No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Na vida deparamo-nos frequentemente com problemas. Ocasionalmente, com crises. Habituei-me a olhar os primeiros de forma racional já que melhor ou pior pensadas, bem ou mal executadas, com acções mais ou menos drásticas, é verdade não existir praticamente nenhum problema que não tenha pelo menos uma solução. Diria mais: os problemas revelam-se frequentemente amigos já que nos conduzem à acção, obrigando-nos a tomar controlo sobre situações que se afiguram negativas, forçando-nos para cenários de mudança onde com algum engenho podemos transformá-los (problemas) em oportunidades.

Com as crises, já não é assim - sofremos o embate e procuramos lidar o melhor possível com as consequências, independentemente da sua natureza.

Distinguir problemas de crises é por isso fundamental.

Sinto cada derrota do Sporting e já é assim há muitos anos, sentimento diluído pelo passar dos dias que nos levam ao próximo jogo, à próxima competição, à próxima época. Sentimento até por derrotas em jogos 'de pontos' quando nem sempre precisamos de pontos, quanto muito fracassos que nos afastam irremediavelmente duma competição ou a perspectiva de a nível doméstico o clube consumar mais uma época na mesma linha das últimas. Quero com isto dizer que existe muita gente desesperada por sentir o Sporting em crise, e consigo percebe-los. Existe também alguma gente desesperada para ver o Sporting em crise, e estes também consigo percebe-los, mas de outra forma.

As últimas horas foram férteis em decisões que somadas à troca de treinador e a um contexto de insucesso desportivo deixam o clube numa condição, no mínimo, delicada. Será felizmente discutida por 'sportinguistas ilustres', em Conselho Leonino - sem que a discutam, antes, como é lógico, nas televisões, 'sportinguistas ilustres' ou meramente patetas que consideram a hipótese do Sporting correr perigo de extinção. Não versarei sobre as saídas de Luís Duque e Carlos Freitas, por ora. Limito-me a exprimir surpresa pela decisão porque ao contrário da ideia ou da imagem desde o início mantida, Godinho Lopes não chamou os dois dirigentes para a sua equipa a fim de se esconder nas suas sombras. Chamou-os porque acreditou nas suas qualidades, em consonância com a interpretação dos seus resultados no passado. Na mesma medida, libertou-os, em consonância com a interpretação dos seus resultados no presente. A decisão demonstra-o. Constatarei ainda que a escolha da pessoa que ocupará o lugar de Luís Duque é pelo menos fundamental para as aspirações do que falta - quase tudo - de 2012.

O mais está, como sempre esteve, nos pés e nas mentes dos jogadores e dos treinadores do Sporting.
Regresso aos problemas e às crises, motivação do «post».

Confundir os problemas que afligem o clube com a crise que afecta a equipa de futebol do Sporting é um erro tão grande quanto alguém achar ser este o momento para procurar benefícios. Foi o que fez Eduardo Barroso e é o que fazem muitos adeptos do Sporting a escrever ou comentar em blogs e demais esferas virtuais. Perceber a quantidade de antipatia, ódio, insultos, ofensas e oportunismo na sequência da derrota que nos afastou da taça deixou mais uma vez claro que alguns já nem se entristecem: usam as derrotas para exibir o ressentimento que acumulam. Ressentimento para com quê ou para com quem? O presidente do Sporting e o seu elenco directivo.

Nada mais.

Mas vão mais longe, chegando a perceber a dedicação de outros adeptos ao Sporting, independentemente de toda e qualquer circunstância, inclusivamente de quem o lidere, como causa ou contributo para o insucesso desportivo, insinuação cada vez mais repetida nestes meios sob a forma de ironia no trato do pseudo-mote 'é preciso apoiar'. Não se tratam de comportamentos somente parvos, mas ofensivos, como são exemplo os conteúdos deste blog, o «post» deste atrasado mental, ou os comentários deste infeliz. É uma postura (mais para mais do que para menos) encapotada que se vai generalizando. Desse modo, pergunto: existirá algum sportinguista que apoie derrotas? Jamais, embora alguns imaginem que sim.

Antes, existe gente incapaz de ultrapassar o micro-organismo 'nós' e 'eles', vírus de tamanho infinitamente pequeno relativamente ao corpo que ocupa - Sporting Clube de Portugal, alimentado por gente que se distancia 'deles' com recurso a permanentes manifestações de ódio. Para estes, a instrumentalização de sentimentos alheios é uma coisa menor. Especialmente cobarde(s) nas horas em que o Sporting se vê penalizado pelo insucesso. Confundem apoio ao Sporting com guerras de facções e direcções (efectivas ou propostas), e quem não tem vocação para a histeria ou irracionalidade está, segundo eles, 'feito com eles'. Só sabem infelizmente ver o Sporting desta forma.

Entre os problemas e a crise

Posted on

Tuesday, 23 October 2012

3 Comments
  1. Muito bom.

    Podia prosseguir a dissertação que explicasse claramente o motivo de este ser um post "muito bom" mas só quero mesmo dizer "muito bom".

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  2. CLAP CLAP CLAP CLAP.

    Tiraria o meu chapéu a este post se porventura o usasse.

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  3. Óptimo post sem dúvida e coloca o dedo na ferida do que se passa (infelizmente, e digo-o sem ironia) com o Sporting.

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