Saturday, 25 February 2017

O fenomenal Jorge Jesus, caso de estudo

«E o Bas Dost acabou por marcar o 2º golo de penalty, não é? Um jogador que nunca marcou um penalty na vida dele, nas equipas onde andou, nem queria quando chegou ao Sporting, e eu pus-lhe a marcar penalties ... «Eu não sei marcar penalties» ... Não?, então vou-te ensinar. E já está a marcar e já fez um golo»

Como pode uma pessoa tão talentosa e genial ser ao mesmo tempo tão estreita, por vezes. Estreita não é o termo mas não encontro o que procuro. Há uma inocência em Jorge Jesus que é impossível não amar, e encontrar graça, associada à sua genialidade. Em certo sentido é realmente uma pena que tivesse escolhido o Sporting.
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A propósito de penalties não faço ideia do que fez Bas Dost (não vi o jogo). Desse modo, não faço ideia se a conversão do holandês merecia este nº de contorcionismo por parte de Jorge Jesus.
Em todo o caso, praticantes, futebolistas que porventura me leiam e adeptos em geral: vou ensinar-vos como se batem penalties. Como diria John Turturro só existem duas formas de fazê-lo: a minha, e a certa, e são ambas a mesma. Não existe outra forma (link).

Delfim, Bölöni, e Bruno de Carvalho. (O padrão que caracteriza o último.)

Como é timbre do actual presidente do Sporting, a falta de capacidade para encaixar posições contrárias à sua fá-lo amesquinhar, e tentar humilhar, todos aqueles que independentemente dos motivos não se revêem na sua liderança. Não é sequer necessário que os alvos do seu capricho constituam uma oposição. Basta que não o apoiem.
O presidente do Sporting é assim tão mesquinho.
É óbvio que Pedro M. Rodrigues, na óptica de Bruno de Carvalho, é um amador, zero à esquerda e simpatizante do Benfica. E é óbvio que László Bölöni, na óptica do presidente do Sporting, é uma pessoa sem grandes méritos com pouco para oferecer ao Sporting, não obstante um currículo e substância que falam por si. "Ficaria extremamente satisfeito que apresentasse, com a idade que tinham, Jardel, Niculae e João Pinto, juntamente com Bölöni", refere Bruno de Carvalho, esquecendo-se evidentemente de jogadores como Hugo Viana, Ricardo Fernandes, Ricardo Quaresma, Custódio, Luís Lourenço ou Cristiano Ronaldo. Esqueceu-se ainda, o palerma, da forma como no tempo em que representou o Sporting, László Bölöni geriu de forma notável duas necessidades, naquele período, difíceis de complementar: por um lado o imperativo de gerir as carreiras de jogadores veteranos como P. Barbosa, J. Pinto, R. Sá Pinto, André Cruz, Dimas, R. Bento ou P. Bento, e por outro a «obrigação» de reformular um plantel rejuvenescendo-o com jogadores da formação do Sporting. Estes dois objectivos viram-se plenamente atingidos e a promoção de jovens jogadores do Sporting foi, garantidamente, a principal razão que viu o treinador Romeno ingressar no Sporting, na temporada em que a Academia se viu inaugurada.

Logicamente, tal como para Pedro M. Rodrigues ou László Bölöni, também Delfim é alvo da mesquinhez de Bruno de Carvalho. De modo absolutamente lamentável e infeliz, afirmou o presidente do Sporting:

"Delfim quer fazer mal ao Sporting"
"O Delfim lembrou-se 10 anos depois que tinha uma lesão"
"O Delfim tinha um pontapé canhão, agora tem um negócio de agricultura"
Sobre estas afirmações recordo que Delfim não tem qualquer diferendo com o Sporting. Antes, com a empresa seguradora que trabalha(va) com o Sporting (Fidelidade). Recordamos ainda que  o antigo jogador de Boavista, Sporting e Marselha, entre outros clubes, viu-se impossibilitado de jogar ao longo de quase três temporadas (ao que chega a vontade de simular lesões, Bruneco), em virtude de sucessivas cirurgias ao joelho direito, quando os problemas de Delfim ficaram longe de se resumir ao joelho direito. O leitor poderá em todo o caso rever quatro anos negros em síntese. Por fim, a referência ao negócio de agricultura expõe de forma perfeita a pequenez e a natureza repugnante deste verme chamado Bruno de Carvalho.
De forma pouco surpreendente, olhado o registo sóbrio de Delfim, este reage ao presidente do Sporting com manifesta elevação. Diz-nos:

“O que terá pensado Octávio Machado a ouvir aquilo? Ele também está ligado à mesma actividade e faz parte da estrutura do Sporting. A agricultura é um hóbi, faz parte de mim, é um complemento a que me agarrei desde muito cedo face às lesões que fui contraindo, algumas delas devido a negligência médica. É o meu escape”

Noutra esfera, diz ainda:

“Não é fácil vermos alguém com a mesma influência de Adrien no equilíbrio da equipa. É difícil substituir Adrien. Ainda assim, Jorge Jesus é o melhor conhecedor das características dos jogadores e saberá encontrar alguém capaz de fazer o lugar sem que o colectivo perca qualidade

Tem Delfim mais qualidade num dedo que Bruno de Carvalho no corpo todo.

Friday, 24 February 2017

Pedro M. Rodrigues no debate de ontem à noite


"Somos muito diferentes"

"Ontem apresentei um nome para o coordenador do futebol e da formação. Finalmente vamos ter uma estrutura, coisa que não existe"

"Sozinhos não vamos a lado nenhum. Trago o Vitor Ferreira que começou com Bruno de Carvalho, mas saiu. Temos o Rogério de Brito. Temos Mário Saldanha para o basquetebol"

"Temos de voltar a colocar o Sporting nos lugares de decisão"

"A formação? Deixámo-nos apanhar pelos nossos rivais, embora a responsabilidade não seja só sua"

"Estamos fartos de ser processados, ofendidos. Você chamou-me imbecil, zero à esquerda e lampião"

"O Delfim saberá defender-se dos seus ataques"

"Foram ditas muitas coisas dispersas sobre Bölöni"

"Eu nunca disse que para se ser um bom líder tinha de se ter uma boa estabilidade familiar. Quanto ao IRS? É porque eu tenho estabilidade. Já me falaram do rendimento que você auferia antes de entrar, que era de dez, quinze vezes menos do que ganha agora no Sporting"

"Jorge Jesus tem ganho muito dinheiro"

"O tipo de gestão em que o clube acaba em 2.º e o treinador pede um aumento de 60% tem de acabar"

"Já que falamos de comissões, quem é Costa Aguiar? Porque recebeu tanto dinheiro com Bruno César?"

