Monday, 23 January 2017

É fácil ouvir dizer que temos de ganhar. É mais complicado perceber o como, ou confiar nas pessoas certas para o podermos fazer. Tenho dúvidas que estejamos a fazer um bom trabalho nesta matéria. -- Ricardo Andorinho


Ricardo Andorinho:

Algumas decisões de gestão condicionam muito diretamente o rendimento de equipas desportivas.

Tenho muito orgulho na construção de uma equipa de andebol, na qual tive a honra e o prazer de jogar durante 10 anos. Todos os que andámos nesta vida, sabemos o quão difícil é melhorar um pormenor, a eficácia individual ou a táctica da equipa. Certo dia, o dirigente com maior responsabilidade na equipa de andebol do Sporting, entrega uma folha de salários a todos os atletas, colocando uma bomba relógio no seio da equipa, que explodiu em menos de 30 segundos. Comprovei, mais uma vez e de forma radical que muitos dos decisores não entendem o que é uma equipa desportiva e quais as condições que necessita para se desenvolver de forma competitiva.
Há muitas dinâmicas, sub-grupos e sub-culturas numa equipa, realidades para as quais os dirigentes devem, no mínimo, estar preparados e conscientes. Uma equipa de especialistas (jogadores de futebol) pode fazer coisas incríveis em conjunto, mas também pode bloquear qualquer sistema humano, dado o conhecimento específico da realidade, a sua influência e a forma como se relaciona com todos os outros intervenientes. Pensar como um ex-dirigente e atual comentador do futebol do Sporting, que sem me conhecer muito bem, teve a lata de me dizer na cara que os jogadores de futebol eram uns mercenários, atesta bem da visão de alguns «responsáveis» desportivos para administrar esta atividade.

O jogador é «o palhaço» de um circo chamado futebol. Se não centramos o futebol nos palhaços e entendermos que no eco-sistema, não só são eles os mais importantes como são eles os responsáveis pela construção de todas as outras estruturas de suporte à atividade, então estas pessoas não estão a fazer nada pelo clube, pois não entendem a atividade que se propõem ou propuseram gerir.

Quando joguei no Portland San Antonio, num dia mau, jogávamos em casa, o nosso presidente no final do jogo entrou no balneário, “demasiado stressado” e sem conseguir controlar a sua ira. Colocou-se em primeiro lugar e não contou com a ira dos 15 atletas que foi encontrar, igualmente frustrados com o resultado final do jogo. Temi o pior porque atletas com 115 kg de músculo a enfrentarem fisicamente o presidente, o resultado não poderia ser bom. E garanto-vos que esteve por pouco. Este presidente, viu que a qualquer momento lhe poderia correr mal e começou a amenizar a conversa. No desporto, tudo é possível, se houver contexto e respeito pela equipa. Havendo comportamentos extremistas que a equipa não consegue justificar, o caos fica instalado e dificilmente estes comportamentos são apagados daquilo que é a cultura do grupo, o individualismo de cada um, e também o (fundamental) contrato psicológico que cada um mantém com a equipa. Os membros da equipa, quando situações extremas acontecem, passam imediatamente para modo individual. O meu contrato desportivo, a minha situação na equipa e minha relação com este, aquele e o outro, deixando e relegando a equipa para segundo/terceiro planos. A propósito desta situação, convém ainda dizer que só os atletas são criticados, porque só os atletas são filmados a competir e só eles é que têm o trabalho publicado, comentado, escrutinado e neste campo cozinham-se todos os tipos de argumentos para responsabilizar 1, 2 ou 7. Quando há decisores que magicamente identificam facilmente os problemas da equipa, dão outra indicação à equipa: «É que haverá sempre uma solução para um problema.» Da minha experiência também vos digo que não acredito em nenhuma destas soluções pouco estruturadas naquilo que foram as minhas palavras anteriores: A proteção da equipa e das suas variáveis desportivas. Hoje é assim, amanhã vai ser um mar de rosas, depois da gravidade das coisas que se continuam a passar.

Outra das realidades em que os dirigentes falham demasiado é no entendimento do ciclo desportivo.

