de nós. É disso que o Sporting precisa.

Com ajuda poderemos sair deste pesadelo e regressar a uma vida de normalidade.

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Saturday, 16 March 2013

17 Comments
  1. Foi o que me levou a decidir votar em José Couceiro, há duas semanas. Pena foi que tenhamos tido de chegar aqui, subscrevo por inteiro.

    Jorge Pires, sócio do Sporting clube de Portugal há 32 anos

    SL e continuação de um soberbo trabalho.

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  3. Não alterando uma virgula a este excelente post gostaria apenas de comentar uma notícia do Expresso de hoje.

    Afirma-se a possibilidade de o Sporting avançar para um PER que teria como consequência "futebolística" a nossa ausência do panorama europeu do futebol enquanto este vigorasse.

    Um PER basicamente impede que a empresa em divida avance para a insolvência e obriga a que um plano seja apresentado no sentido de resolver a divida. Esse plano normalmente implica pagamento e perdão. É uma ferramenta para empresas à beira do fim e que permite que a nossa proximidade desse fim não passe a ser mais que "beira".

    Sei que o BCP e o BES vão, certamente e depois desta notícia, passar a demónios outra vez. Tudo em prol de um tão inconsciente como irrealista "quero, posso e mando" (que depois contrasta com a "aprovação" da banca a um plano de reestruturação da dívida).

    Na verdade, o PER até pode ser bom. Não nos qualificamos para a UCL e, provavelmente, nem para a Liga Europa pelo que esse impacto não se verifica. Para mais implica um rigor que seria, em parte, impermeável à incompetência individual. Para mais, abre a porta ao perdão de uma parte dessa mesma divida.

    Algo a analisar mas, contudo, incompatível com o "quero, posso e mando", um "quero, posso e mando" que é mera ilusão de quem acha que um líder o é nas palavras.

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  4. A minha opinião vale o que vale, Manuel, mas se Bruno de Carvalho tivesse ganho em 2011, o Sporting já tinha encostado. Agora está muito mal, porque a SAD está em risco de insolvência. Mas com GL deu um arzinho de sua graça o ano passado e podia ter ganho qualquer coisa. Não ganhou por incompetência do Sá Pinto e depois as coisas foram-se deteriorando com o desempenho desportivo a agravar em muito a situação financeira.

    Com o Carvalho tinha ido ao fundo logo ali. Podes acreditar ou não, mas isso agora também já faz parte da história e não é o mais importante de momento.

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  5. documentos oficiais sobre as "trafulhices" de Bruno de Carvalho.
    http://naovazporai.wordpress.com/

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  6. Sim mas por isso nunca poderá ser demonstrado. É uma convicção, baseada essencialmente em menores doses de pressão. Godinho Lopes entrou profundamente pressionado e não olhou a meios para construir um plantel forte. Delegou nas mãos de 2 ou 3 pessoas essa tarefa e mais do que esticar a corda deformou a máquina toda, quando esta já estava doente ainda antes de lhe terem pedido mais esforço.

    Bruno de Carvalho (acredito) teria feito as coisas de modo diferente. Recorrendo aos mesmos métodos mas com maior serenidade. Com mais tacto.

    Foi do piorio e os apoios, desculpas, atenuantes, discursos desresponsabilizadores que foi recebendo até aos últimos capítulos são qualquer coisa que me ultrapassa. Ou melhor: tinham medo de Bruno de Carvalho. Mas isso lá está, em certa medida uns não são diferentes de outros. Passado, felizmente.

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  7. Mas claro Lionheart, se tivessem acertado na maioria dos jogadores e treinadores a conversa poderia ser diferente. O problema é exactamente esse: o Sporting há mais de 25 anos dependente de sorte, camiões aos 10 jogadores por época dos quais 2 ou 3 são mais-valias. Geralmente os melhores são os mais baratinhos ...

    2011/12,
    Carrillo, Rinaudo e Schaars.
    Wolfswinkel vá, no grupo dos mais caros, embora a sua qualidade seja facilmente 'encontrável' noutros jogadores. E todos os outros quando no conjunto das duas épocas contrataram-se alguns 20?