"O índice de aproveitamento tem sido muito fraco. Bruno de Carvalho sempre disse que ia ser o ano das contratações cirúrgicas a cada ano que passou. E não foi isso que aconteceu"

"Teremos uma equipa B a funcionar em condições"

"Bruno de Carvalho declarou que se não fosse campeão nos primeiros quatro anos, sairia do Sporting. Você, em 2013, disse que a medida de sucesso seria ser campeão. Continuo sem saber quem é Costa Aguiar e não vou massajar o ego de um treinador que já é, por si, muito egocêntrico. Falando de contratações, de mais de 60 milhões, conseguimos fazer um bom negócio com Slimani. Mas foram erros atrás de erros. Contratámos há pouco tempo 15 jogadores quando tínhamos miúdos da formação prontos para subir à equipa"

"Eu desestabilizador? E as figuras patéticas que você fez em Chaves? Felizmente as pessoas conhecem as relações que o presidente tem com os jogadores. Eu aguentei ao máximo a apresentação de Bölöni para não desestabilizar e não vou fazer como Bruno de Carvalho quando apresentou Marco van Basten há uns anos, onde fizeram uma festa enorme no dia em que o Sporting empatou em casa"

 "A equipa B é o corolário de uma má estratégia"

"Títulos para o futebol, infelizmente, só nos jornais"

"Ainda estou à espera para perceber a história dos 80 milhões de euros por Slimani"

"Ser anti-benfiquista ... Eu sou muito mais sportinguista do que anti-benfiquista, já o seu mandato é o mandato dos títulos do Benfica"

"De si estamos sempre a ouvir auto-elogios e já sabemos o que vai acontecer a seguir. Continuaremos a perder. Esta falta de cultura de exigência ..."

"Fique sabendo que o Sporting não vai acabar. O Sporting não vai acabar. Sabe quem é que disse que salvou o Sporting? Godinho Lopes. Soares Franco. José Roquette. E você. Como se compreende a venda de Montero? Sei que você não percebe muito de futebol"

"Com Bruno de Carvalho perdemos 25% do Sporting. Para recuperar isto, para poder pagar as VMOC'S, teremos de fazer um maior equilíbrio, baixar o orçamento para 45 /50 milhões. Já agora sobre Álvaro Sobrinho, o que me dizem lá fora é que ele é uma pessoa 'exposta politicamente'. Temos ladrado muito e mordido pouco. Eu não o chamei patético. O que é patético é a volta olímpica e a história do cuspiu, não cuspiu"

"Queremos recomprar a Academia porque está em nome do BCP. Eu até achava que era Millenium BCP mas é só o BCP. O que se exige de mim é ser presidente do Sporting Clube de Portugal. Eu quando tinha seis anos queria ser jogador do Sporting e não presidente, porque isso é saudável"

"Você é presidente pela remuneração e pelo reconhecimento público"

"Eu desestabilizo? E a atitude vergonhosa com Marco Silva? Sabe quem foi a primeira pessoa que disse que o Sporting não ia ser campeão este ano? Jorge Jesus. Sobre a área financeira gostava de perceber a questão dos fundos. Não sou contra os fundos bem geridos, podem ser importantes. Aqui houve um volte-face: Russos, Americanos e agora o Cáala. E a Traffic"

"A culpa nunca é sua, da pessoa que diz que tem o know-how. Da pessoa que tem curso de treinador e que até dá instruções aos jogadores quando entram em campo"

"Temos de ser credíveis e nós andamos a aprender a mentir. Na história dos números da bilheteira martelados, como exemplo"

"A cultura do medo: não se lembra de chamar abutre, lampião, rato? A comunicação que eu quero para o Sporting é outra"

"O sacrifício da exposição de Bruno de Carvalho foi nosso, dos sportinguistas. Tive de sair de uma intervenção na AG em que ele falava num tom ordinário. Esta ideia da Sporting Rádio? O nosso rival também fala nisso e lá vai ele atrás. Sabe onde estão os notáveis, aqueles que se servem do Sporting? Na sua lista de Comissão de Honra. Eu não quero o José Maria Ricciardi"

"Viva o Sporting"

Poderá rever o debate completo aqui.

Thursday, 23 February 2017

Bruno de Carvalho no debate desta noite

Além da capacidade que o moderador do debate, Rui Miguel Mendonça, exibiu para interromper Pedro M. Rodrigues sob qualquer pretexto ao passo que deixou Bruno de Carvalho discursar a seu bel-prazer, e a par do interesse e da insistência que o presidente do Sporting demonstrou durante quase meia-hora por assuntos importantíssimos para o clube como os «posts» de Vitor Espadinha no facebook, o debate desta noite fica marcado por ideias como:

"Delfim é uma pessoa que quer fazer mal ao Sporting", porque a dada altura iniciou um processo em tribunal contra a seguradora que trabalha com o Sporting.

"Mário Saldanha afastou-se do Sporting porque tirei os business seats (lugares no estádio) aos membros do Conselho Leonino"

"Somos pioneiros no videoárbitro, estamos na FIFA, no Parlamento, e na UEFA"

"A nossa equipa tirou o Sporting do 7º lugar e colocou-o em 2º"

"Na última época não fomos campeões por azar e influência de terceiros", a leste dos motivos por trás da perda do título na época passada. (Como a actuação no mercado de Inverno, André Carrillo, Fredy Montero e uma política patética de comunicação que alimentou permanentemente a equipa do Benfica.)

"A média desta direção é três épocas por Taça de Portugal e três épocas por Supertaça"

"O Delfim tinha um pontapé canhão, agora tem um negócio de agricultura", versando novamente sobre o ex jogador do Sporting.