Desportivamente não há assim tantas formas de fazer magia a não ser trabalhar competências físicas, técnicas e táticas. A magia deverá ser ganhar e é para isso que devemos estar preparados.
Nego-me a acreditar que o futebol português se gere só por factores extra-desportivos, única realidade a que hoje em dia tenho acesso!
A actualidade da equipa de futebol do Sporting é complexa, e os dirigentes deveriam proteger a equipa em vez de a exporem. É muito difícil concentrar os atletas para a competição, quando qualquer informação a que estes têm acesso publicamente está a colocá-los individual e coletivamente no banco dos réus. Quem falha é o atleta, não o treinador, nem o presidente. Quem dá a cara perante o público e os adeptos são os atletas, não são os presidentes nem os treinadores.
Os atletas não são máquinas e são influenciáveis. São os atletas que psicologicamente têm de recuperar de um erro para depois fazerem uma coisa positiva. Estão sempre a ser julgados. O dinheiro que ganham é apenas uma constante (de mercado) nesta análise. Deveríamos influenciá-los positivamente para haver uma boa cultura de grupo e em consequência de competição.

É fácil ouvir dizer que temos de ganhar. É mais complicado perceber o como, ou confiar nas pessoas certas para o podermos fazer. Tenho dúvidas que estejamos a fazer um bom trabalho nesta matéria.

Pedro MR sobre uma eventual 3ª candidatura e algumas palavras dirigidas a JJ

As primeiras (das quais me aperceba) declarações pouco felizes de Pedro Madeira Rodrigues. (É sempre possível que a transcrição adultere o sentido do que foi dito, em especial no 1º trecho. Leio-as aqui.)

"Sporting é um clube democrático. Uma eventual terceira candidatura só serve para beneficiar a actual Direção. Acho que vou ganhar mesmo com uma terceira candidatura. Aparecer agora alguém com o Sporting a 10 pontos do líder e a 6 do segundo é óbvio que pode ser apelidado de oportunista."

"Não há qualquer dúvida que se vai demitir no momento em que vou ganhar as eleições. Não vou gastar 20 milhões, ele vai sair. Já pagámos muito dinheiro para o estarmos a ouvir com um discurso sem ambição, a falar de segundo lugar. Já beneficiou muito por ter passado pelo Sporting, não vai beneficiar mais. Comigo não vai ter qualquer possibilidade de trabalhar."

Sunday, 22 January 2017

"O estado de alma era completamente diferente", de acordo Octávio.

Com foco no derby disputado na Luz, entre avisos pertinentes para os erros de arbitragem que prejudicando a pontuação do Sporting adulteram muito possivelmente a classificação no topo da liga, Octávio Machado fez hoje referência (não sei em que contexto) ao facto  do Sporting não ser o 2º clube na Europa com a maior dívida e ao facto do presidente do Sporting não andar pela Ásia a vender activos.
Referindo-se evidentemente ao Benfica, ou ao presidente do Benfica e a assuntos que não dizem respeito ao Sporting, gostaria genuinamente de saber o que pensa Octávio sobre 3 temas:
- estadia de Bruno de Carvalho no banco do Sporting;
- incursões de Bruno de Carvalho pelo balneário do Sporting;
- críticas (referência a Guimarães, 2014) e anúncios da dispensa de jogadores pelo facebook na sequência da eliminação do Sporting da Taça de Portugal.
Tenho a certeza de conhecer as respostas a estas perguntas, caso se vissem dadas pelo Octávio que entre 1995 e 1997 passou pelo Sporting. Esse Octávio foi a dada altura determinante e deixou uma marca tão positiva que 20 anos depois ainda o recordo com nostalgia. Já o Octávio que no último ano e meio assume o cargo de director-geral da SAD é absolutamente irreconhecível ...

Saturday, 21 January 2017

Empate entre leões com o Sporting (do Minho) a poder distanciar-se.

Não valerá muito a pena (nem há vontade para) falar do pouco futebol que o Sporting joga. Com a intranquilidade perfeitamente instalada e desaires em sucessão, dificilmente veremos qualquer coisa positiva ou diferente desta até ao final da época, e quando tudo o que resta são jogos aborrecidos de 7 em 7 dias para o campeonato. Jogando amanhã no seu estádio, deslocando-se a Vila do Conde na jornada em que o Sporting visita o Dragão e defrontando, novamente no seu estádio, um GD Estoril que vai fazendo um campeonato decepcionante (15 pontos), vamos dando ao SC Braga argumentos para mais do que acreditar, pensar ser possível ficar em 3º lugar, um que se traduziria na ausência de LC para o Sporting na próxima época. O repórter que neste momento faz perguntas a Jorge Jesus refere na flash-interview hipotéticos 10 pontos para o líder. Julgo que o Sporting terá neste momento preocupações mais realistas do que essas ...

