No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
O melhor do clube são as pessoas, mas não são quaisquer pessoas. Foram os nossos fundadores, atletas e treinadores. É a nossa história. O clube não és tu, não sou eu, nem «somos nós». São eles. As mensagens que publicarmos evidenciarão esse intuito, versando sobre a instituição, a sua notável história, acumulado de feitos presentes e passados, proeminentes homens que a serviram e ergueram, cumprimentando as suas memórias mas mais importante, preservando a sua autoridade, ainda que não vivam entre nós.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.

Chamo destaque a uma entrevista (link) ao antigo director para o futebol do Sporting, Francisco da Costa (Costinha), feito por André Carreira de Figueiredo para o Notícias do Futebol (Academia de Talentos). A entrevista toca diferentes assuntos, desde considerações - nas quais me revejo - sobre a aura «intocável» que Maradona preserva na comparação com Messi, ou Ronaldo, até ao tema mais sensível de todos: Sporting.

Afirmações mágicas sobre o capitão Oceano, forma como «sentia (sente) o seu clube», ou o mítico Red Devil Bryan Robson - dois jogadores que Costinha idolatrou. Acrescento, Bryan Robson, indubitavelmente associado a Sir Alex e ao ressurgimento de Old Trafford como teatro conquistador de títulos e honras, além de fomentador de sonhos naquele que foi um - literal - renascimento após prolongado jejum que assentou em três nomes: Sir Alex Ferguson, Bryan Robson e o Francês contratado que revolucionou Manchester, Eric Cantona. Costinha fala de Nápoles, Maradona, passando pela Série A, Andreas Pilro, e o (verdadeiro) fenómeno, Ronaldo - tive oportunidade de vê-lo ontem, pela televisão, no fundo da grelha de partida do Grande Prémio de Abu Dhabi (onde a equipa do Sporting comandada por Ricardo Sá Pinto estará presente na fase final da Liga dos Campeões de Juniores que disputa). Fisionomia desfasada do fenómeno que em 1995 encantou Eindhoven e que em 1996 conquistou a cidade de Barcelona e o mundo do futebol, prosseguindo a partir daí uma carreira em curva descendente [nunca em Milão replicou, para mim, o futebol que exibiu na Catalunha, e julgo que nunca de lá (Barcelona) deveria ter saído].

O tema mais sedutor, como disse, relacionado ao Sporting: referências a Amsterdão, equipa que em 1995 consagrou jovens de 17 e 18 anos campeões Europeus e uma quase-pergunta ... porque nunca atingiu o Sporting semelhante feito quando forma tão bem ou melhor que Ajax?

Selecções Nacionais jovens, demasiados estrangeiros nos escalões de formação dos clubes portugueses e algumas reservas sobre o mito de que Portugal continua nesses escalões a ser uma potência.

Octávio, o nosso (pelo menos meu), do Sporting, Octávio, único responsável pela devolução de uma auto-estima que durante muitos meses andou ausente do clube - um pouco à semelhança dos últimos 2 anos, embora de forma nunca tão grave (percepciono, a posteriori), época e meses pré-Octávio (1995 e parte de 1996) em que o Sporting caminhou ruas muito amargas e confusas, penalizando um bom (pelo menos então) treinador - Carlos Queirós, e um plantel muito valioso. Confusões geradas pelo seu presidente e que andavam lado-a-lado com corridas pelo PSD. Jamais esquecerei uma das declarações mais hipócritas de um presidente do Sporting numa altura em que o clube andava de rastos, «os Sportinguistas não me perdoariam se não me candidatasse» (à liderança do PSD). Não obstante, teve pelo menos Santana Lopes o mérito de chamar Octávio para dentro do Sporting, Octávio esse que em conjunto com o presidente seguinte - José Roquette, teve / tiveram o mérito de clarificar muita coisa, conquistando nos meses imediatamente seguintes uma supertaça em Paris, recuperar desportivamente activos perdidos como Pedro Barbosa, despoletando outros como Beto e qualificando o Sporting para a Liga dos Campeões do ano seguinte.

