“A substância fundamental do progresso desportivo do Sporting é um fogo clubista que incessantemente se acende. É o suporte de vida do espírito leonino; é uma matéria viva ...”


No que ao Sporting respeita: Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais: Este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas, bem como um depósito para comentários sobre diversos tópicos que vou deixando um pouco por toda a parte.
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Não cultivemos o hábito de inverter planos, ou papéis. Está a generalizar-se um tipo de discurso onde a lua fica na frente das folhas. Tal, é surrealismo. Os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting não têm de estar treinados (embora possam), nem avisados (embora devam), nem são os adeptos que tomam decisões nem eles servem para desculpabilizar as decisões tomadas por outros. José Eduardo Bettencourt e Francisco da Costa, o primeiro em dois anos e o segundo num, não semearam o desastre que o Sporting colheu para agradar aos adeptos ou para na prática reflectir e cumprir anseios populares. Fizeram-no porque são dois incompetentes com quem o Sporting teve o 'azar' de se  cruzar, e desse modo pouco ou 'nada' interessa aquilo que os adeptos acham ou não acham, nem há barulho que desculpabilize uma má sentença. O Sporting enquanto grande clube tem a obrigação de numa década ganhar pelo menos 3 campeonatos e meia dúzia de taças, porque é (pelo menos) o que fez durante quase 80 anos. Assim, um clube desta espécie - a quase todos os títulos e em todas as modalidades que pratica, vencedor - produz e chama a si adeptos com certas características: imbecis que só querem ganhar para que as suas vidas pareçam melhorzinhas, adeptos que frequentemente só sabem exigir, debitar sentenças parvas e chorar angústias. É a coisa mais natural do mundo. Quando as vitórias não aparecem (vai para quase 30 anos) é pois normal que sejamos - na generalidade - uma massa adepta insatisfeita. Da insatisfação nasce a frustração, e a decepção, materializável em actos e/ou discursos reprimidos, recalcados. Não existem, por norma, no Sporting, bons ou maus adeptos, nem o sportinguismo é uma qualidade questionável. Tal como tantas e tantas vezes li o Virgílio escrever, ainda que as palavras possam não ser exactamente estas: não há grandes, pequenos, maiores ou menores sportinguistas. Ou se é, ou não se é. Quer isto dizer que as diferenças entre sportinguistas não são de sportinguismo. Antes, diferenças entre pessoas. Há pessoas estúpidas e mesquinhas e existem pessoas menos estúpidas e menos mesquinhas.

E é basicamente isto que as diferencia.

Jovem? Excelente. Internacional pela Laranja Mecânica? Maravilha. Faz entre 20 a 25 golos por época? Soberbo. Cinco milhões e qualquer coisa de euros? Muito barato. A qualidade nunca é cara e falamos dum internacional Holandês, não dum internacional Húngaro ou Romeno. Posto isto, não faço ideia quem é o sujeito e desconheço por completo o jogador. No entanto, gosto dos elementos que o perfil descreve. Caso se revele um jogador mediano ou com pouca qualidade a culpa é minha agora que faço eco da satisfação pela sua contratação? Não.

A culpa é de quem o contratou porque tem acesso a meios que nós não temos, e tem a obrigação de saber aquilo que está a fazer antes de tomar decisões.

Further homage to Mallarme, who meditated upon the impossibility of handwriting upon a blank page. In this picture, the moon is rising in an impossible constellation. It is located in front of, and not under or behind the leaves

Só há vontade (boa ou má). The Blank Page.

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Saturday, 4 June 2011

1 Comment
  1. Bom texto. Não vou escrever que "está tudo dito", muito menos "temporização em posse" que ainda posso ser acusado de alguma ilícita.

    Por isso vou, além de escrever "bom texto" e para que não fique no ar um discurso de "entendido" que nada diz, abordar esta contratação. Pode ser? Obrigado.

    O jogador em causa, que tu não conheces e que muita gente não conhece e que eu conheço - fará isso de mim um entendido?, pergunto-me - é um jogador com qualidade elevada, se, e aqui é que a porca torce o rabo, devidamente enquadrado num plano de jogo que potencie as suas características.

    O ricky (para os amigos) é um jogador que gosta de movimentos lineares, simples, dentro da área mexe-se bem e tem presença forte, tanto nas bolas paradas como em jogo corrido, porque entende bem o movimento dos colegas e sabe aparecer sorrateiro por detrás dos defesas. Nesse sentido, é um Jardel pequenino. Pequenino não de altura mas de experiência e jogo ao mais alto nível. Mas tem tudo para, em Portugal, ganhar outro calo e explodir.

    Tecnicamente é normal, nem muito bom nem muito mau. É capaz de receber passes distantes mas não lhe peçam que interprete, por exemplo, um passe com um nível de dificuldad emais alto. Se o procurarem em tabelinhas, ele cumpre; se o meterem numa desmarcação, exigindo-lhe que pare, vire, finte o adversário ou descubra outras soluções é mais fraco. Por isso, convém ao Sporting duas coisas: exponenciá-lo na área (evitando movimentos laterais) e arranjar-lhe um companheiro móvel - Valdés seria perfeito, mas Vukcevic ou o próprio Yannick não serão más companhias.

    Depois, claro, convém ter um Matías em grande no miolo. Para que o jogo flua em mudanças rápidas de flanco para desmarcação e cruzamento. Logo, ter um bom extremo numa das alas - Salmoão está muito verdinho, o Sporting precisa de ir ao mercado - e dois laterais que subam bem. Neste momento, não existem. Evaldo de tempos a tempos lá aparece, mas é fraco. João Pereira é o que interpreta melhor a necessidade de subir em apoio mas Pereirinha seria outra máquina. Se Domingos conseguir criar mecanismos e uma cultura de jogo trabalhada, o Wolfie, para os amigos, pode ter uma boa primeira época em Portugal. Não lhe garanto já imediato sucesso porque ainda tenho de ver as escolhas que o Sporting fará para melhorar o plantel. Mas, sim, a escola holandesa está lá e a qualidade existe.

    E pronto. Agora está mesmo tudo dito.

    Ah, não, ainda não: um post que faz referência a Mallarmé terá sempre uma nota adicional da minha parte: perfeito. E agora vou ali que tenho de ir comer um leitãozinho da Bairrada.

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