Pedro Madeira Rodrigues e o pré-anúncio do despedimento de Jorge Jesus

Com base no que exprimiu em mais do que uma ocasião, acredito no desejo que Pedro Madeira Rodrigues mantinha de ver Jorge Jesus como treinador do Sporting integrado numa estrutura diferente, necessariamente competente, que além de não embaraçar o seu trabalho lhe possibilitasse atingir os resultados que em condições normais, e até abaixo delas, estão ao seu alcance.
Incapaz de se dissociar de jogos de bastidores, o aparecimento do nome do treinador do Sporting na Comissão de Honra de apoio a Bruno de Carvalho tem tanto de despropositado como de pernicioso. Jorge Jesus é treinador do Sporting e é o Sporting que lhe paga o ordenado. Não é Bruno de Carvalho quem o faz. Jorge Jesus não é garantidamente um dirigente eleito do Sporting e na qualidade de treinador, por algum motivo estranho, parece confundir lealdade ao Sporting com partidismo. Com um acto eleitoral agendado para Março de 2017, tendo o treinador do Sporting contrato até 2019, mandaria o elementar bom-senso que Bruno de Carvalho não propusesse o nome de Jorge Jesus para a referida Comissão de Honra, e mandaria o bom-senso que Jorge Jesus não se emprestasse a números de mau gosto como os que essa lista de nomes representa.
Não existindo maior e mais incondicional adepto de Jorge Jesus do que eu (para o bem e para o mal), o pré-anúncio do seu despedimento, caso Pedro Madeira Rodrigues se veja eleito, tem tanto de inevitável como de positivo. Com o anúncio desta intenção Pedro Madeira Rodrigues exibe integridade, sensatez, ousadia, pouca preocupação por concursos de popularidade, e perfil de líder. Nós, adeptos, ficaremos a conhecer melhor a sua intuição (ou falta dela) para o futebol assim que nos for apresentado o nome do treinador que escolherá

A par não deixa de ser curioso que o candidato Pedro Madeira Rodrigues, nas suas intervenções, se assemelhe nesta altura a um presidente do Sporting.
Bruno de Carvalho, por seu turno, nas mais recentes entrevistas à CMTV e nas publicações no seu recreio de estimação, mais não parece do que um indivíduo de cabeça perdida candidato a qualquer coisa ...

Friday, 20 January 2017

Simon Vukčević data, compilação

Vukčević explicou a quem lhe pediu satisfações que se limitou a utilizar, pela enésima vez, um dos golpes do Karaté, modalidade de que é cinturão negro. Frisou que até quarta-feira nunca se tinha magoado com tanta gravidade - 08/16

O município de Chaves na sua totalidade acolhe este humilde e muito bondoso futebolista - 08/16

Os Sūpā Saiya-jin não usam cintos por exibirem (na cor) o grau ou a qualificação alcançada numa disciplina. O Karaté será muito importante mas os guerreiros do espaço dominam técnicas muito mais avançadas de combate e lidam com quantidades inimagináveis de energia. Simon Vukčević tal como qualquer outro híbrido da raça Saiyan utiliza cinto porque vem com o kimono, nada mais - 08/16

Não compreendo e causam-me muito desconforto os ecos que continuam a pôr em dúvida a qualidade do gigante Sérvio nascida nas notáveis montanhas de Titogrado. Ainda ontem em somente 20 minutos mostrou em 5 ou 6 momentos a qualidade que pode emprestar à equipa do Sporting - 04/11

Em 2011, tal como hoje, não existia / não existe no plantel do Sporting um jogador ao qual me sinta / sentisse emocionalmente ligado. O último foi Simon Vukčević, idos os tempos onde olhava para os jogadores do Sporting como heróis - 01/13

A. Zapater, Simon Vukčević, T. Hildebrand, Yannick Djaló, Anderson Polga - 02/13

By no means the video intends to mock Jesus, god or their matters. It establishes a relation which for me, intimately, always existed: the same way Jesus of Nazareth carries within the dreams and hopes of many billions of people, Simon Vukčević carries mine - 01/11, 07:13 Podgorica, Titograde

I played my best for you, rum pum pum pum

Svijetla Majska, 24 December 2012 at 10:09
Thank you Manuel, I love you too!! Keeping you in my heart. The best club in the world! Your friend, Simon Vukčević

PB, 24 December 2012 at 16:40
Não quis. O Simon não quis.