"Jorge Jesus não ganha demais"

"Eu contribuo para a sociedade com uma fundação"

"Se você trabalha desde os 18, eu trabalho desde os 16"

"Eu ganhei 2 títulos Europeus para o Sporting"

"Nós estamos aqui a ser sérios"

"Subimos fortemente naquilo que é os sócios e nos rendimentos dos próprios sócios"

"Estamos equilibradíssimos naquilo que é proveitos e gastos operacionais, repito, sem vendas de jogadores"

"Quanto ao Montero ... o Téo marcou 16 golos"

"A verdade dos factos é que o Sporting tem de continuar este crescimento sustentado"

"A nível das modalidades nunca crescemos tanto"

"Fizemos obras na Academia como nunca foram feitas"

"Fomos nós que fizemos as primeiras obras de manutenção neste estádio, porque para mim manutenção não é mudar lâmpadas. Não quero concretizar mais porque amo muito o clube"

"Não avancei para o voto electrónico porque apesar de me acusarem de ser ditador, era para mim muito confortável fazer o voto electrónico e depois ter um informático aqui ao meu lado a inventar os dados"

"Estamos em vários centros comerciais do país. Estamos no Vasco da Gama"

Wednesday, 22 February 2017

Boas notícias, Sporting


László Bölöni, um nome muito forte e uma belíssima escolha para coordenador do futebol e da formação. (Sobre Delfim não tenho infelizmente qualquer opinião sobre a sua inclusão na estrutura de futebol do clube. O jogador Delfim traz-me evidentemente muito boas recordações mas nada que se relacione com as funções que desempenhará, em caso de vitória de Pedro Madeira Rodrigues.)

A descrição (Bölöni) "coordenador do futebol e da formação" antecipa, para o Sporting, o regresso daquele que é provavelmente o cargo mais importante em qualquer estrutura de futebol, a par do treinador: director técnico. A existência desta função que nos tempos que correm caiu de certo modo em desuso, quando bem preenchida (e o Romeno dá todas as garantias), é a forma mais eficiente de reformular e reestruturar um departamento de futebol acostumado a falhar nas principais decisões que toma, sobretudo na esfera dos jogadores (entradas, saídas, renovações, permanências, promoções). Inclusivamente na esfera da escolha de treinadores para a equipa principal ou outras. Os últimos directores técnicos de excelência que o Sporting teve foram Jesualdo Ferreira (durante uns meses) e Carlos Queirós na década de 90. Na prática e não como um mero título num organograma, só faz evidentemente sentido falarmos em director técnico quando o elemento que desempenha a função exibe uma fortíssima vocação no plano técnico, isto é: entendimento sobre futebol, sobre o jogo.

É o caso de László Bölöni (caso nada de muito estranho tenha acontecido ou mudado com a / na sua pessoa). Um regresso mais do que bem-vindo, caso se concretize. Logicamente, espero que se concretize porque terá significado uma vitória da Lista A nas eleições.

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Sem que tenha qualquer importância para o assunto, mas relacionado a László Bölöni que é para todos os efeitos um dos mais poderosos Romenos de todos os tempos, podemos revisitar o dia 05 de Novembro de 1986: Sporting CP 2 - 1 FC Barcelona, e a subsequente eliminação da equipa portuguesa pelo critério de golos sofridos em casa. Os homens de Barcelona seguiriam em frente e seriam mais tarde eliminados pelos escoceses do Dundee United. De que FC Barcelona falamos? Daquele que também em 1986 mas a 7 de Maio, no Ramón Sánchez Pizjuán em Sevilha, perdeu a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus para um Romeno muito especial, um dos capitães do Steaua de Bucareste e campeão Europeu em 1985/86, o sportinguista László Bölöni que 16 anos mais tarde festejaria um triplete ao serviço do Sporting, conquistando campeonato, taça e supertaça. Vamos a isto László, eu acredito.

Monday, 20 February 2017

Sobre o inalienável direito dos sócios do Sporting Clube de Portugal à não divulgação pública dos seus dados pessoais

Provavelmente relacionado com a mentira de propalados 150 mil sócios e com outros motivos de natureza diferente (mais difíceis de descortinar), a Mesa da Assembleia Geral presidida por Jaime Marta Soares recusa-se a cumprir os regulamentos internos do clube não publicando os cadernos eleitorais no site do Sporting para consulta de todos. Com publicação dos cadernos eleitorais entende-se nome do sócio e nº de votos a que tem direito, nada mais (como morada, endereço de e-mail ou qualquer outra informação pessoal). Tal como alerta Pedro M. Rodrigues e tal como alertam outros associados, mais do que falta de independência e parcialidade esta situação incorre em ilegalidade. Uma vez que estamos a menos de 15 dias da realização do acto eleitoral,  e a data limite para a publicação dos cadernos já se viu portanto ultrapassada, esta ilegalidade é suficiente para que as eleições possam ver-se impugnadas.

Em comunicado emitido ontem sobre este caso, diz Jaime Marta Soares:

«É entendimento da Mesa que o previsto nos Estatutos e no Regulamento da Assembleia deve, ainda, ser conformado com o inalienável direito dos sócios do Sporting Clube de Portugal à não divulgação pública dos seus dados pessoais»

Recordo que a publicação deverá envolver um nome e o nº de votos a que esse nome terá direito, nada mais. (Lembro-me de consultar os ditos cujos em 2013 e não me recordo se o nº de sócio também constava na informação publicada.)

Em todo o caso, para efeitos de denúncia da desonestidade, do descaramento e da hipocrisia que se apoderou do Sporting, pegando na justificação de Jaime Marta Soares com o «inalienável direito dos sócios do Sporting Clube de Portugal à não divulgação pública dos seus dados pessoais», relembro o que fez Bruno de Carvalho, a Mesa eleita pelas suas listas em 2011, bem como a sua lista em 2013 (da qual fazia parte Rui Morgado, mas adiante) aquando das últimas eleições. Nessa altura, perante dados contendo informações pessoais (pelo menos moradas) fornecidos não ao público mas às listas concorrentes às eleições, Bruno de Carvalho usou-se dessa mesma informação para contactar directamente os sócios do Sporting que receberam em casa cartas com panfletos eleitorais da lista por si encabeçada.

Esta situação na altura desagradou a muitos associados que naturalmente entupiram os serviços do clube com queixas e pedidos de informação, a fim de saber quem disponibilizara as suas moradas para efeitos eleitorais.
Mais ninguém o fez. Só Bruno de Carvalho e a sua lista.

Sunday, 19 February 2017

Dá para trocar Bas Dost por Rui Fonte e Zeegelaar por Pedro Santos?

São 2 internacionais holandeses ...