    A qualidade já estava cá dentro: Martins, Adrien, Pereirinha, Izmailov, Carriço, Patrício. Este ano subiram Dier, Ilori (já tinha jogado em Roma), etc. Mas isto seria sua (dirigentes) obrigação saber. Eles é que estão lá e conhecem os jogadores, têm tempo, podem ver todos os jogos, podem falar com eles. Têm condições para perceber tudo. Mas não têm o entendimento porque são um 0 à esquerda em futebol, embora quase todos se achassem habilitados a servir o Sporting.

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  8. Caro Manuel Humberto,

    Além de certos erros da sua exclusiva autoria, mas todos da sua responsabilidade, como president, Godinho Lopes foi «atraiçoado» pela gestão desportiva. A parte fulcral desta da pertença de Luís Duque e, em dose inferior de Carlos Freitas. Alguns jogadores não foram boas contratações, mas a causa de tudo, à raiz, foi a planificação técnica. A saída de Domingos ainda não está totalmente explicada e, então, a decisão mais horrorosa de todas: a promoção de Sá Pinto. Eu, por conhecimento próprio de muitos anos nesse campo, fiquei em pânico pelo péssimo planeamento da pré-época, logo a partir do partir do primeiro dia, mas os sinais já tinham sido dados no Jamor. Godinho Lopes confiou, apostou e perdeu, e como presidente era inevitável que tudo lhe caísse em cima.Não deixo ver alguma ironia nas conjecturas relativamente ao que BdC teria feito. Acho a tese ridícula, porque o homem surgiu pela oportunidade inexplicável e não por mérito, além de nunca ter «visto» uma bola à sua frente. Eu, indubitavelmente, teria feito muito melhor do que GL, no futebol, porque não teria permitido determinadas medidas assumidas por LD e CF. Mas o todo da contenda é complex, como bem sabemos, e not futebol, especialmente em Portugal, as manobras de bastidores influenciam muito o que ocorre dentro das quarto linhas. O Sporting, ao longo de muitos anos, e não obstante o título sob Luís Duque, nunca teve homens do futebol à frente do futebol. Aí, sem qualquer margem para dúvidas, reside a essência do problema. A outra questão que deixei omissa, e que cheguei a alertar GL directamente, foi o periodo de impasse entre Sá Pinto e o novo treinador. Desastroso, Oceano nunca devia ter assumido, mesmo interinamente. Claro, essa situação também se ficou a dever a questões de tesouraria e pela procura de um técnico de qualidade disponível só para um contrato de 6 meses. Muitos factores envolvidos que quase não dão para serem relatados por escrito.

    Abraço

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  9. Só para terminar (e desculpem os lapsos ortográficos, como sempre). Passaram-se coisas (que eu sei) que não podem ser faladas cá fora e, outras, que só quem esteve lá dentro é que sabe. A saída de Onyewu, com quem eu estive durante as férias, não se ficou a dever apenas ao querer baixar a folha salarial. O atraso na promoção de um ou dois dos juniors também envolve contendas de baixo mérito.
    Com tudo isto, um dos principais motivos que me levam a apostar em José Couceiro é por ele representar , potencialmente, um líder que é, à raiz, um homem do futebol. Esta noção de BdC fazer seja o que for com o futebol, além de acidentalmente ou através terceiros, é uma comédia autêntica.
    Quase me faz lembrar quando eu perguntei ao dr. Roquette as suas razões para nomear um banqueiro - Simões de Almeida - para chefiar o futebol. Outra noção ridícula!!!

    Cumprimentos

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  10. Caro Rui Gomes, concordo mas por isso era (para mim) a pior solução em 2011. O presidente do Sporting tem de possuir um entendimento na matéria que lhe permita avaliar o que vai sendo feito na principal actividade a que o clube se dedica, ou tem de possuir uma dose grande de intuição (e algum entendimento) para saber em quem delegar. Luís Godinho Lopes não tinha nem uma nem outra. Claro, em 2011 quando apareceu (eu) não fazia ideia se (ele) tinha o entendimento, mas olhando para ele (é mesmo assim, olhando a pessoa) olhando também as suas escolhas, o critério das escolhas, era notório que não tinha. Luís Duque ainda se aceitava. Agora Carlos Freitas? E fez o mesmo para todas as outras áreas, razão pela qual foi todo aquele grupo apelidado (bem) de «saco de gatos».

