“A substância fundamental do progresso desportivo do Sporting é um fogo clubista que incessantemente se acende. É o suporte de vida do espírito leonino; é uma matéria viva ...”


No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas, bem como um depósito para comentários sobre diversos tópicos que vou deixando um pouco por toda a parte.
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Damas, Hilário, André Cruz, Beto, Carlos Xavier, Balakov, Luís Figo, Travassos, Cristiano Ronaldo, Liedson e Fernando Peyroteo. Poderá tratar-se de um 11 de sonho mas não me faz sonhar.
Olhada a votação ('melhor 11 da história do Sporting', sondagem FanZone) vejo desde logo alguns acertos óbvios:

Vitor Damas, quem mais? Ninguém.

Hilário, quem mais? Aparentemente ninguém. Lembro Morais, Rui Jorge e não me ocorre qualquer outro. Nenhum dos últimos representou todavia o Sporting durante tanto tempo quanto Hilário. E nenhum ganhou para o clube a quantidade de títulos e honras que Hilário acumulou.

Travassos, como é evidente nunca o vi jogar. Porém foi um dos 'Violinos' e foi o primeiro futebolista Português a representar uma selecção Europeia. Com tais predicados não me atrevo a questionar o seu lugar no 11. Vai jogar e vai jogar sempre.

Fernando Peyroteo, 12 anos nos relvados ao serviço do clube, melhor goleador do futebol mundial, 'Violino' de referência e uma quantidade formidável de títulos conquistados para o Sporting. Indiscutível.

Estes 4 são intocáveis - a democracia para eles funcionou. Para os outros, reticências, na seguinte forma (da esquerda para a direita a partir de Damas, Sul para Norte começando em Hilário):

André Cruz, não me choca. Dono de uma formidável categoria e de uma personalidade que interessam a um clube como o Sporting. Ainda assim, esteve no Sporting 3 anos. Dos centrais que vi jogar faria de caras parte do 11 mas 3 anos é muito pouco ...

Beto. O nosso Beto. Queres saber uma coisa? Recordo o teu 1º jogo com a camisola do Sporting. Recordarei eu - pouco importante adepto - e recordarás tu. Recordará igualmente Octávio Machado. Recordo de igual modo o teu primeiro clássico com a camisola do Sporting: estádio das Antas, 1996 (já passara o Natal ou estaríamos por alturas dele), Octávio de um lado e António Oliveira do outro, Marco Aurélio a teu lado e um insosso empate a 1 bola no final do jogo. Fizeste 1 golo na sequência de um pontapé-de-canto. Ou terá sido Pedro Barbosa também de cabeça? Sinto algumas dúvidas. Foi ao Benfica? Se calhar foi. Hei-de ver.

Carlos Xavier, membro de equipas memoráveis que o Sporting teve, ido para o País Basco na companhia do imortal capitão Oceano, um dos nomes que fará sempre parte da história do clube. Porém, não era defesa-direito ou era? O Carlos Xavier que conheci, regressado de Espanha juntamente com Oceano para integrar o plantel de Carlos Queirós não era. O defesa-direito era Nélson. Contudo, como aparece na faixa direita do terreno deduzo que antes de San Sebastián ou em San Sebastián tivesse actuado nessa posição. O Oceano que conheço jogava à frente da defesa mas com Toshack era 1 dos 3 centrais utilizados pelas suas equipas, daí é possível que Carlos Xavier também tivesse ocupado outras posições.

Arrumada a defesa vamos à zona mais problemática:

Novamente, não é que os nomes votados e eleitos sejam maus. O problema é que não entendo como de uma votação para 'o melhor 11 da história do clube' resultam tantos cuja indiscutível associação ao clube é, relativamente a outros, muito curta. Este é o maior problema Luís Figo e Cristiano Ronaldo, nomes que farão parte do grupo de melhores jogadores que o clube alguma vez teve (além de terem sido formados no Sporting) mas tal como para André Cruz estiveram pouco tempo ao seu serviço.

Krassimir Balakov e Liedson, pelo motivo acima enunciado, chocam-me menos. Ainda assim, melhor 11 de sempre. O Búlgaro caberá nele já que disputa uma posição menos concorrida relativamente a um avançado (existem mais avançados de qualidade do que médios), mas mesmo o extraordinário Búlgaro não me parece em condições de reunir consenso.