Ficando a faltar Romagnoli, Grimi, Mariano González (FCP) e João Paulo (FCP), atletas que deixarei de lado. Como disse é um exercício simplista, aproveitando no entanto para lembrar que Liedson não participou na final e Simon Vukčević começou-a no banco - 02/12

De lá para cá, mais 2 jogos frente a italianos e mais 2 empates: o primeiro em Lisboa com um golo de raiva de Simon Vukčević. O segundo em Florença - 09/11

Esse jogador poderia ter sido Simon Vukčević mas essa possibilidade não existe mais - 07/11

Exemplo: Javi Garcia é um jogador fenomenal. Entre outros motivos porque destaca-se no jogo de coberturas, sabe ler muito bem os movimentos da equipa, joga colectivamente, privilegia a temporização e a posse num jogo de apoios quando muitas vezes ainda procede à necessária verticalização. Já Simon Vukčević, infinitamente mais talentoso e jogando futebol que Javi nunca na sua vida jogará, é um tipo que não tem lugar no Sporting ou qualquer outra equipa. E pronto, o veredicto do entendido está achado. Como se discutirá isto? Não se discute porque para tal seria preciso discutir a 'posse' e a 'temporização' dos 'apoios'. Não se olha para o problema antes para elementos de linguagem. Simplicidade, Ivić. Neste exemplo absurdo até se percebe que assim seja porque Javi é um jogador de equilíbrios. Agora repetir a fórmula para tudo e mais alguma coisa não enjoa já, sequer - 06/11

-- Quando apareceu no Partizan os adeptos comparavam-no comigo. Não era difícil perceber porquê: o seu pé esquerdo era o de um escultor, ao mesmo tempo que jogava com muita alma. Quando a bola lhe chegava, ganhava vida. A equipa ganhava espírito. O público voava. Ao mesmo tempo que o estádio explodia. Pessoalmente, se não poderei dizer que via muito futebol sérvio, pelo menos na Croácia era o que dizíamos sobre ele -- Zvonimir Boban

Tópicos que destaco do programa de Pedro Madeira Rodrigues (e entrevista à SIC Notícias)




Modalidades
Tornar o Professor Mário Moniz Pereira o sócio perpétuo número 2;
Estudar o regresso do basquetebol;

Sócios
Propor a criação da figura do sócio-filho (um agregado familiar com pelo menos dois sócios efectivos de escalão A poderá ver os seus descendentes directos isentos de quota até aos 14 anos);
Propor a criação da figura do sócio-internacional;
Explorar a possibilidade de introdução do voto electrónico nos núcleos, salvaguardando a total fiabilidade dos sistemas;

Finanças
Recuperar no imediato a posse da Academia Sporting, na posse do Banco Comercial Português desde 2014, com o apoio de investidores que entrarão com um valor a rondar os 14 M €;
Garantir a detenção da maioria de capital da SAD, preparando a recompra de VMOC's;
Assumir inequivocamente a transparência na identificação dos investidores;

Património
Estudar a possibilidade de garantir um centro de estágio no Norte de Portugal que seja utilizado pelas nossas equipas;
Reconverter as infra-estruturas do multidesportivo, criando condições para aumentar o nível de conforto dos praticantes e seus familiares;
Realizar estudos de viabilidade para o encerramento do fosso do Estádio, de forma a permitir uma maior ligação entre adeptos e equipas;
Construir o Velómedro Joaquim Agostinho;
Substituir as cadeiras do estádio que se desviem do padrão cromático do clube;
Construir o Clube Naval do Sporting na zona ribeirinha de Lisboa;
Protocolar com a Câmara Municipal de Lisboa a criação de um complexo social junto ao Estádio que contemple uma residência para antigos atletas, uma residência universitária e uma creche.
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Membros de Direcção
Presidente - Pedro Madeira Rodrigues
Vice-Presidente Modalidades - Mário Saldanha
Vice-Presidente Finanças - Pedro Rebelo Pinto
Vice-Presidente Relações Institucionais - Victor Ferreira
Vice-Presidente Núcleos, Delegações e Filiais - Rogério de Brito
Vogal Sócios / Relações Humanas - Susana Cabral
Vogal Grupos Organizados / Adeptos - Bernardo Mendes
Vogal Responsabilidade Social - Luís Figueiredo
Vogal Marketing e Comunicação - João Alvim
Vogal Património - José Pedro Rodrigues
Vogal Jurídico - Domingos Cruz

Cabeças de lista para os restantes órgãos sociais
Presidente da Mesa da Assembleia Geral - Rui Morgado
Presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar - Filipe Marques
Primeiro da Lista ao Conselho Leonino - José Moniz Pereira
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Poderá ainda ver a entrevista concedida ontem à SIC Notícias, aqui.

Wednesday, 18 January 2017

Bruno de Carvalho é um totó (de acordo, Rodolfo). Futuro sem Jorge Jesus / Octávio Machado sai com Jorge Jesus

Quatro «links» para textos no 'O Jogo'.

