“A substância fundamental do progresso desportivo do Sporting é um fogo clubista que incessantemente se acende. É o suporte de vida do espírito leonino; é uma matéria viva ...”


No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas, bem como um depósito para comentários sobre diversos tópicos que vou deixando um pouco por toda a parte.
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Não todas, sequer metade, mas listamos as principais entradas e saídas de jogadores desde 2009/10, altura em que o Sporting 'reanimou' as parcerias com os fundos de investimento. De forma tímida em 2009/10 e descarada em 2011/12, assumindo-se (fundos) nesta época não como recurso mas modelo de financiamento da sua actividade. Não tenho interesse nem pretendo bater nos fundos ou neste género de parcerias de investimento - o objectivo da mensagem é outro.

Nesta divisão temporal, pré e pós, quais foram as melhorias relativamente ao que o Sporting fez até 2009/10? ... recordando que nas épocas imediatamente anteriores, sob a liderança de Filipe Soares Franco, a SAD viveu em regime de contenção. Nenhuma. O ponto é esse: perceber que não existem diferenças porque a qualidade de decisão no Sporting é sempre a mesma: sofrível, quando as diferenças que existem se situam ao nível da prestação desportiva, para pior. Volume de investimento é uma coisa, qualidade da opção desportiva e subsequente valor desportivo é outra.

Entradas muito boas (poucas), boas (algumas), más (várias). Evidentemente, boas saídas e saídas muito más porque quem não consegue avaliar umas também não avaliará outras. Em quantidades absurdas, tanto umas como outras, relembrando que desde o fim de 2006/07 o Sporting não vende nenhum dos seus melhores jogadores para equipas Europeias de topo, reunindo por isso condições para manter nos seus plantéis os melhores jogadores que a dada altura o servem. O Sporting, de resto, como clube grande, como equipa grande, inserido na sua realidade, teve, tem e terá sempre acesso a jogadores de qualidade, ao mesmo tempo que a sua principal competição é a doméstica. Um dos rivais do Sporting, ou o mais forte dos 2, como exemplo, já projecta os seus plantéis para voos mais altos, quando os clubes vão estando para todos os efeitos em patamares diferentes um do outro: o Benfica ao nível das opções desportivas (entradas e saídas) exibe qualidade regular e nalguns casos brilhantismo. O Sporting nem a regular cheira, sequer ao nível de jogadores 'sem custos', promovidos das equipas de formação. Se nem sobre esses acerta, que esperar doutros a envolver milhões, interesses, campeonatos estrangeiros, nalguns casos remotos, trazendo consigo 'problemas' de adaptação comuns a todos os futebolistas.

48 jogadores a entrar, 47 a sair, em 4 anos, quando um plantel leva 23 e uma equipa só alinha com 11. Veja a falta de qualidade dos muitos que entraram e a imensa qualidade de alguns que saíram, bem como a falta de qualidade dos muitos que entram e saem ao fim de 1 ano ou 2 (nalguns casos, meses). De certeza que o problema do Sporting é falta de dinheiro? Pelo contrário, isto resolve-se com menos dinheiro, simplificando ... durante 3 ou 4 anos, 2006-2009, o discurso foi não podemos viver acima das nossas possibilidades, quando deveria ter sido não precisamos de viver acima das nossas possibilidades. Precisamos de decisões de qualidade, pouco dependente de fórmulas e que não se decreta por modelos de gestão. Ou existe, ou não existe. No Sporting não existe.

Saídas 2012/13
João Pereira, André Santos, Matías Fernández, Evaldo, Alberto Rodríguez, Atila Turan, Oguchi Onyewu, Elias, Gelson Fernandes, Daniel Carriço, Marat Izmailov, Bruno Pereirinha, Danijel Pranjic, E. Insúa.

Entradas 2012/13
Joãozinho, Labyad, Gelson Fernandes, Danijel Pranjic, Khalid Boulahrouz, Marcos Rojo, Valentín Viola, Miguel Lopes, H. Ventura.
Saídas 2011/12
M. Torsiglieri, Marco Caneira, Nuno André Coelho, Diogo Salomão, Cristiano, Jaime Valdés, Pedro Mendes, C. Saleiro, H. Postiga, A. Zapater, Simon Vukcevic, L. Grimi, T. Hildebrand, Luis Aguiar, V. Bojinov, Yannick Djaló, Anderson Polga.