Em Outubro de 1996, numa visita do Sporting ao Saint-Symphorien em Metz, estádio de onde saiu derrotado por 2-0, o adjunto de Robert Waseige ficou de olho num médio francês que dava pelo nome de Didier Lang. No final da temporada, o mesmo adjunto, agora como treinador principal, indicaria a contratação deste jogador por parte do Sporting ao emblema gaulês. Poucos meses depois, no primeiríssimo jogo do Sporting na renovada Liga dos Campeões Europeus, a equipa de Octávio Machado, Oceano, Pedro Barbosa, Leandro, Afonso Martins e Beto, demoliria no mítico estádio José Alvalade o fortíssimo AS Mónaco de Jean Tigana, David Trezeguet e Thierry Henry por estrondosos 3-0. Este mesmo AS Mónaco só cairia nas meias-finais da prova aos pés da poderosa Juventus de Marcello Lippi, com um resultado de 4-6 no conjunto das duas mãos.

De Didier Lang não sobram muitos relatos da sua passagem por Alvalade. Ainda assim, quem tem memória recorda-se de quem meteu a bola na cabeça de Oceano para o primeiro dos 3 golos apontados à equipa francesa. Quem tem memória recordará, ainda, que cada pontapé de canto ou livre a favor do Sporting batido por este francês era o equivalente a meio-golo.

Didier Lang. Como ganhar só com bolas paradas.

Rui Patrício, 400 jogos e 10 anos de um dos melhores na sua história

Olhada a importância na equipa do Sporting e o brilhantismo de largas centenas de intervenções nos últimos 10 anos, o vídeo de homenagem que o Sporting compilou e exibiu ontem no estádio (link) não é particularmente feliz e está longe de fazer jus ao seu guarda-redes. Ainda assim, exibe 5 ou 6 momentos reveladores das maiores qualidades daquele que é, sem dúvida, um dos melhores guarda-redes na história do Sporting e, a par de Ederson, o melhor guarda-redes do campeonato português.

Além de um exemplar profissional e capitão do Sporting, quais são as características que fazem de Rui Patrício um guarda-redes especial? Somente duas: saída da baliza aos pés dos adversários em situações de 1x1 e muita qualidade entre os postes. É sobretudo a primeira que faz dele um guarda-redes sinónimo de pontos. Parabéns Rui Patrício.

Quando daqui a 10 longos anos te retirares, sentiremos todos a tua falta.

Saturday, 18 February 2017

Bruno de Carvalho insiste nas mentiras

«É falso que já estava feita (reestruturação financeira) quando esta direção chegou. Encontrámos documentos de três folhas focados na SAD e nos seus capitais. E estavam mal feitos: não resolviam nada. Apenas estávamos a adiar o problema até final da época, e com os novos resultados negativos previstos voltaríamos à situação de capitais próprios negativos. Só ficavam positivos durante três meses. O clube fechava as modalidades, à exceção do futsal; o pavilhão não se construía, a dívida da SAD à banca aumentava em 120 milhões. O montante era tão monstruoso e incontrolável que não tinha como se pagar. O Sporting iria falir ... a realidade era de tal modo trágica, que o diretor financeiro estava a negociar um PER com os bancos. Fizemos uma verdadeira reestruturação financeira que nos devolveu ao nosso nível»

Bruno de Carvalho em declarações no dia de ontem, aqui.

A reestruturação financeira a que Bruno de Carvalho faz referência remete para 2013 e ao plano que entretanto aprovado permitiu aos sportinguistas perceber, ao contrário do que o próprio Bruno de Carvalho repetiu durante muito tempo, que os principais credores e financiadores do clube não estavam / estão, evidentemente, interessados num cenário que veja o Sporting impossibilitado de prosseguir com a sua actividade, ou num cenário que o veja incapaz de cumprir as suas obrigações. De igual modo, não estavam / estão interessados em tomar nas suas mãos os destinos duma SAD de futebol.
O plano de reestruturação financeira que Bruno de Carvalho assinou pôs então termo à diabolização cujos alvos foram o BCP, o BES e tantos conselhos directivos que presidiram aos destinos do clube. O mesmo plano permitiu ao Sporting, pela centésima vez, ancorar-se na disponibilidade desses mesmos credores que lhe deram (Sporting) uma nova oportunidade para que com a renegociação e os novos meios disponibilizados (novos empréstimos), tratasse de resolver aquilo que verdadeiramente o penalizava / penaliza: uma gestão desportiva deficiente onde os equívocos se foram somando e sucedendo.

Para este efeito, duas notas.

1) Ao contrário do que Bruno de Carvalho afirmou ontem, era do domínio público que o anterior CD (Godinho Lopes) pedira ao então presidente da mesa da AG, Eduardo Barroso, numa altura em que se via discutida a entrada do requerimento para uma AGE que visava demiti-lo (CD), tempo para que a ultimada reestruturação financeira se visse proposta e aprovada. A dita reestruturação existia, viu-se formulada em conjunto com o BES, o BCP, foi apoiada pela KPMG, e fora arquitectada por Luís Godinho Lopes tendo-se visto, inclusivamente, em cima da mesa nas reuniões iniciais que Bruno de Carvalho manteve com os parceiros bancários aquando da sua chegada ao clube. É referido sobre essas reuniões que tendo sido pedidos à banca valores na ordem dos 90, 80 e 70 milhões de euros, os parceiros bancários não só impuseram a Bruno e Carvalho um limite de 45 milhões de euros, como o aconselharam a consultar o plano de reestruturação financeira elaborado por Godinho Lopes, plano esse que em muitas matérias não divergia naturalmente daquele que Bruno de Carvalho assinou.

2) Como parte do plano de reestruturação financeira, relembro que os direitos de superfície do estádio e o edifício multidesportivo de Alvalade viram-se hipotecados como oferta de garantia pelas responsabilidades assumidas junto dos bancos. Antes disso, aprovou-se a fusão por incorporação da Sporting Património e Marketing (SPM) na Sporting SAD, com a consequente extinção da primeira, projecto de fusão igualmente arquitectado pela anterior direcção do Sporting em 2012 e que se viu concluído pela actual.

Sobre semelhante projecto de fusão, afirmava Bruno de Carvalho em Março de 2012: «gestão hedionda», Bruno Carvalho está contra a fusão da Sporting SAD com a Sporting Património e Marketing, «o que está a acontecer é gravíssimo e é o culminar de uma gestão hedionda. É uma tentativa desesperada de tentar valorizar a SAD para um possível comprador», berrava então Bruno de Carvalho garantindo que quem lhe antecedeu não iria fazer os sportinguistas de parvos, apelando, inclusivamente, à Mesa da Assembleia Geral para que interrompesse o processo e cumprisse as suas funções: «Defender os estatutos do Sporting e defender os sócios».

O mesmíssimo plano de fusão que este pequenino mentiroso assinaria.