1 - Rodolfo Reis, aqui, palavras que subscrevo por inteiro aludindo ao incidente no balneário do Sporting, em especial as primeiras: Bruno de Carvalho é um totó. Nunca se fala desta forma com os jogadores depois de um jogo. Ao chegar lá aos gritos, o treinador devia ter posto logo o presidente fora do balneário.

Manuel José (eternamente gratos pelos 7-1) já afirmara sensivelmente a mesma coisa, ontem. Não é necessário mais do que bom-senso para perceber que Bruno de Carvalho deveria afastar-se do banco e do balneário do Sporting. Infelizmente, o presidente do Sporting não prima / nunca primou pela inteligência.

Parabéns ao GD Chaves, um justo vencedor. Temos agora uma equipa sem Taça de Portugal, sem Taça da Liga, sem grandes ambições no Campeonato e eliminada das competições Europeias. É este o Sporting de Jorge Jesus. Sem precipitações, medite por momentos num Sporting sem Jorge Jesus ...

A equipa menos favorita venceu e seguiu em frente na prova. 
Com mérito e justiça. Parabéns ao GD Chaves.

É preciso recuar a 2012/13, uma das mais negras épocas na história do futebol do clube, para vermos o Sporting chegar a Janeiro eliminado de todas as competições que disputa. O Sporting está agora definitivamente impossibilitado de oferecer aos seus adeptos uma vitória (uma que fosse) no final da temporada, quando é também para isso que servem as taças, de Portugal ou da Liga. Hoje, todavia, ao contrário do que sucedeu em 2012/13, onde o clube lutava simultaneamente pela manutenção e pela qualificação para uma prova Europeia (sempre fomos um clube especial), não é errado presumir que o Sporting tem todas as condições para garantir, espero, pelo menos, o 3º lugar no campeonato que lhe dará acesso às pré-eliminatórias da LC da próxima época. Em boa verdade, para efeitos de luta por títulos, o Sporting de 2013/14 embora andasse por esta altura a poucos pontos do 1º lugar, e embora tivesse sido ao longo de muitos meses, recordo-o, o melhor ataque da prova, nunca foi um verdadeiro candidato ao título. Independentemente do que se subtrai das pontuações, em matéria de competências e de qualidades, é para mim claro que o Sporting de Leonardo Jardim nunca se equiparou ao Benfica de Jesus, e ao contrário do que afirmava há uns dias Pedro M. Rodrigues, assim era não porque o  Benfica de Jesus tivesse mais meios e/ou melhores jogadores (embora os tivesse). Mais diria que independentemente dos orçamentos (25, 35, 40 e que poderiam ser 50 ou até 60 milhões de euros), muito dificilmente os Sporting de Leonardo Jardim ou de Marco Silva venceriam o campeonato frente ao Benfica de J. Jesus. Menciono estes subjectivimos não porque considere importante comparar o que dificilmente terá comparação, mas porque na sequência do jogo de ontem, é quase obrigatório debater cenários que poderão ver o lugar de Jorge Jesus colocado em causa. Se não agora, pelo menos no final da época. Nessa discussão, concordando ou discordando, considere por favor os seguintes elementos:

1 - É inequívoco que o Sporting não pode pagar 8 milhões de euros por época a um treinador para ficar em 2º ou 3º no campeonato. Não é racional.
2 - Considera realista, com esta estrutura, o Sporting ambicionar 77 ou 80 pontos numa temporada sem Jorge Jesus? É o que precisa para ser campeão.
3 - Foi Jorge Jesus, em virtude da sua qualidade como treinador, e não qualquer outro interveniente, quem efectivamente deu ao Sporting o escudo de candidato ao título, meta que não se exigia (eu pelo menos não o exigia) aos seus predecessores. Dessa forma, dispensando o actual treinador, e oferecendo (ainda) ao FCP a oportunidade de no fim da época garantir os seus serviços, está preparado para perder esse estatuto de candidato ao título?

Tuesday, 17 January 2017

Empatar o histórico e seguir em frente na prova. 0-3 é o meu prognóstico.

15 jogos no Municipal de Chaves para o campeonato e taça, entre 1985 e 2017.

4 vitórias para os Flavienses: 2-1 (86/87), 2-1 (88/89), 2-1 (89/90), e 3-2 (97/98).
3 vitórias para o Sporting: 0-2 (92/93), 1-2 (94/95), e 1-3 (95/96).
8 empates, já contando com o do último sábado.