«Prostituição Intelectual»
Portucalices, para o bem e para o mal, a todos os níveis, ainda agora com o tema Eusébio o vimos, tema ao qual voltarei ainda hoje.

Diz Costinha - e bem, «aqui (Portugal) é giro, é engraçado, porque toda a gente fala. Médicos falam de futebol, cineastas falam de futebol, pilotos falam de futebol, directores de bancos falam de futebol, mas eu não vejo nenhum futebolista ir para a televisão comentar medicina, economia nem cinema», «há três jornais desportivos diários (...) coisas que se fazem só para fazer, porque é preciso alimentar, é preciso vender, é preciso criar alguma tensão»

Paulo Sérgio
e uma pergunta que poderia ter sido feita: 'Porquê?', baseado no quê achou Costinha que Paulo Sérgio deveria ser treinador do Sporting? Afirmação de jovens jogadores contratados, pressão de uma «massa associativa muito exigente» e algo que qualquer observador mais ou menos atento testemunha, «o que interessa é a equipa e não o jogador, o jogador é apreciado por aquilo que pode dar ao clube. O que importa é o emblema e a camisola, e isso está acima de tudo». Sobre ... o FC do Porto.

Carlos Queirós
alguém que a dada altura fez muito pelo futebol português mas alguém que há pouco tempo comandou uma equipa «que não era feliz» e jogava à defesa contra qualquer selecção (claro exagero, vide Denmark em Alvalade). Importante revisão de uma constatação.
Não me cansarei de reafirmar: um dos melhores Sporting que vi jogar foi o seu, Sporting que encostou o Real de Valdano e Laudrup às cordas, em Madrid, demonstração que repetiu em Lisboa 15 dias volvidos. Uma eliminatória não superada mas duas muito belas recordações que o treinador do Sporting me deixou. Esse treinador tem um nome, Carlos Queirós.

«Ele antigamente incutia essa mentalidade ofensiva, jogando com três avançados e dois médios centro (4-3-3) mas quando vemos o Mundial de 2010 a nossa identidade (ofensiva) não estava lá». Enquanto adepto, subscrevo. Sinto algumas (muitas) saudades dessa equipa, uma que alinhava no mesmo onze Ricardo Sá Pinto, Pedro Barbosa, Balakov, Amunike e outros. Fenomenais.

Curioso, algo de que fico conhecedor: possuo um nº de sócio inferior (ou superior, consoante perspectiva semântica) ao associado Costinha. Trinta mil e qualquer coisa, data de 1998, o dele. 1997, o meu, altura em que comecei a (poder) pagar quotas (estive posteriormente muitos anos sem pagar, shame on me, mas hoje está tudo felizmente regularizado).

Enfim, excelente entrevista e é pouco surpreendente (e pouco frequente) como pessoas por quem sentimos muitas vezes pouca simpatia, cativam-nos muito interesse assim versem livremente sobre temas com quem partilhemos fascínio, e temas que apesar de tudo terminaram já que a entrevista seguiu para campos onde a pouca simpatia por Costinha volta a manifestar-se, não sentindo especial interesse em desenvolve-los porque não quero atribuir ao «post» tons negativos: gestão desportiva que Costinha exerceu. Sobre tais assuntos, notas muito curtas:

. leio da parte de Costinha muita desresponsabilização e sacudir de água de um capote partilhado com o seu ex-presidente, José Bettencourt. Desportivamente, aquilo que me interessa: o dinheiro não era pouco nem muito, foi mal gasto, os plantéis foram mal desenhados, o treinador foi mal escolhido e isto é quase tudo, não questionando (porque não estou capacitado para tal) considerações que Costinha faz sobre influências de jornalistas e jornais para um mau ambiente gerado em torno do clube - para o que é fundamental interessam essas questões muito pouco - e só importam quando tudo o resto, o principal, é bem feito. O problema de Costinha é que o seu Sporting, naquelas que foram as opções principais, fez quase tudo mal feito, algo demasiado evidente com os resultados que se conhecem. Os jornalistas, códigos de conduta ou vestuário, entrevistas, televisões, Irene Palma, Correio da Manhã ou Hélder Conduto não são factores determinantes na leitura que devemos fazer do seu mandato, e quer-me parecer que Costinha perde(u) demasiado tempo com eles. A entrevista evidencia-o.