Regressando ao plano de reestruturação financeira e só a esse, mesmo que não se conheça o detalhe ou a progressão no tempo da sua elaboração, é muito fácil perceber que aquilo que Bruno de Carvalho afirmou não passa de mais uma da suas habituais mentiras, olhada a forma superficial e demagógica como mistura essa mesma mentira com outras relacionadas ao «fechar de todas as modalidades à excepção do futsal». Quanto mais descarada a mentira mais facilmente passa entre os pingos da chuva ...


Tal como se afirmou há umas semanas, é preciso ser-se muito tapado para se falhar no retrato deste indivíduo, personagem rasteira cujo único propósito é o de instrumentalizar os sportinguistas salvaguardando a posição de poder e a notoriedade que alcançou através do Sporting. Bruno de Carvalho só é isto.

José Couceiro na «mouche» e uma nota muito pequena sobre as eleições

«O Vitória e o Sporting sempre se deram bem. Pena que alguns (Bruno de Carvalho) não conheçam a história e tenham atitudes que não deviam tomar. Estava preparado para que não jogassem. (Referência a André Geraldes e Ryan Gauld.) Na manhã antes do jogo, no treino, perguntei aos dois se alguém tinha falado com eles ou se se sentiam condições para jogar. Eles sabiam que até tinha preparado dois onzes diferentes. Só depois é que tive conhecimento do telefonema que tinha sido feito para não jogarem. Porque não me ligaram a mim? Nestes casos entendo que as relações e o bom senso deveriam prevalecer, até porque é uma estupidez existir uma regra na Liga e outra na Federação. Os grandes prejudicados foram os jogadores. O presidente do Vitória actuou no seu sentimento de razão. Mas é um conflito que não faz sentido, na minha opinião, e lamento que a questão se agudize sem conhecerem a história entre os clubes. Essa é que é a verdade» -- José Couceiro, declarações reproduzidas aqui.

Não tenho versado muito sobre o acto eleitoral de 4  de Março por essencialmente dois motivos: falta de vontade e uma notória falta de conteúdos sobre os quais valha a pena versar, por parte de ambos os candidatos.
Se nalguma coisa para muitos mas não todos (os sportinguistas) existe acordo, será no entendimento de que a gestão do Sporting nos últimos 30 anos resume-se no mínimo como problemática. O período 1988-2017 que compreende Jorge Gonçalves, José Sousa Cintra, Pedro Santana Lopes, José Roquette, António Dias da Cunha, Filipe Soares Franco, José E. Bettencourt, Luís Godinho Lopes e Bruno de Carvalho lê-se globalmente como nocivo. Dois nomes desta lista destacam-se positivamente: José Roquette e António Dias da Cunha. Já os restantes foram claramente insuficientes com um sexteto, mais do que insuficiente, pura e simplesmente mau: Jorge Gonçalves, Pedro Santana Lopes, Filipe Soares Franco, José E. Bettencourt, Luís G. Lopes e Bruno de Carvalho.

Os tempos mudam, o clube muda, mas as dificuldades mantêm-se.

A tendência por parte de quem nos dirige para a falta de acerto, para a falta de vocação nas áreas que se propõem dirigir, para a superficialidade, para a demagogia, para o aproveitamento e para a iniquidade parecem (quase) fazer parte da natureza do Sporting no último 1/3 do tempo que leva de vida. Como agravantes, habitamos um meio profundamente hipócrita, instrumentalizado e fazemos parte de uma sociedade altamente mediatizada. Por existirem muitos mais agentes e veículos de informação, existe incomparavelmente mais quantidade de informação, mas não existe mais conhecimento e não existe mais verdade quando esta, ao contrário da informação, chega a menos gente. Por arrasto, existe muito julgamento, em face da hipocrisia, mantido sempre sobre os outros. As más escolhas serão por isso inevitavelmente frequentes.

Os últimos 30 anos do Sporting evidenciam-no e esta responsabilidade recai sobre os seus sócios e adeptos.

O jogo não é só um jogo. É uma actividade. E a activiade resume-se de grosso modo em negócios invariavelmente nocivos. Desde há sensivelmente duas décadas e meia a esta parte o futebol transfere largas dezenas e centenas de milhões quando nem sempre foi assim. A diferença está no panorama que hoje movimenta verbas absolutamente pornográficas e no qual  os mesmíssimos 'crimes', a mesmíssima falta de acerto, têm / tem repercussões bem mais severas na vida dos clubes. Mas a incompetência, no Sporting, é  uma história muito antiga e transmite-se de uns para os outros. Não existam sobre isto grandes dúvidas. Deste modo Bruno de Carvalho não tem, nesta esfera, qualquer exclusivo, afirmando-se somente como uma personagem negativa entre mais. Ainda assim,  por qualquer motivo, existe quem considere que as soluções para os problemas do clube ver-se-ão miraculosamente atingidas com a sua saída, como se tal fosse suficiente, por si só, para validar uma alternativa.

Não tenho dúvidas que Pedro M. Rodrigues, a nível pessoal, dá 10-0 a Bruno de Carvalho em qualquer aspecto. É uma pessoa honesta, íntegra, não precisa do Sporting e gosta muito dele: tal honestidade oferece inquestionáveis garantias. Contudo, PMR terá, teria, de afirmar-se igualmente como um bom pretendente ao cargo de presidente de um clube desportivo, quando tal envolverá, envolveria, entre outras coisas, mostrar-se vocacionado para tomar decisões nas principais áreas a que o Sporting se dedica: desporto e futebol. PMR não o mostrou. Ao longo dos próximos 4 anos terá muito tempo para o fazer, assim a sua vontade de presidir aos destinos do clube seja genuína, e não se quede por um simples desejo de afastar a personagem negativa que actualmente dirige o Sporting.

Wednesday, 15 February 2017

Tuchel, Rui Vitória e a importância de termos um excelente treinador



Dois pequenos trechos que embora descontextualizados nos mostram aquilo que fundamentalmente separa treinadores como Rui Vitória (por quem sinto algum apreço), de monstros como Thomas Tuchel ou Jorge Jesus. Tuchel e Jesus preparam / capacitam as suas equipas naquilo que é o mais importante no futebol de 11: competências tácticas dos seus jogadores. Se o jogo fosse de 3x3 ou 4x4 seria sempre mais forte e ganharia invariavelmente a equipa que tivesse os melhores jogadores. É por isso, é por jogos como aqueles frente ao Nápoles, é por jogos como o da Luz frente ao Sporting, é por jogos como o do Dragão, é pelos jogos frente ao Vitória de Setúbal, é por jogos como o de ontem onde o Benfica foi uma equipa fraquíssima, profundamente incapaz e inábil, que na minha opinião apesar dos bons resultados, nos quais se poderão incluir um bicampeonato e muito boas campanhas Europeias, é um erro desvalorizar as notórias insuficiências de Rui Vitória na sua principal missão como treinador: treinar, ou na forma como não prepara a equipa do Benfica (não sei se a prepara mal ou se simplesmente não a prepara).