Dos 15 históricos encontros destaco 2:

Vitória do Sporting por 1-3 em 1995/96, a contar para a competição justamente em disputa esta noite. Nesta época o Sporting atingiria a final marcada pelo homicídio involuntário de um dos seus adeptos nas bancadas do Jamor. Na eliminatória de Chaves, a 4ª da prova, o Sporting asseguraria a passagem à ronda seguinte com um «bis» de Paulo Alves e um golo de Pedro Barbosa. Carlos Queirós ainda era treinador da equipa mas infelizmente, para o Sporting, ver-se-ia destituído do cargo não muito tempo depois. O outro encontro em destaque remonta a 1997/98 e a uma vitória do GD Chaves por 3-2. Porquê o destaque?

Natural de Kinshasa, recordamos o formidável Étienne N'tsunda, histórico avançado Congolês recrutado pelo FC Porto em 1994/95 que representaria a equipa transmontana entre 1996 e 1998. Foram seus 2 dos golos com que o Chaves nessa noite derrotou o Sporting de Carlos Manuel por 3-2. No mesmo encontro o Internacional Romeno Ovidiu Cuc também faria 2 golos, um deles na própria baliza.
A temporada de 1997/98 foi de muito má memória já que viu o FCP igualar o nosso (até então inigualável) «Tetra».

E para mais logo, não há outro cenário senão o de seguir em frente: 0-3 é o meu prognóstico.

Como alienar um plantel e uma equipa em poucos actos. Exemplifica o Sporting.

Sinais desencorajadores quando numa semi-crise da equipa de futebol, e na iminência duma eliminatória que poderá contribuir para colorir uma época negra (só a vitória na Taça de Portugal poderá fazê-lo, pelo menos parcialmente), o Sporting parece gastar mais tempo a tentar pintar uma imagem que desresponsabilizando os seus principais decisores, procura vender à opinião pública um quadro que mina por completo a relação desses dirigentes com o seu plantel. Por arrasto, um quadro que fragiliza a relação dos adeptos do Sporting com a sua equipa de futebol.

Quando os capitães Adrien e William, por intermédio da entrevista que concederam ao canal do clube, se viram obrigados (sem ganhos para ninguém e com prejuízos para todos) a tentar minimizar os danos provocados pelo seu presidente após o jogo no passado sábado, numa forma que infelizmente expôs o Sporting e os próprios ao ridículo (nada que perturbe quem os colocou naquela posição, habituado que está a permanentemente instrumentalizar atletas e técnicos do Sporting), e uma entrevista que só acentuou o desconforto provocado pela visita do presidente do Sporting ao balneário, a mensagem que se passou para a equipa do Sporting foi só uma: nós, dirigentes do Sporting, não estamos convosco.
Estas declarações de Pedro Batista, director da Fundação Sporting e um indivíduo próximo de Bruno de Carvalho, são infelizmente mais do mesmo, carregando nos chavões parvos que atribuem os maus resultados a falta de empenho e de esforço dos jogadores e, pior do que isso, introduzindo elementos de mau gosto como ainda têm energia para sair à noite após os jogos, declarações que contribuem para a diabolização da imagem desses mesmos jogadores.
Não se tratando Jorge Jesus de um treinador famoso na esfera de relações humanas e pela gestão emocional dos jogadores nos seus plantéis, torna-se claro que os jogadores do Sporting estão irremediavelmente entregues a si próprios.

O grande prejudicado será o Sporting.

Sunday, 15 January 2017

Forma os plantéis, interfere, debilita, prejudica o trabalho dos seus bons treinadores (pelo menos 2), e na adversidade responsabiliza os jogadores pela ausência de resultados. Admiráveis episódios do surrealista planeta Carvalho.

Confusão no balneário: presidente fez discurso muito duro. Adrien e William não gostaram e defenderam a equipa, apoiados por Bas Dost.
Na certeza de que Jorge Jesus não limita as capacidades dos seus jogadores (pelo contrário, explora-as e exponencia-as), quando não existe capacidade para algo tão simples como perceber que os jogadores jogam aquilo que sabem, e quando esse alguém, presidente do Sporting, é simultaneamente quem chama a si a responsabilidade de formar plantéis qualitativamente muito aquém do potencial dum clube como o Sporting, plantéis esses que nos momentos de adversidade responsabiliza pelos maus resultados, é fácil adivinhar que o Sporting dificilmente encontrará as soluções para os seus problemas.
Pequena correcção ao título: para Marco Silva, mais do que debilitar, o presidente do Sporting armadilhou o seu trabalho. Para sermos honestos.

Saturday, 14 January 2017

Não se recuperaram pontos e ainda se acrescentou desânimo.

Além da oportunidade desbaratada de ameaçar reentrar na luta pelo título, sobra desta noite o ponto ganho pelo GD Chaves, o bom jogo das duas equipas, o «bis» de Bas Dost e um excelente golo de Fábio Martins. Este Sporting não é candidato ao título, infelizmente, por culpa própria em virtude das opções que tomou para o seu plantel.