Entradas 2011/12
A. Rodríguez, Xandão, Ricky van Wolfswinkel, S. Schaars, André Martins, S. Arias, Atila Turan, M. Boeck, L. Aguiar, D. Rubio, V. Bojinov, Diego Capel, Fito Rinaudo, Jeffrén, Elias, E. Insúa, S. Ribas, Xandão, André Carrillo, Oguchi Onyewu.

Saídas 2010/11
Ricardo Batista, João Moutinho, Mexer, Miguel Veloso, Tonel, Sinama Pongolle, Vladimir Stojkovic, Pedro Silva, Adrien Silva, Liedson, Celsinho.

Entradas 2010/11
Evaldo, Maniche, André Santos, Diogo Salomão, M. Torsiglieri, Nuno André Coelho, Jaime Valdés, Tales, Timo Hildebrand, Cristiano, Alberto Zapater.

Saidas 2009/10
Rui Fonte, Romagnoli, Tiago Pinto, Ronny, Felipe Caicedo, André Marques.

Entradas 2009/10
Carlos Saleiro, Matías Fernández, Felipe Caicedo, Miguel Ángel Angulo, João Pereira, Sinama Pongolle, Pedro Mendes, Mexer.

O problema do Sporting é dinheiro, definitivamente

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Thursday, 7 February 2013

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2 Comments
  1. Atenção o Sporting tem menos dinheiro que o carnide e o porco, mas não é aí que está o nosso maior défice. O Sporting tem menos dinheiro por alguma razão. Já não se pode usar apenas a explicação do endividamento do Sporting ter sido maior, por ter tido menos ajudas do que os rivais para construir o estádio (além de que nesse caso teríamos de aprofundar o tema da venda dos terrenos do antigo estádio, que deveria ter providenciado ao clube capitais próprios significativos, o que, como sabemos, não aconteceu).

    Nos últimos dez anos, se a gestão desportiva tivesse sido competente, o Sporting poderia estar a inverter a diferança para os rivais. Ao invés, estamos prestes a entrar noutra fase de apertar o cinto, precisamente por causa da falta de resultados depois de um grande investimento.

    O diferencial para os outros não é uma fatalidade. O Sporting é um clube grande, tem potencial para crescer mais porque tem mercado e vende. É um clube apetecível para os jogadores, porque é uma boa montra, tem excelentes infraestruturas. Mas não tem tido organização nenhuma no futebol. As deficiências notam-se a nível da filosofia (nunguém sabe o que é o Sporting pretende do treinador, tantos e tão diferentes tem tido), nas contratações, que não têm grande lógica (também por causa de não ter uma equipa técnica estabilizada) e também na gestão dos seus activos. O que daqui resulta é um enorme desperdício de recursos, que agrava muito a crise financeira e depois obriga a desinvestir.

    Quanto às eleições, percebo a vontade das pessoas em que aparecem caras novas, mas a ser assim, teríamos uma direcção completamente inexperiente, o que não é desejável. Como o passado recente do Sporting não é particularmente vitorioso, a maioria das pessoas disponíveis não tem muitas vitórias em carteira. Assim, pensava em juntar o melhor que o Sporting tem e partir daí, tendo em conta o desempenho que o Sporting precisa. Ou seja, para a SAD é preciso capacidade financeira, conhecimento de futebol, mas com uma postura mais sóbria. Para o clube, o presidente não deve ser uma figura apagada. Deve ter capacidade de ir aos despiques verbais com os rivais, porque aí também se "ganham" jogos e o Sporting há muito que não tem ninguém que vá à luta com eles, tal tem sido a nossa inferiorização. Não digo nomes, porque acho que não se deve desafiar quem não quer ir à luta, mas vêem-me à cabeça alguns. ;)

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  2. O Sporting tem mais armamento que os outros dois, já que os rivais ao nível de receita extraordinária modelam a sua actividade contemplando o mercado de transferências de jogadores que compram e vendem. O Sporting além de poder explorar esse mercado conta com o dos jogadores que forma e (eventualmente) vende.

    Mas o que vemos são as opções desportivas atrofiar qualquer uma destas parcelas. São essas opções que deixam o Sporting no lugar onde está.

    O problema de dinheiro do Sporting entronca na sustentabilidade do clube, jamais no financiamento da sua actividade. Para resolvermos a primeira temos de resolver a segunda - não exista outra forma. A segunda, como vimos, não se resolve com dinheiro.

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