Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais, este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas bem como um depósito para comentários que vou deixando um pouco por toda a parte.
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Há uns dias recordava, por vídeo, um jogador do Sporting que muitos lembrarão: Paulo Alves.
Não consigo precisar o propósito do vídeo mas também não é importante.

Lembram-se? Vindo do CS Marítimo, jogador muito disputado por Sporting e Benfica. O Sporting ganhou a corrida e recordo na altura ter-me sentido muito satisfeito: tratava-se Paulo Alves dum internacional que poderia ser um grande elemento na equipa do Professor Carlos Queirós (Cadete fora o último grande concretizador do Sporting). Recordo inclusivamente quando foi dispensado no fim de 1997/98, como parte da profunda revolução que viu chegar o excelente Mirko Jozic ao clube, o capitão Oceano (também 'dispensado' nessa altura) ter afirmado, o Sporting não gosta de ter internacionais no seu plantel, e disse-o porque Paulo Alves se vira dispensado uma semana depois de sair uma convocatória qualquer para a Selecção da qual constava o seu nome.

Indivíduo muito correcto, decente, sóbrio e que emprestava ao Sporting um conjunto de qualidades humanas indispensáveis.

Recordarão porventura alguns golos de cabeça, algumas exibições muito conseguidas nos jogos em Alvalade ou uma sequência (formidável) de Octávio que deu 11 ou 12 vitórias consecutivas para o campeonato, na qual os jogos em Alvalade terminavam nalgumas ocasiões com 3 e 4 golos para o lado do Sporting [Sporting superiormente comandado no campo pelo talento do na altura 'renascido' Pedro Barbosa]. Há uns anos tentava recordar a música que nessa época passava no intervalo dos jogos, mas nunca consegui. Guardo-a na cabeça mas não existe meio de encontrá-la. Era muito bonita, assim: taran tan tan tan, tan-tan-tan tan, tan-tan-tan tan ... taran tan, tan tan tan ... tan. Conhecem? Uma vez ouvia pela rádio (jogos que não eram transmitidos pela TV) o Sporting num encontro que foi para intervalo com 3-0 no marcador e como sempre estava na cave a escutar o relato, sozinho, sem distúrbios e concentrado nas incidências do jogo. Chegando o intervalo, Aurélio Márcio dizia uma coisa qualquer do género, o Sporting está a jogar lindamente e vamos decerto ver mais golos. A emissão saía do estádio e quando regressava, ainda no intervalo, tocava a música e a rádio captava-a. Na ocasião com uma bola pequenina sem muito ar dava toques. Bolas pequenas mas não tão pequenas quanto de ténis, grandes, de futebol, volley ou basquete, desde que redonda e com os níveis de ar abaixo dos normais consigo dá-los para sempre. Para sempre? Para sempre e a cave era estreita, com cadeiras dum lado e de outro onde o espaço não era muito mas a bola não caía, e com a música a passar ao intervalo era então uma coisa fenomenal porque mesmo que quisesse interromper, a bola não deixava.

Ficaria suspensa em pleno ar, sem tocar no chão, girando sozinha.

Paulo Alves era / é um ser humano extraordinário. Muito correcto, de princípios, maduro. E o perfil futebolístico, recordam? Tremido porque Paulo Alves não era um futebolista especialmente confiante: os seus índices de pujança emocional e mental oscilavam. O que quero dizer, é: Paulo Alves (e muitos existem como ele) era um jogador maduro mas pouco afirmativo. A idade dum jogador de futebol é determinante por estar associada ao seu processo de afirmação. A idade dum jogador de futebol é determinante porque está associada ao tipo de actividade subjacente a um clube de bola, hoje: vender e comprar. Comprar, e vender.

Mas no relvado não existe idade. Existe qualidade. Compreendam que Domingos não perdeu por ter feito alinhar Ilori, André Martins ou os 2 júniores que entraram na 2ª parte. Domingos perdeu porque fez alinhar 2 ou 3 elementos de qualidade inferior ao que o momento - forte mas acessível equipa da Lázio pela frente - pedia. A idade de Ilori não impediu que na 1ª parte tivesse feito a equipa do Sporting sair a jogar rente à relva da sua área. A idade de Ilori não impediu um soberbo corte aos pés de um jogador da Lázio dentro da área do Sporting, quando ambos corriam par-a-par a grande velocidade. A idade do central do Sporting também não impediu que vencesse em corrida numa, duas e três ocasiões um jogador rapidíssimo e forte como Cissé.

Já a sua qualidade ... permitiu tudo isto e permitirá muito mais.

O Sporting perdeu o jogo entre outros motivos partilhado(s) com os adeptos: o clube não está habituado a níveis de exigência especialmente elevados. Jogos que não contam para nada, o importante é no próximo domingo, noções desta espécie: são zero. Jogos Europeus são para ganhar, ponto final. O Sporting tem de jogar em Roma para ganhar e quem diz Roma dirá outro campo qualquer de 80% dos emblemas da Liga Europa. Quatro ou cinco mensagens para trás está o integral historial do Sporting nas competições Europeias de futebol.

Somem-lhe agora mais uma derrota e digam que não interessa ...

1 Comment
  1. MM,

    Partilho de algumas considerações que fazes sobre o Paulo Alves mas, de facto, o actual treinador do Gil Vicente nunca foi um fora de série e não conseguiu criar empatia com os adeptos; mal comparado seria uma espécie de Cardozo (com muito menos golos) ou uma espécie de Postiga (com o dobro da atitude/empenho e metade da técnica do avançado de Caxinas).
    A empatia com os adeptos é muito importante para um jogador triunfar no Sporting, por exemplo no actual plantel: Capel - super adorado; Wolfs - bem visto/acarinhado; João Pereira - bem visto/acarinhado; Rinaudo - super adorado; Evaldo - sem margem para errar; Pereirinha - sem margem para errar; Carrillo - super adorado... podia continuar esta avaliação subjectiva, alicerçada, apenas, naquilo que oiço quando estou nas bancadas de Alvalade mas julgo que já captaste a ideia.
    Concordo com a questão da idade vs. qualidade.
    Acho que te escapou abordares uma questão.
    Aquilo que vimos ontem em Roma não foi o Sporting, foi um misto de jogadores que vestiam o equipamento do Sporting utilizado a partir do último quartel dos anos vinte do séc. passado (também não me escapou o pormenor dos calções brancos) se quisesse ser irónico, diria que o que esteve em campo ontem, foram «os amigos de Bojinov» vs. a Lazio de Roma (3.ª do campeonato italiano).
    «Os amigos de Bojinov» não terão realizado um único treino conjunto (tal como nos jogos de solidariedade dos amigos de Zidane e assim) e como sabemos o futebol actual não se compadece com improvisações nem com a sorte.
    A propósito da sorte recomendo este excelente «post»:
    http://entredez.blogspot.com/2011/12/sorte-e-os-problemas-digestivos.html
    Abraço.

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