Recordemos uma vez mais não porque me interesse massajar o ego de Jorge Jesus, mas a bem do Benfica: "Nunca conseguimos jogar de forma natural. Em nenhuma fase da partida conseguimos fazer o nosso jogo. Foi incrivelmente difícil para nós. Quisemos quatro médios a controlar o jogo mas não foi possível executar." -- Tuchel depois da visita do Sporting à Alemanha
Com um treinador do melhor que existe no mundo e uma equipa com jogadores especialmente bons, por que razão não conseguiu o Dortmund, no seu campo, jogar frente ao Sporting?

A: Porque o Sporting é treinado por Jorge Jesus e tal como Tuchel, JJ é um treinador muito especial.

Uma vez mais: nada tenho contra Rui Vitória. Só não se diga que o seu Benfica "é uma equipa digna de Sachhi" porque isso não é manifestamente verdade. Com 12 sessões de treino para preparar o jogo (não seria preciso mais), alguém que conheço e que até é melhor do que JJ, por aliar enormes qualidades humanas fora do campo de treinos ao génio no campo de treinos, teria dado incomparavelmente melhor réplica ao Borussia Dortmund.

Tuesday, 14 February 2017

"Este resultado é ridículo. Nunca tinha visto tanto domínio duma equipa sobre outra a este nível" -- Thomas Tuchel

Mas primeiro, Rui Vitória.
Basta um resultado caído do céu para regressarmos às banalidades. É pena.

RV: Hoje quero dar os parabéns a este público maravilhoso que foi incansável no apoio à nossa equipa. Esta vitória foi conseguida por eles, pelos milhares que estiveram aqui, a alma que nos transmitiram, a atmosfera que criaram num estádio e num clube como o Benfica habituado a estas andanças. Isto não me surpreende, trabalhamos dia a dia neste clube. Este resultado pode talvez ser visto como uma surpresa, mas só para quem não viu o jogo: lutámos muito, sabíamos que tínhamos as nossas armas, fomos muito solidários, soubemos sofrer, tivemos alguma sorte é verdade mas acreditámos até ao fim, e acima de tudo, desejávamos muito oferecer uma prenda à família benfiquista.

- Muitas dificuldades para a 2ª mão ... o que espera do jogo na Alemanha?

RV: Espero o que espero sempre. Os objectivos é ganhar, porque se assim não for, não temos grandeza para trabalhar neste clube. Espero isso.


Este resultado é ridículo. Nunca tinha visto tanto domínio duma equipa sobre outra a este nível. -- Thomas Tuchel

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Em nenhuma fase da partida conseguimos fazer o nosso jogo.
(O mesmo Tuchel em Novembro, após o jogo com o Sporting na Alemanha.)

Monday, 13 February 2017

Até que enfim Rui Vitória


Que me aperceba, Rui Vitória aparece pela primeira vez em 2 anos numa CI desenvolvendo tópicos relacionados com a sua equipa e os seus jogadores, fugindo às banalidades e ao vazio de conteúdo a que nos habituou.

Deste Rui Vitória (nas CI) eu gosto muito mais.

Sunday, 12 February 2017

Que melhor forma de rapidamente ganhar moral, Podence

Apesar de só ter entrado para os últimos 20 minutos, a qualidade e o contributo de Podence em Moreira de Cónegos evidencia a importância que este jogador, ou outros como ele, têm numa equipa com as aspirações do Sporting. Numa comparação que faz sentido, recorde a última temporada na qual não foi complicado manter o acerto defensivo apesar de em Janeiro termos "mudado" de laterais. Antes, complicada foi a capacidade de manter a produção atacante (criação de jogadas, não de golos) a partir do momento em que o Sporting perdeu, por sua livre e espontânea vontade, um jogador como Carrillo.
O 2º golo do Sporting frente ao Moreirense exemplifica o que há 2 meses se disse aqui. Para uma equipa como a nossa não chega ter o melhor guarda-redes, ter o melhor 6 da Liga Portuguesa (William), ou ter Adrien. Nunca chegará. Apesar de nem sempre se destacarem pelo critério, as características de desequilibradores natos da qualidade de Podence ou de Carrillo oferecem-nos possibilidades grandes de sermos felizes. Foi o que aconteceu esta noite e esta qualidade tem de se fazer presente. Na perspectiva individual, o contributo para a reviravolta no resultado é uma enorme e bem-vinda injecção de moral num jogador que procura o seu espaço dentro do Sporting.

Saturday, 11 February 2017

Parabéns aos grandes e novos campeões Europeus da modalidade. Sê-lo-iam sempre (campeões) independentemente do resultado alcançado em Malmö.

E felicitações, a dobrar, por se tratar duma modalidade do desporto adaptado.

Campeões da Superliga Europeia de Goalball (SEGL), 2016-2017
Com esta vitória, são agora 25 os títulos Europeus conquistados por equipas do Sporting CP em competições seniores, masculino e feminino, em 5 modalidades desportivas diferentes. De modo extraordinário e de longe o melhor palmarés exibido por qualquer clube desportivo português.

Treinadora Márcia Fernandes: "é uma grande conquista perante as grandes equipas do mundo, na maior prova em competições por equipas".

Em frente, Palhinha. Muito bem, Jorge Jesus.