Posto isto, vamos experimentar algumas alterações. Alteração mais evidente de todas: saída de Liedson e entrada de Manuel Fernandes. 2ª alteração: transformar o 4-4-2 num 4-1-3-2 sem extremos (Travassos se calhar era extremo mas é importante que faça parte do 11). 3ª: saída de Luís Figo e entrada de Oceano, Oceano que envergará a braçadeira de capitão (com a autorização de Fernando Peyroteo, Hilário e Manuel Fernandes), Oceano que jogará no meio-campo à frente dos centrais. 4ª: saída de Cristiano Ronaldo e entrada de Pedro Barbosa [Pedro Barbosa tem de jogar porque além de um futebolista ímpar combina muito bem com Hilário], e jogará, Pedro, como interior-esquerdo. Temos um meio-campo portanto quase desenhado e é tão bom que os 9 sozinhos seriam campeões Europeus todos os anos (Peyroteo dá óbvias garantias). Travassos, como disse, mantém-se no 11 mas irá para o vértice mais à direita do trio à frente do capitão. Daqui resulta um problema: Balakov. Quem mais ou melhor poderá fazer o seu lugar? Francamente não sei. Do que vi ou do que vejo não existe realmente substituto evidente. E para trás, existirá?

Jogará então o Búlgaro pese embora não tenha representado o clube mais do que 4 épocas.

Damas
Hilário
Oceano
Travassos
Krassimir Balakov
Pedro Barbosa
Manuel Fernandes
Fernando Peyroteo

Faltam-nos 3 jogadores: um defesa-direito e dois centrais. Tenho uma ideia. Como somos o Sporting, mais titulado e maior clube de Portugal, dar-nos-emos ao luxo de alinhar com 3 defesas. Correremos riscos mas com Vitor Damas na baliza serão bem-vindos porque queremos ver todos os atletas em acção.

1 central de raíz - Hilário diz sim, tudo sob controlo, e entrada no 11 de Héctor Yazalde. Tal requererá alguns ajustes: com bola Peyroteo será o homem mais avançado e tanto Manuel Fernandes como o Argentino terão a missão de abrir nas alas, não muito, com um pé sempre no miolo. Já sem bola o «tanque» baixará para a zona do trinco contrário e os ágeis, rápidos e felinos Yazalde e Manuel Fernandes farão pressão nos 2 centrais, algo que nos fará recuperar a bola em menos de nada, faltando-nos agora 2 peças fundamentais: a primeira resolve-se de caras, Pedro Gomes como defesa direito, alguém que tendo servido o clube durante muitos anos sofre imensamente com o Sporting, alguém que dá prazer ouvir e um jogador que ergueu a Taça dos Clubes Vencedores das Taças. Posto isto, falta-nos agora um defesa central. Jogará desacompanhado pelo que a escolha terá de ser cuidadosa. André Cruz, Beto, Marco Aurélio, Naybet, Stan Valckx e muitos outros que não vi jogar como Luisinho, Venâncio e tantos para trás. Muito difícil mesmo, tão difícil que a resposta será mais ou menos óbvia: Frank Rijkaard e não se fala mais no assunto.

Vitor Afonso Damas
Manuel Pedro Gomes
Franklin Edmundo Rijkaard
Hilário Rosário da Conceição
Oceano Andrade Cruz
José Barreto Travassos
Krassimir Guenchev Balakov
Pedro Alexandre Barbosa
Manuel Tavares Fernandes
Héctor Casimiro Yazalde
Fernando Baptista Seixas Peyroteo

É este o meu 11. Digam lá se não é um 11 bem mais consentâneo com os pergaminhos do clube? Claro que é. Melhor só mesmo o que se segue porque (ainda) mais consistente:

Vitor Damas
Manuel Pedro Gomes
Frank Rijkaard
Hilário Rosário da Conceição

Oceano
Francisco Stromp
(médio-direito, perpétuo sócio nº3, 16 épocas ao serviço do clube)

José Barreto Travassos
Pedro Barbosa
Manuel Fernandes
Héctor Yazalde
Fernando Peyroteo

Um 11 à Sporting. O meu 11 e aquele que jogará.

2 Comments
  1. Isto é das coisas mais comoventes que já li.

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  2. Parabéns pelo massacre que o Sporting deu hoje ao Benfica, em Andebol. Totalmente merecido. Um jogo em que o Sporting fez quase tudo bem e o Benfica quase tudo mal. Quando assim é, em jogos deste tipo, entre equipas do mesmo nível, geralmente dá isto: um desequilíbrio claro. Acabou agora: 26-17. Justíssimo. Só em perdas de bola/contra-ataque sportinguista devem ter sido uns 15 golos. O campeonato está ao rubro.

    Sobre a tua resposta despropositada, eu entendo, tranquilo. Com tanta animosidade por aí, entre os dois clubes, as pessoas já não percebem o tom que os adeptos rivais trazem aos nossos blogues. Paz, amor e rivalidade saudável.

    E, volto a dizer, excelente texto. Excelente, mas excelente, excelente. Emocionou-me, o que não é fácil. A forma como dissertas sobre as memórias que variam entre as de miúdo, as de jovem e as de, finalmente, adulto (ou menos jovem, se quiseres) é comovente. O amor a um clube é comovente. Gostei muito.

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