E é por isso que faz sentido falar-se em arbitragens (sempre que se justifique), mas não faz sentido responsabilizá-las pela época que temos vindo a fazer.

Oportunidade de ouro para recuperar pontos e ânimo.

Venha de lá essa vitória em Chaves.


Na imagem, referência ao último Sporting a vencer em Chaves para o campeonato Nacional. Foi em 1994/95 e liderando a classificação à entrada para o duelo, uma vitória por 1-2 permitiria ao Sporting sair de Chaves como entrou: líder. Figo, Peixe e Amunike não jogaram. Carlos Xavier e Ricardo Sá Pinto começaram no banco. Budimir Vujačić e Andrzej Juskowiak foram os autores dos golos leoninos. Edinho apontou o tento do Chaves. O árbitro da partida foi o Congolês Graham Poll.

O Sporting alinhou com: Costinha, Vujačić, Marco Aurélio, Naybet, F. Nélson, Filipe, Oceano, Balakov, Juskowiak, Yordanov e Capucho.
O GD Chaves alinhou com: Bastón, Paulo Pires, Amarildo, Lino, Zito, Toniño, Manuel Correia, David, Marito, Agostinho e Edinho.

Carlos Queirós e o nosso amigo Vitor Urbano treinavam as respectivas equipas.

No final do jogo, emocionado, Carlos Queirós dedicaria a suada vitória «ao povo transmontano e aos formidáveis adeptos que no Municipal de Chaves brindaram nesta tarde de sol os jogadores com uma atmosfera mágica».

Condutas que se institucionalizaram e apoderaram da vida do clube

Se aos níveis de resultados e da prossecução de políticas desportivas, nalguns casos desastrosas, o actual Sporting não diverge dos últimos 30 anos, período no qual, em futebol, o clube soma 2 títulos de campeão Nacional e um sem-número de 2ºs e 3ºs lugares (mais 3ºs do que 2ºs), lutando por títulos a cada 5 ou 6 anos e acabando, infelizmente, à semelhança do que fez na temporada passada, por perder a maioria dos títulos que ocasionalmente disputa (nos últimos 35 anos lutámos efectivamente pelo título de campeão em não mais do que 5 ou 6 temporadas), nas dinâmicas internas de funcionamento do clube, existem áreas nas quais os actuais dirigentes do Sporting foram pioneiros e que lhes garantirão um lugar cativo na história do clube. Lamentavelmente, essas áreas não se relacionam com a não obtenção de sucesso desportivo nem com as decisões desportivas em muitos casos sofríveis que estão na sua origem.

Como era previsível, como era inevitável, qualquer sportinguista (fosse quem fosse) que no próximo acto eleitoral pretendesse assumir-se como uma alternativa a Bruno de Carvalho, teria de estar preparado para as campanhas sujas formalizadas, pouco criativas (acusar sportinguistas de associação ao Benfica é talvez original mas seguramente pouco imaginativo), concebidas e patrocinadas pelo próprio Bruno de Carvalho e pelos invertebrados que no seu grupo mais restrito, ou fora dele, permanentemente de cócoras o lambem. À vontade para abordar o tema,  porque estou-me nas tintas, porque Pedro Oliveira até escreve para o blogue em questão (tenho a certeza que não se revê naquela espécie de sportinguismo), e porque o tema não é novo, no És a Nossa Fé, um dos mais recentes «posts» é demonstrativo do carácter mesquinho, destrutivo, subordinado, sectarista, foleiro, maldizente e odioso que sempre caracterizou aquele antro, mas incomensuravelmente mais relevante e importante do que isso, uma conduta que se institucionalizou e apoderou da vida do clube nos últimos 4 anos. Escreve e mostra Edmundo Gonçalves, à semelhança do seu mentor Pedro Correia, um dos muitos verbos-de-encher e prostitutos redactores naquele espaço: escuso-me a escrever o nome do lampião que esteve presente no jantar em Moscavide, em pseudo-referência ao conhecido ex dirigente do Benfica José Manuel Capristano, segundo Edmundo Gonçalves e segundo o blogue És a Nossa Fé, uma figura que terá estado num jantar onde marcaram presença muitos sportinguistas apoiantes e não-apoiantes  de Pedro Madeira Rodrigues.

Apontado na imagem, o sócio nº 2514-0 do Sporting Clube de Portugal, Mário Simões, fica à espera de um pedido de desculpas por parte destes invertebrados.