Lendo o que agora afirma o treinador do Sporting, foi também esta a impressão com que ficara das suas declarações após o jogo com o FCP, em particular no uso do termo guião. As declarações foram descuidadas mas Jorge Jesus nunca pretendeu responsabilizar Palhinha pelo jogo menos conseguido do Sporting (durante 30 minutos), ou pelo resultado ao intervalo. Em todo o caso, JJ esclarece o que em boa verdade nem era preciso esclarecer, de tão evidente que era:

Que fique isso esclarecido, o que eu disse foi que o Palhinha não levou o guião certo. Normalmente, nas minhas equipas quem passa o guião aos jogadores sou eu. Eles é que executam, mas sou eu que os transmito. Se ele não levava o guião certo, a responsabilidade é minha, pois não transmiti o que eu queria
O Palhinha é um jovem com muito futuro. Quiseram arranjar aqui problemas. Ele ficou tão afetado com esse problema psicológico que nem treinou durante a semana. Mas hoje recuperou, pois leu a entrevista do Javi García e pensou ... eu também quero ser um jogador como o Javi García. Quero ser grande como ele ... Quiseram arranjar aqui um problema. É que há uma marca que está há muito tempo no top em Portugal e que vende muito.
Sabem como se chama essa marca? Cotovelite! -- Jorge Jesus

Friday, 10 February 2017

Notas: Zupo como pretexto para algumas considerações sobre as modalidades e a reconfiguração visual do Estádio José Alvalade

Na sequência da derrota há 2 dias com o FCP no Casal Vistoso, e da demissão hoje de Zupo, podemos pegar no andebol e desenvolver algumas ideias sobre a orientação do clube para as modalidades e sobre a relação de forças  desproporcionada entre o futebol e as restantes modalidades que o Sporting pratica. Esta desproporção é infelizmente comum a todas as direcções que o clube teve. Sobre a primeira e começando pelo mais evidente, ninguém (espero) duvidará que o presente e o futuro das mais importantes modalidades do Sporting, trate-se de atletismo, andebol, natação, ginástica, hóquei, futebol, futsal, entre outras, passa pelo compromisso com as suas estruturas de formação. O caminho e o estrondoso sucesso que o Benfica vem trilhando nos últimos 15 anos em 3 ou 4 modalidades que pratica é sobre esta matéria o melhor exemplo que poderíamos ter, e o melhor exemplo que poderíamos porventura copiar. Tal como demonstram os resultados que o andebol e o hóquei do Sporting vêm obtendo, jamais atingiremos consistentemente sucesso pelo simples facto de termos nestas modalidades (entre todos os clubes) os maiores orçamentos, ou atirando dinheiro para cima delas. Tais método e estratégia, ou ausência deles, resultará no futebol feminino onde Benfica e FCP não competem, mas não resultará de grosso modo nas principais modalidades onde pelo menos 1 destes 2 clubes (ou ambos) marque(m) presença. Diria ainda que tratando-se o compromisso com a formação da forma mais difícil mas eficiente que nos permitirá em toda e qualquer secção atingir sucesso, para um clube da natureza e da grandeza do Sporting, esse sucesso terá invariavelmente de se traduzir na obtenção de títulos - não sempre, por não ser possível (ao Sporting ou a qualquer outro), mas regularmente. Em suma, qual será o método mais inteligente de contarmos com os melhores praticantes nos desportos A, B, C ou D? Recrutando-os e formando-os muito antes de se tornarem profissionais. Daí, não é difícil perceber que a estratégia da actual direcção do Sporting não garante e garantirá jamais a consolidação de práticas vencedoras nestas modalidades, resumindo-se, tal como é pelos próprios admitido, na visão pequena de «sermos campeões em todas as modalidades em ano de eleições». Mau demais para ser verdade ...

Ainda assim, de forma puramente teórica, mesmo que o tal compromisso com a formação existisse (não existe) e se traduzisse nos mais variados escalões em acções, práticas e resultados de excelência, presumiremos que ter a melhor formação não é suficiente na luta que o Sporting trava com os seus adversários e rivais pelo sucesso nestas modalidades, algo que nos conduz ao segundo tópico: a relação de forças desproporcionada entre o futebol e os demais desportos onde o clube tem equipas a competir. Neste sentido, a acompanhar o vínculo com a formação, é indispensável que os orçamentos do Sporting salvaguardem os recursos necessários que permitam às mais variadas estruturas a constituição de equipas fortes capazes de disputar títulos, tornando-se intuitivamente claro, para mim, que o Sporting não deverá recuar nos actuais orçamentos para as modalidades. Em tudo o que extravase futebol não é errado termos os maiores orçamentos, errada é a forma como se veem aplicados, e é aqui que a desproporção para o futebol, mencionada ao início, se torna gritante. Em termos mais ou menos simplistas, em futebol e só para este, onde ao nível de jogadores e de treinadores existem tantos gatos e tantas lebres (e em muitos casos uns e outros custam sensivelmente o mesmo), tanto poderemos com inteligência e com boas opções discutir e vencer títulos com orçamentos de 50 milhões, como com orçamentos de 35 milhões, da mesma forma que tanto nos poderemos resumir à luta por 2ºs e 3ºs lugares (participação na LC) com orçamentos de 35 milhões, ou outros de 20 milhões. Nas modalidades esta dinâmica não se aplica, e aquilo que no futebol é na maioria do tempo desperdício e percebido como irrelevante e desculpável, ordens de grandeza como 1, 2, 3, 4 ou 5 milhões de euros têm no andebol, no hóquei, no futsal ou no atletismo um  impacto enorme.

Reforçando: não é errado termos os maiores orçamentos nas modalidades.

Reconfiguração visual do Estádio José Alvalade.
Arriscaria dizer que todos os sportinguistas desejam ver as cadeiras do seu estádio pintadas de verde e de branco, extinguindo-se a actual panóplia de cores que juntamente com os azulejos no exterior fazem o Estádio José Alvalade parecer uma peça gigante de lego. (Ao contrário de outros, confesso que não vejo a existência do fosso como uma questão ou um problema.)

Ainda assim, regista-se como aquilo que deveria ser uma não-questão de tão consensual que é, se torna facilmente numa arma de arremesso, fenómeno semelhante na construção do Pavilhão João Rocha onde tanto para uma, como para outra, não deveríamos olhar para estes temas pelo prisma de quem os propôs. Ao contrário do que muitos alucinados repetem e sugerem, não temos de agradecer a Bruno de Carvalho pela construção do Pavilhão João Rocha - não é ele quem o constrói nem é ele quem o paga, e a proposta da sua construção mais não é do que uma obrigação do Sporting consigo próprio. A necessária reconfiguração visual do Estádio José Alvalade e a necessária construção do Pavilhão João Rocha são, entre outras, obras do Sporting para o Sporting.