Resposta esclarecedora a uma excelente pergunta do André Carreira de Figueiredo: em termos de política desportiva quando constrói um plantel o que procura saber? Quer logo saber qual é a média de idades do grupo? «Não. Procuro saber a qualidade do plantel. A idade para mim é relativa (...) um jogador de 30 anos, ou de 32, 33 ou 34 que venha para a minha equipa e me garanta 30 jogos por época e títulos, esse jogador é que me interessa. Depois se o consegui vender ou não isso não me interessa, o que me interessa é se fui campeão».

Resposta estranha dada por um (ex) director para o futebol, alguém que tem de necessariamente possuir uma visão estratégica. Estratégico, como se diz. Para mim de estratégia pouco tem: bom senso. Costinha na entrevista falou do FCP, FCP esse que conhecerá extremamente bem: o tipo de jogadores que contrata (jovens). Olhe para aquilo que o Sporting fez este ano e perceba o tipo de jogadores que contratou (jovens). Quanto custou Carrillo e quem entre nós o conhecia antes de ingressar no Sporting? Ou Rinaudo. Lisandro, Hulk, Falcão. É o mais básico do básico: bons e jovens, porque clubes de futebol falidos, já que dos anos 80 para cá um clube de futebol é por definição uma coisa falida e tudo o mais são algoritmos, não podem dar-se ao luxo de contratar atletas que não poderão dali a 2, 3 ou 4 anos vender.

Regresso da simpatia, música para os meus ouvidos

Schaars
... parece-me um belíssimo jogador.

Protocolo (Cercle)
... não foi uma iniciativa minha, isso já vinha do Pedro Barbosa (...) estar na Bélgica e jogar contra um Genk, Gent, Anderlecht, etc dá um outro andamento aos jogadores saídos dos juniores em vez de irem para clubes da 2ª Divisão B onde por vezes nem sequer são titulares.

André Santos
... era suplente no Fátima, teve a oportunidade de ir para o Leiria e o Manuel Fernandes apostou nele e eu não tenho grandes dúvidas de que ele vai ser um dos grandes jogadores Portugueses. Tudo feito de uma forma humilde, ele nunca se queixa e trabalha sempre muito bem.

[obrigado ao André Carreira de Figueiredo por partilhá-la connosco]

Costinha, em discurso directo com André Carreira de Figueiredo

Posted on

Tuesday, 15 November 2011

1 Comment
  1. Excelente entrevista, que li agora, enquanto a manhã vai trazendo as cores às árvores, os sons aos carros e as roupas aprumadas às pessoas de boa índole. E de má, também, porque o mundo não foi feito só a Madres Teresas. Também há os outros.

    Excelente entrevista. Nota-se-lhe uma vaidade no falar, não sei se me entendes. Gostei do que disse, especialmente da forma frontal como o fez e particularmente da paixão que é evidente ter por futebol. Sabe do assunto, claramente, não tivesse sido o jogador que foi: depois de Paulo Sousa, o melhor médio defensivo português dos últimos 20 anos. Um jogador inteligente é um homem inteligente - disso ainda ninguém me convenceu do contrário. E passei grandes tardes a tentar encontrar a lógica entre genética futebolística e emocional. Não cheguei a conclusões definitivas.

    Agora tenho de ir fotografar e ver Lisboa, embora em trabalho, pelo ângulo das coisas belas.

    Ah, nota final: Le Tissier foi um enorme jogador. Não grande, enorme. Que tenha ficado pelo Southampton só diz dele como homem. Como futebolista, há muito está arrumado no panteão.

    ReplyDelete

Search This Blog