No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
O melhor do clube são as pessoas, mas não são quaisquer pessoas. Foram os nossos fundadores, atletas e treinadores. É a nossa história. O clube não és tu, não sou eu, nem «somos nós». São eles. As mensagens que publicarmos evidenciarão esse intuito, versando sobre a instituição, a sua notável história, acumulado de feitos presentes e passados, proeminentes homens que a serviram e ergueram, cumprimentando as suas memórias mas mais importante, preservando a sua autoridade, ainda que não vivam entre nós.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas.




Em 1989 entrei para a faculdade em Lisboa e no ano seguinte fui morar para essa cidade. O meu quarto situava-se na mítica Rua do Passadiço, número 1, mais adiante, no número 86, está a nossa primeira sede. Ora, a Rua do Passadiço é perpendicular à Rua do Telhal e era aí que morava o grande Osvaldo Silva, corpo magro, ágil, eterno sorriso num rosto simpático sublinhado por um bigode grisalho.
Conversava muitas vezes com o senhor Osvaldo, no café Sagres (ainda hoje existe, o senhor Zé, o dono, era um grande amigo do ex-futebolista que morava, precisamente, nesse prédio, uns andares acima).
Muitas vezes as nossas conversas versavam futebol, na altura, Osvaldo trabalhava nas camadas jovens do Sporting, em Alvalade e lembro-me de o ouvir dizer: temos lá um miúdo madeirense que poderia ser um dos melhores jogadores do mundo mas é muito individualista, pouco humilde embora goste de ouvir conselhos, vamos ver, vamos ver...
Lembrava-o muitas vezes dos três golos marcados ao Manchester, respondia-me sempre: Pedro, Pedro, nós nesse jogo jogamos com mais, nessa altura não havia substituições, sabia?
Passei cerca de vinte anos a pensar que se tinha lesionado ou tinha sido expulso algum jogador do Manchester mas não, aquilo que aquele eterno brincador queria dizer era que jogamos com mais vontade, com mais querer, com mais (ainda mais) orgulho na camisola que tínhamos vestida, aquilo que o senhor Osvaldo me queria dizer é que quando queremos muito, conseguimos.

Que o exemplo daquele 18 de Março de 1964 sirva de inspiração, nos sirva de inspiração a todos.

Osvaldo Silva, a eficácia dum eterno brincador

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Wednesday, 7 September 2011

3 Comments
  1. Caríssimo Pedro Oliveira,
    Um abraço comovido de um sportinguista de sempre! E um obrigado pelo fantástico post! E pelas imagens que nos recordam que o nosso Sporting é muito grande!...
    Obrigado também por nos ter trazido a recordação desse fantástico futebolista que foi Osvaldo Silva, por nos ter possibilitado recuar no tempo e por ter partilhado connosco um pequeno apontamento da sua juventude...
    É irracional eu sei, mas o amor ao Sporting não tem conta nem medida! Quando o queixo treme de comoção com o seu relato, mais palavras para quê?!...
    Um abraço leoninamente amigo

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  2. MM; 27, 700 Kg, diz-nos o A Bola ou seja quase 28; o quilo é igual ou litro, falamos, portanto, de quase vinte oito litros de suor deixados em campo por aqueles onze magníficos; no jornal vem especificado quanto «perdeu» cada um dos jogadores, Alexandre Baptista um menino da formação, um «stopper» (defesa central) lançado às feras, foi um dos que perdeu mais peso, metendo no bolso todas as estrelas «diabolicamente vermelhas» que lhe apareceram à frente como Law ou Best.

    João Simão; releia o que escreveu. Leia aquilo que escrevi na resposta aos outros comentários. Pense. Tente meditar sobre o tipo de pessoa que sou. Alguém

    Álamo, é sempre um prazer ler os teus comentários, pela alma sportinguista que brota em cada palavra que teclas, pela certeza que são sportinguistas, digo Sportinguistas, como tu que fazem que tudo isto faça sentido.
    O Sporting, para mim não é só um clube, é um coração imenso (esta imagem não é por acaso) que bate como mesmo ritmo, com a mesma vontade, com o mesmo querer, um orgulho imenso de pertença a uma grande família que se pauta pela honestidade, pela verdade, pelo trabalho por outras palavras... esforço, dedicação, devoção e glória, eis o Sporting.

    João Simão; releia o que escreveu, leia o que escrevi na resposta aos comentários de MM e Álamo.
    Fiz-me entender?
    Pessoas como eu jamais pretenderiam protagonismo só porque o pai foi um grande guarda-redes e um razoável treinador [Félix Mourinho vs. José Mourinho] no livro «Eu, Mourinho e o Benfica» João Malheiro, conta-nos o tipo de pessoa que José Mourinho foi (é) no balneário do Rio Ave, treinado pelo pai, Félix, Mourinho jogador despe a camisola verde e branca do clube, atira-a ao chão e diz algo como: «Então não jogo».
    O que pensaria Mourinho treinador da atitude de Mourinho jogador?
    Qual a autoridade dum treinador sobre um grupo de trabalho no qual o seu próprio filho se rebela em frente a todo o plantel?
    A minha suposta embirração com Mourinho não é gratuita é reflectida sobre aquilo que penso ser certo e errado; correcto e incorrecto; pessoas como eu, portanto, jamais chulariam os pais de forma a obter um curso universitário.
    Em 1987 existia uma coisa chamada Serviço Militar Obrigatório, não desertei, cumpriu-o, com 18 anos anos já estava em Mafra com uma G3 pendurada nos ombros, estudando o armamento do IN (Pacto de Varsóvia) e questionando-me sobre a irracionalidade de tudo aquilo.
    Em 1990 estava em Lisboa, não um menino imberbe chulando os pais,mas um homem, precocemente, envelhecido, procurando um sentido para a vida (trabalhei de dia [inclusive nas obras] para financiar o meu curso universitário e estudei sempre em horário nocturno).
    Quanto ao resto do seu «blá, blá, blá» não questiono, nem comento porque não foi nada disso que disse.
    De qualquer modo deixo-lhe duas questões:
    - Faria sentido o Guimarães ter vencido a Super Taça depois de ter sido goleado na final da Taça de Portugal? Isso provaria o quê?
    (como jogos de pré-época que são, faria mais sentido um torneio quadrangular com o vencedor da liga sagres, da liga orangina, da taça da liga e da taça da liga [ou os finalistas vencidos].
    Faria sentido o Valência (ou o Benfica) que ficou/ficaram a mais de 10 pontos do campeão, do respectivo, país serem campeões europeus?

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  3. Belíssimo texto... é um gosto lê-lo.
    Inspirador, mesmo.

    "aquilo que o senhor Osvaldo me queria dizer é que quando queremos muito, conseguimos."

    Acredito muito nesta frase. O "querer" é, sem dúvida, imprescindível para o "obter". Quando se quer muito, quando se tem vontade, as coisas simplesmente acontecem.

    Muito obrigada,

    Susana Almeida

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