De Béla Guttmann e Anselmo Fernandez a Vitor Pereira e Mirjo Jozić, passando por Tomislav Ivić, Artur Jorge, José Mourinho e Jorge Jesus: todos os treinadores campeões Europeus de futebol ao serviço de clubes portugueses

Pequeno apanhado mais ou menos perdido num bloco - virtual - de notas que poderá servir para qualquer coisa. No menor dos casos, para relembrar e dar os parabéns a todos os nomes que fazem parte da lista. São eles:

Béla Guttmann (Benfica)
Taça dos Campeões Europeus 1960/61 e 1961/62 (UEFA)

Taça dos Vencedores das Taças 1963/64 (UEFA)

Artur Jorge (FC Porto)
Taça dos Campeões Europeus 1986/87 (UEFA)

Tomislav Ivić (FC Porto)
Taça Intercontinental 1987 (UEFA e CONMEBOL), Supertaça Europeia 1987 (UEFA)

José Mourinho (FC Porto)
Taça UEFA 2002/03, Liga dos Campeões 2003/04 (UEFA)

Víctor Fernández (FC Porto)
Taça Intercontinental 2004 (UEFA e CONMEBOL)

Jorge Jesus (SC Braga)
Taça Intertoto 2008 (UEFA)

André Villas-Boas (FC Porto)
Liga Europa 2010/11 (UEFA)

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(Entre outros) Nomes que não fazem infelizmente parte da lista:
José Maria Pedroto (FC Porto),
caso possamos considerá-lo (não podemos mas adiante) o treinador do FCP, vice em 1983/84 na final da Taça dos Vencedores das Taças frente à Juventus.
José Peseiro (Sporting CP),
vice em 2004/05 na final da Taça UEFA frente ao CSKA Moscovo.
Vitor Pereira (FC Porto),
vice em 2011 na Supertaça Europeia frente ao Barcelona.
Menção especial: Mirjo Jozić (Sporting CP), vice em 1991 pelo Colo-Colo na Taça Intercontinental  frente ao Estrela Vermelha de Belgrado.

Wednesday, 8 February 2017

Chamar-lhe-ia Olavo de Carvalho, a hora dos parolos: "com o coração apertado, pernas a tremer e lágrimas nos olhos ..."


A mensagem que se exibe não se viu enviada pelo seu autor (pai de Bruno de Carvalho) ao seu filho. Antes, viu-se encaminhada para o jornal Record, procedimento normal com qualquer carta genuína que um pai escreve a um filho: é no Record que pais e filhos comunicam, toda a gente o sabe. Para amanhã, na Lux, na Flash e na Vidas, sairão as reacções de Cláudia Gomes, de Joana Ornelas, e de uns quantos primos.


Meu filho,

Quando, há 45 anos, te vi pela primeira vez, sonhei para ti, como já sonhara para os teus irmãos, uma vida de sucesso, no que empenhei, em conjunto com a tua mãe e a cada dia, a minha vida. É um pouco desta vida que te dou quando contigo sofro os teus desgostos e me regozijo com as tuas alegrias nesta via de sucesso, tantas vezes amarga, que escolheste e nasceu de um amor que, desde que nasceste, te transmiti. Estaremos sempre juntos neste amor ao Sporting, um clube de gente dedicada e forte que tantas alegrias já me deu pelas vitórias que conquistou desde que, há cerca de setenta anos e pela primeira vez, o vi jogar. Foi com profunda tristeza que quase o vi morrer e, por isso, é com orgulho que, de novo, o vejo forte e são, conduzido por ti dentro dos princípios cívicos e morais que te transmiti, tão puros como os recebi de meu pai, tão dignos como sempre te exigi que fosse a tua vida mesmo que a maledicência te maltratasse, a inveja te insultasse e a corrupção te roubasse, porque é assim que se faz maior a força dos que sempre acabam por vencer. É do mais fundo do coração que sai este desejo imenso de que alcances os teus desígnios, no que sempre estarás acompanhado e apoiado pelo amor dos teus pais e de toda a tua família, bem como por milhões de sportinguistas, como to demonstram no seu apoio continuado.

Parabéns meu filho, sê feliz e que Deus te proteja.

Responde Bruno de Carvalho, no facebook:

Meu querido pai,

Foi com uma grande emoção e alegria que li a tua mensagem no jornal! Senti-me de novo um adolescente outra vez. E tudo me veio à memória mais uma vez! Foi em 1978 que se iniciou esta caminhada até à Presidência do Sporting CP. Foi nesse primeiro jogo a que fomos que te disse, com o coração apertado, pernas a tremer e lágrimas de emoção nos olhos "um dia vou ser Presidente deste Clube!". E assim foi. Consegui alcançar o meu sonho, contigo ao meu lado, em 2011, mas só nos deixaram comemorar em 2013. Mas juntos, sempre juntos! Foram 35 anos de espera, seguidos de 4 cheio de orgulho e honra, de grande Esforço, Dedicação, Devoção, com muito sacrificio, superação, tristezas, alegrias, na busca incessante de fazer regressar o Grande Sporting Clube de Portugal e voltar à Glória que mais de 3,5 milhões de Sportinguistas bem merecem. Amo-te! Amo a minha familia de sangue! Aqueles que estão sempre ao meu lado nos bons e nos maus momentos. Que têm sempre uma palavra de alento para quem tem uma vida onde a solidão reina, pois é essa uma das consequências de Liderar. Mas Amo também a familia que escolhi para o meu coração, a familia que toda a nossa familia escolheu: o Sporting Clube de Portugal! Que este aniversário seja uma homenagem a ti e à mãe pela educação que me deram e pelos principios e valores com que me moldaram. Que seja uma homenagem a todos os que perseguem os seus sonhos sem medo e sempre com tenacidade e persistência. Que a emoção deste dia vinque, mais uma vez, o que sinto pelo nosso Sporting Clube de Portugal: Juro ser fiel ao Sporting e nem a morte nos separará!

Note-se: Bruno de Carvalho tinha 6 anos de idade quando em 1978, com o coração apertado, pernas a tremer e lágrimas de emoção nos olhos, disse a seu pai:

Um dia vou ser Presidente deste Clube!

E depois não querem ver-se rotulados de atrasados mentais ...

Antes de Hilário, dos golos de Héctor e de Manuel Fernandes, da inspiradora liderança de Oceano, da classe de Pedro Barbosa, das assistências de João Vieira Pinto, há um jogo que abre o futebol português ao mundo.

Um momento.
A 9 de Fevereiro de 1958, menos de 2 anos passados sobre a inauguração do Estádio (Olímpico) José Alvalade, o Sporting recebeu os germânicos do Áustria de Viena e brindou a formação do Danúbio com 4 históricos golos. Vadinho, Ivson (por duas vezes) e David Júlio foram os marcadores de serviço. Tratou-se do primeiríssimo jogo de futebol transmitido pela televisão Portuguesa (RTP).

Foi há 59 anos.