    Porque era isso mesmo, um «saco de gatos», não direi como fez Eduardo Barroso com o intuito de pescar votos mas (acredito) com boas intenções. Ele foi buscar gente para a SAD de alguma forma associada a títulos em futebol, gente para o clube com reputação noutras áreas (sujeito do ACP), e assim por diante. Meteu lá dentro uma série de incompetentes (falamos de um clube desportivo) e quando o cérebro (dirigentes) é incompetente tudo o resto só por milagre funcionará.

    Agora só sobre Luís Godinho Lopes, disse-o aqui:
    http://sportingautentico.blogspot.co.uk/2013/01/monge-fora-do-claustro-peixe-fora-de.html

    Se ele era dono das qualidades que presumivelmente tem, relacionáveis à procura de soluções (sustentabilidade) do clube, e não estou a afirmar que as tem (desconheço e nenhum entendimento tenho sobre a matéria) então que fizesse parte de uma direcção. Parte. Não liderando uma direcção.

    O erro é todo esse à partida. O Sporting vem sendo liderado (cadeira mais importante de um clube "de" futebol) por gente que nada de nada em absolutamente nada sabe de futebol. Um abraço.

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  11. Esta noção de BdC fazer seja o que for com o futebol, além de acidentalmente ou através terceiros, é uma comédia autêntica.

    Concordo [com a ressalva de que em 2011 e tal como hoje, (eu) comparo as reais alternativas e opto pela melhor], mas concordo em absoluto. E estico essa avaliação relativamente a Augusto Inácio. Já sobre Virgílio, não faço ideia - se bom ou mau. Mas aqui falamos de 2 ex-atletas do clube e jamais diria qualquer coisa que contra eles atentasse. Mesma coisa para Manuel Fernandes, como exemplo - adoro-o mas não desejaria (eu, desimportante pequeno adepto) que ele tivesse responsabilidades executivas no futebol do Sporting.

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  12. Esta noção de BdC fazer seja o que for com o futebol, além de acidentalmente ou através terceiros, é uma comédia autêntica.


    Esta (brilhante) frase diz tudo!

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  13. Eu acho que após a demissão do Sá Pinto, o plano era manter o Oceano até final da época e tentar contratar o Jorge Jesus para a época seguinte. O problema é que o Oceano não conseguiu ganhar nenhum jogo e tiveram que ir à pressa arranjar outro treinador. Como não era essa a intenção inicial, demorou muito tempo até vir outro treinador e entretanto como a situação desportiva se agravou, caiu toda a estrutura do futebol. Se o Oceano tem ganho um joguito, o Vercauteren nunca tinha vindo. Mas muito sinceramente, mesmo que o Oceano tivesse ficado, dificilmente conseguiria uma série de resultados que permitisse que a actual direcção se aguentasse até final da época. Aquilo já estava preso por arames.

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  14. Caro Manuel Humberto,

    COncordamos em tudo quanto é fundamental. Curiosamente, eu sentia mais confiança no Carlos Freitas do que no Luís Duque, por múltiplo factores. Por fim, o que se verifica no SCP, ano atrás de ano, é que ninguém tem tempo de aprender com os erros e evoluir na posição. Até cometemos esse pecado com jogadores.
    ~
    Um abraço

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  15. P.S. Também suspeita, como eu, que o Manel é a pessoa anónima na lista de BdC ? Se for, terei muito para dizer. Há passado, com conhecimento de causa.

    Cumprimentos

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  16. Nao faco ideia caro Rui Gomes. A sua integracao na SAD obedeceu a uma logica (aqui sim) eleitoralista. Mais do que isso nao faco ideia (abraco).

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  17. Votaste Bruno há dois anos? E agora votas na continuidade porquê? Explica lá. É que agora há todos os motivos e mais alguns para votar Bruno de Carvalho. Ou queres que os notáveis e crediveis enterrem de vez o Sporting. Com a inclusão do Patrício na lista do Couceiro, cai-lhes a máscara.

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