Friday, 13 January 2017

'Sporting condenado a indemnizar João Pinto com as verbas respetivas até ao final do contrato e sem qualquer desconto'

Tratando-se duma decisão susceptível de recurso, o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa no diferendo que opôs João G. Pinto ao Sporting é uma vitória para o nosso ex jogador, um que deixou saudades (link), mas é sobretudo uma vitória para todos os desportistas com contrato profissional em Portugal.

Thursday, 12 January 2017

E cá temos a coreografia, a famosa coreografia.

Tão longe mas tão perto. Os postes não estão alinhados.
É este o melhor ângulo. Vê-se a baliza, o guarda-redes, a área, quem está perto e quem está longe, ou quem simplesmente não está. Vê-se tudo: as opções são ilimitadas. Só pode dar golo, Afonso Martins.
Peter Schmeichel antes de tirar a fotografia subiu às copas. Está lá em cima, e levou com ele a trave, porque o gigante dinamarquês faz o que quer e o que lhe apetece -- e fá-lo bem. Atrás está Oceano e ao fundo, escondido mas pouco distante, desperto, Chiquinho Conde. Foi daqui que Amunike rematou, aos 01:10. Um golo à Pedro Barbosa, mas do Nigeriano.
E cá temos a coreografia, a famosa coreografia.
Famosa, mesmo.

Sunday, 8 January 2017

Assim gosto de ti.

Na noite azul com nuvens clarinhas, em direcção ao sudeste
conta-se do reino de Alvalade, que Ruiz pinta um céu alviceleste

Saturday, 7 January 2017

Neste lamaçal há 77 anos, sinais dos tempos.

Neste lamaçal, há 77 anos, Fernando Peyroteo apontou 8 dos 13 históricos golos que derrotaram a Selecção do Porto em 1940.
O resultado foi 13-2. Assinalamos a efeméride.

O Sporting CP fora campeão Nacional em 1935/36.
Na época seguinte, 1936/37, sucedeu-lhe o FC Porto.
Em 1937/38, o Sporting recuperou o título.
Mas em 1938/39, o FCP fez o mesmo.
Em 1939/40, o FCP vence o primeiro bicampeonato da sua história, último título antes de um jejum de 16 anos que seria quebrado em 1955/56.
Em 1940/41, o Sporting foi novamente campeão Nacional.

Relembro que nas duas décadas entre 1921/22 e 1939/40 o ligeiro ascendente no futebol português pertenceu à formação do Porto (6 campeonatos Nacionais).

Sporting CP (4), CF os Belenenses (3) e SL Benfica (3) apareciam por esta ordem nos lugares seguintes. Todavia, ao longo destes 6 anos, [1935 - 1941], Sporting CP e FC Porto repartiram os títulos de campeão em disputa com 3 para cada lado.

A partir daqui, FCP 'desaparece', Sport Lisboa e Benfica ocupa o lugar de 2ª potência desportiva em Portugal e o Sporting arranca para 1 década e 1/2 de competição onde vence 9 campeonatos em 14 anos.

Fomos durante muito tempo a principal força do futebol Nacional, tínhamos as melhores equipas, os melhores jogadores e a maioria dos títulos foram nossos. Não transferíamos bons jogadores para os principais rivais, FCP. Quisessem, teriam de no-los roubar, e o Sporting fazia o mesmo, principalmente ao Benfica. O concurso de Joseph Szabo foi como exemplo garantido desta forma. Quando o húngaro deixou de jogar futebol, ao serviço do Marítimo, ingressou no FCP como treinador vencendo uma série de títulos até se desentender e agredir um dirigente que o insultara. Mudou-se para Braga e após estagiar no Arsenal de Londres revolucionou o clube minhoto, trazendo para Portugal métodos absolutamente inovadores. A influência levou-o inclusivamente a alterar os equipamentos do SC Braga (daí as parecenças com os do Arsenal) e a sua qualidade como técnico era tanta que o FCP autorizou em Assembleia-Geral o seu regresso ao clube.

O problema foi Joaquim Oliveira Duarte, presidente do Sporting Clube de Portugal que em boa hora desviou-o do seu destino. Na capital do império desportivo português, Alvalade, venceu no Sporting 11 títulos em 9 anos, entre Campeonatos de Lisboa, Campeonatos Nacionais, Taça de Portugal e Taça Império. Foi o húngaro quem reparou nas virtudes de Jesus Correia ao serviço do Paço de Arcos e foi também quem fez de Fernando Peyroteo o mais alcançado nome na história do futebol português. A longa, apesar de interrupta ligação concluiu-se em 1973, a 17 de Março, onde faleceu aos 76 anos no lar do clube, como era seu desejo.

Pedro Madeira Rodrigues ao «O Jogo», 06/01/2017


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